One Piece e Jujutsu Kaisen vivem na mesma prateleira quando o assunto é ação frenética e universos fantásticos. Mesmo assim, o mangá de Eiichiro Oda, que completa mais de mil episódios na TV, coleciona arcos narrativos que nenhum rival recente conseguiu igualar.
A seguir, o Salada de Cinema compara as duas obras e destaca cinco fases da jornada de Luffy que continuam inalcançáveis para o título da Shonen Jump estrelado por Yuji Itadori.
Por que comparar One Piece e Jujutsu Kaisen?
Os dois animes compartilham temas de amizade, superação pessoal e batalhas coreografadas, mas diferem no tempo de maturação. Enquanto o universo amaldiçoado de Gege Akutami ainda passa da marca dos 100 episódios, One Piece navega há mais de duas décadas, o que permite explorar personagens, conflitos e mistérios com outra profundidade.
Nesse intervalo, Oda usou elementos como Haki do Armamento e intrigas políticas para elevar a franquia a um patamar difícil de alcançar. Já Jujutsu Kaisen brilha em momentos curtos e intensos, como o Incidente de Shibuya, mas ainda não teve espaço para um evento verdadeiramente global.
Escala, emoção e direção
Outro ponto que distancia as séries é a execução técnica. A Toei Animation, que comanda One Piece desde 1999, alterna equipes de diretores — entre eles Hiroaki Miyamoto e Konosuke Uda — para adequar o ritmo de cada saga. Essa rotação mantém o frescor visual, algo fundamental em fases longas, como Dressrosa.
Em Jujutsu Kaisen, o estúdio MAPPA imprime uma estética moderna e explosiva, mas trabalha com arcos mais compactos, reduzindo o impacto acumulado. A seguir, listamos as cinco passagens de One Piece que melhor exemplificam a vantagem de Oda nesse duelo.
Os 5 arcos de One Piece que continuam imbatíveis
- Alabasta – Episódios 92-130
Primeira aventura verdadeiramente épica dos Chapéus de Palha. A guerra civil, o Poneglyph escondido no deserto e a busca de Crocodile pela arma ancestral Pluton elevam stakes e complexidade. O espectador sente pela primeira vez o tamanho real da Grand Line.
- Enies Lobby – Episódios 264-312
Momento decisivo para Nico Robin. Ao declarar que deseja viver, a arqueóloga injeta emoção crua na trama. Além disso, a rivalidade de Luffy com o CP9 rende lutas plásticas e um clímax emotivo, superando o drama pessoal visto em arcos como Shibuya, de Jujutsu Kaisen.
- Marineford – Episódios 457-489
O grande crossover interno de One Piece. Marinha, Shichibukais, Supernovas e os Piratas do Barba Branca colidem em um festival de participações especiais. A morte de Ace dá peso dramático nunca igualado por Jujutsu Kaisen, mesmo em eventos como o Incidente de Shibuya.
Imagem: Divulgação
- Dressrosa – Episódios 629-746
Versão expandida de Alabasta. O império de Doflamingo, a arena Corrida Colosseum e a estreia do Gear 4 criam uma mistura de política, tragédia e espetáculo. No mangá, o ritmo é afiado; no anime, a direção recorre a layouts dinâmicos para manter a tensão.
- Wano – Episódios 890-em andamento
Dividido em três atos, o arco entrega viagens no tempo, rebelião samurai e batalhas navais. A direção utiliza filtros de cor inspirados em xilogravuras japonesas para reforçar a ambientação, enquanto Oda costura revelações que moldarão a saga final.
O papel dos roteiristas e diretores
Boa parte do sucesso desses arcos recai sobre a sala de roteiristas da Toei, que conta com nomes como Junki Takegami e Shouji Yonemura. Eles adaptam o mangá sem perder a essência de Oda e, quando necessário, inserem transições inéditas para suavizar cliffhangers semanais.
Já no campo da direção, a alternância de estilos permite que cada saga tenha identidade própria. A energia explosiva de Munehisa Sakai em Marineford contrasta com o tom teatral de Ryota Nakamura em Wano, algo que garante frescor contínuo ao anime.
Impacto cultural e legado
Enquanto técnicas originais, como as apresentadas na terceira temporada de Jujutsu Kaisen, ampliam o potencial da obra de Akutami, One Piece consolida um legado que ultrapassa gerações. Oda aproveita o tempo de publicação para revisitar pistas deixadas anos antes, transformando detalhes em grandes revelações.
Esse efeito de longo prazo cria engajamento raro no mercado. A morte de Ace, por exemplo, ecoa em discussões sobre o futuro de Luffy e até sobre a evolução de Barba Negra, tema tratado neste artigo.
Vale a pena assistir?
One Piece segue como a maratona definitiva para quem busca construção de mundo, crescimento de personagens e eventos de tirar o fôlego. Já Jujutsu Kaisen é recomendável para quem prefere sagas curtas, intensas e visualmente arrojadas. Se o objetivo for vivenciar arcos que definem rumos na cultura pop, a obra de Eiichiro Oda ainda é parada obrigatória.









