Dragon Ball Super: Beerus, anunciado oficialmente no evento de 40º aniversário da franquia, o Genkidamatsuri, vai readaptar os filmes Battle of Gods e Resurrection F como série anime a partir do outono de 2026 — e isso significa que Goku e Vegeta vão usar novamente os uniformes treinados com Whis, os melhores designs modernos dos personagens, abandonados há anos pela franquia.
Os uniformes do Whis foram descartados cedo demais, e a franquia pagou o preço
O problema de design do Dragon Ball moderno raramente é discutido com franqueza: Goku e Vegeta passaram a maior parte de Dragon Ball Super usando roupas que parecem idênticas às da saga Cell, como se o tempo não tivesse passado e os personagens não tivessem crescido. Os uniformes criados durante o treino com Whis em Resurrection F foram a exceção mais bem-sucedida a esse padrão. Goku ganha um dogi totalmente laranja, sem a camiseta azul que usava desde a saga Boo, com a assinatura de Whis no peito — não como marca de estudante, mas como reconhecimento de que ele encontrou o próprio caminho como guerreiro. Vegeta, por sua vez, troca a armadura saiajin por uma versão desenvolvida por Bulma: azul, moderna, e carregada de simbolismo sobre o que ele construiu na Terra.
Esses dois looks duraram exatamente dois arcos. No início da saga do Goku Black, sem explicação narrativa relevante, os dois voltaram aos uniformes de sempre. Foi uma das decisões estéticas mais frustrantes do anime original, especialmente porque as roupas do Whis funcionavam visualmente com o Super Saiyan Blue de um jeito que os designs antigos jamais conseguiram — as paletas de cor se complementavam de forma que parecia intencional desde o início.

Toriyama sempre usou roupa como narrativa, e essa era a tradição sendo honrada
Akira Toriyama tratava mudanças de figurino como marcadores de desenvolvimento de personagem ao longo de toda a franquia. Goku vai perdendo os kanjis do dogi conforme supera a necessidade de invocar um mestre. Vegeta vai abandonando peças da armadura saiajin à medida que se integra à vida na Terra. Os uniformes do Whis eram a continuação direta dessa lógica: representavam dois guerreiros que, pela primeira vez, vestiram algo que era genuinamente deles, sem herança de escola ou de raça.
Ignorar esse simbolismo e fazê-los voltar às roupas antigas foi, sob essa perspectiva, uma regressão narrativa disfarçada de familiaridade. Dragon Ball Super: Beerus tem a chance de corrigir isso — não apenas reintroduzindo os designs, mas potencialmente mantendo-os por mais tempo do que o anime original fez. O produtor executivo Akio Iyoku esteve no palco do Genkidamatsuri ao lado de Masako Nozawa, dubladora original de Goku há mais de 60 anos, durante o anúncio — o que indica envolvimento criativo central, não apenas um relançamento de arquivo.
A readaptação de Resurrection F é onde tudo começa de novo
A nova série começa pela readaptação de Battle of Gods — o arco com Beerus que dá nome ao projeto. Segundo o cronograma indicado no anúncio, esse bloco inicial será relativamente curto, o que coloca a readaptação de Resurrection F já no outono de 2026. É exatamente nesse segundo filme que os uniformes do Whis aparecem pela primeira vez, e onde a dinâmica visual de Super Saiyan Blue foi concebida para funcionar.
Se Dragon Ball Super: Beerus se propõe a refazer a série até pelo menos o Torneio do Poder — como sugerem as informações divulgadas no evento —, há espaço para que os designs durem muito mais do que duraram originalmente. Isso não é detalhe cosmético: é uma oportunidade de o anime moderno finalmente dar ao legado visual de Toriyama o tratamento que o material merecia desde 2015.
O que ainda não está definido muda o peso do anúncio
Vale separar o que foi confirmado do que ainda está em aberto. O anúncio oficial no Genkidamatsuri confirma o título, o retorno de Masako Nozawa e Koichi Yamadera como vozes originais de Goku e Beerus, e a janela de estreia no outono de 2026. O formato de exibição — se TV, streaming ou distribuição em etapas — ainda não foi oficializado publicamente. A plataforma de transmissão fora do Japão também segue sem confirmação.
O que o anúncio deixa claro é que a franquia escolheu o 40º aniversário para recolocar Dragon Ball Super no centro das atenções com uma proposta de reconstrução, não de continuação direta. Para quem acompanhou o anime original e ficou com a sensação de que muito do potencial visual e narrativo da era do Super Saiyan Blue foi desperdiçado, Dragon Ball Super: Beerus chega carregando uma promessa específica — e os uniformes do Whis são o símbolo mais visível dela.









