Quando se fala em aventuras marítimas, poucos títulos ousaram escurecer tanto o convés quanto The Bluff. O novo longa da Prime Video estreia apenas em 25 de fevereiro de 2026, mas já exibe 67% de aprovação no Rotten Tomatoes, sinal verde para quem anda órfão de espadachins nas telas.
Nesta análise, o Salada de Cinema mergulha nas atuações, na direção de Frank E. Flowers e no roteiro que, embora criticado por sua simplicidade, entrega batalhas coreografadas com sangue nos olhos – literalmente.
Priyanka Chopra Jonas assume o leme
No centro de The Bluff está Ercell “Bloody Mary” Bodden, ex-pirata que tenta levar vida pacata até ser caçada pelo implacável Capitão Connor. Priyanka Chopra Jonas imprime intensidade quase física à personagem; em tela, cada golpe de espada parece carregar anos de culpa e instinto materno.
Críticos apontam essa mistura de vulnerabilidade com letalidade como o grande trunfo do filme. Gregory Nussen, por exemplo, comparou a atriz a um “John Wick de chapéu tricórnio”. A comparação faz sentido: assim como Keanu Reeves na franquia de ação, Chopra Jonas domina coreografias brutais sem perder o olhar humano.
Karl Urban encarna a frieza de Connor
Do outro lado da prancha, Karl Urban oferece um contraponto gelado. Connor surge sempre calculista, quase cirúrgico, contrastando com a impulsividade de Ercell. A dinâmica entre os dois funciona porque Urban não exagera na vilania; ele a dosa em sutilezas, tornando cada provocação mais incômoda.
O resultado é um jogo de gato e rato onde a ameaça não depende de monstros marinhos ou assombrações fantásticas, mas da própria vontade de destruição do antagonista. Quando o ator surge em cena, o ritmo abranda para que o espectador sinta a tensão antes da próxima estocada.
Direção de Frank E. Flowers privilegia a ação crua
Frank E. Flowers, que também assina o roteiro ao lado de Joe Ballarini, mantém a câmera colada nos corpos. As batalhas jamais se perdem em cortes frenéticos. Em vez disso, planos médios revelam a geografia dos conveses, permitindo que o público acompanhe cada passo, cada cambalhota e cada corte de sabre.
A fotografia reforça o tom sombrio: cores quentes dominam durante abordagens em vilarejos tropicais, enquanto tons acinzentados surgem nas cenas noturnas a bordo. O contraste visual ressalta a brutalidade que garantiu ao longa classificação indicativa para maiores, algo que diferencia a obra dos filmes da franquia Piratas do Caribe, mais voltados ao humor leve.
Imagem: Divulgação
Roteiro simples, mas eficaz na vingança
Se há uma âncora que pesa, é o roteiro enxuto. Diversas críticas mencionam a falta de profundidade nos coadjuvantes – Ismael Cruz Córdova, Safia Oakley-Green e Temuera Morrison recebem menos tempo de tela do que mereciam. Ainda assim, a jornada de vingança avança sem barrigas e mantém a adrenalina alta por 101 minutos.
Entre espadadas e explosões, o texto se apoia em motivações familiares fáceis de compreender. A previsibilidade, longe de afundar o navio, navega a favor de quem busca pura diversão. Para quem prefere suspense, talvez valha conferir produções mais tensas, como o thriller Firebreak, que domina o clima claustrofóbico de maneira distinta.
Vale a pena assistir?
The Bluff entrega o que promete: duelos de espada de tirar o fôlego, violência sem pudor e uma protagonista que segura o timão com firmeza. A nota 67% no Rotten Tomatoes, baseada em apenas 15 críticas até o momento, indica terreno sólido, ainda que sujeito a marés.
Para fãs de pirataria cinematográfica, o longa serve como alternativa adulta aos filmes de Jack Sparrow. Quem admira o trabalho de Priyanka Chopra Jonas em “Citadel” encontrará aqui a mesma entrega física, agora temperada com rum e pólvora.
No fim, a equação é simples: se a ideia de um John Wick de casaca soa atraente, embarque. Se prefere piadas de papagaio, talvez outro navio seja mais indicado.



