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    The Boys T5 Ep. 7 Crítica: O Episódio Mais Corajoso da Temporada Também É o Mais Cruel

    Toni MoraisBy Toni Moraismaio 14, 2026Nenhum comentário10 Mins Read
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    Frenchie no episódio 7 da quinta temporada de The Boys
    Frenchie toma a decisão mais importante da temporada no penúltimo episódio de The Boys.
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    Atenção: este artigo contém spoilers completos do episódio 7 da 5ª temporada de The Boys, “O Francês, a Mulher e o Homem Chamado Leitinho”, disponível no Prime Video desde 13 de maio de 2026.

    The Boys sempre soube usar a crueldade como argumento. Não a crueldade gratuita do espetáculo — a crueldade calculada de quem entende que o preço de uma boa história precisa ser pago com algo real. O episódio 7, penúltimo da temporada final, cobra esse preço com uma frieza que vai doer muito mais do que qualquer explosão de cabeça que a série já mostrou. O Capitão Pátria mata o presidente dos Estados Unidos com as próprias mãos. E essa não é a cena mais impactante do episódio. Isso diz muito sobre o que Eric Kripke entregou aqui.

    O Que Acontece no Episódio 7 de The Boys

    Homelander confronta o presidente no Salão Oval em The Boys temporada 5
    Homelander leva o terror político ao limite no episódio 7 da temporada final de The Boys.

    O capítulo abre com o Capitão Pátria (Antony Starr) já instalado no Salão Oval como governante de fato dos Estados Unidos. As consequências do V1 chegaram rápido demais para qualquer estrutura institucional absorver: ele não está tentando governar dentro do sistema. Ele é o sistema agora. A primeira grande cena — o presidente Calhoun sendo morto por simplesmente não acreditar na divindade do Capitão Pátria — funciona menos como momento de ação e mais como diagnóstico. A lógica do personagem está completa: quem não acredita não merece estar no mesmo quarto.

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    Suas exigências políticas são uma lista de horrores narrados com a leveza de quem pede uma pizza: proibição do aborto, tropas nas cidades que apoiaram Luz-Estrela, banimento do “leite de nozes” e amamentação obrigatória. A referência à obsessão do personagem por leite, que a série construiu ao longo de temporadas, encontra aqui sua aplicação política mais absurda e mais precisa ao mesmo tempo. A máquina de propaganda da Vought já está em movimento — e o número musical de Oh-Pai (Daveed Diggs), um espetáculo ao estilo Hamilton que rebaixa Jesus Cristo e coloca o Capitão Pátria no trono divino, é um dos momentos mais bem dirigidos de toda a temporada final.

    Enquanto isso, os Boys trabalham no Plano B. Com o vírus inútil depois que Homelander injetou o V1, Frenchie (Tomer Capone) apresenta a única saída que faz sentido dentro da lógica da série: replicar artificialmente a explosão radioativa de Soldier Boy — que, como vimos na 3ª temporada, consegue anular o Composto V em outros Supes. O experimento usa Kimiko (Karen Fukuhara) como cobaia, aproveitando seu fator de cura excepcional para suportar doses de radiação que matariam qualquer ser humano comum. A ideia é transformá-la em uma arma capaz de fritar o V1 no sangue de Homelander.

    Destaques

    • Antony Starr como Capitão Pátria sentado no Salão Oval da Casa Branca na 5ª temporada de The Boys no Prime Video
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    • Antony Starr como Capitão Pátria e Karl Urban como Billy Butcher frente a frente no confronto final da 5ª temporada de The Boys no Prime Video
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    O plano não chega a ser concluído. O Capitão Pátria encontra o esconderijo do grupo.

    O que acontece a seguir é o episódio inteiro justificando sua existência em três minutos.

    A Morte do Francês — e Por Que Ela Funciona Onde Tantas Mortes em Séries Falham

    Frenchie e Kimiko conversam sobre o futuro no início do episódio. Eles querem adotar uma criança. Querem se mudar para Marselha. É o tipo de diálogo que qualquer espectador experiente reconhece como prenúncio — e a série sabe que você vai reconhecer. Ela não está sendo ingênua. Está sendo deliberada.

    Quando o Capitão Pátria invade o esconderijo e usa sua visão de raio-X para vasculhar cada centímetro do local, Frenchie toma uma decisão. Ele esconde Kimiko e Mana Sábia em um duto de zinco — imune ao raio-X — e abre a câmara de urânio enriquecido para distrair o vilão. A radiação expõe ambos. O Capitão Pátria percebe que o experimento funcionou, que agora algo pode machucá-lo, e foge. Frenchie sobrevive tempo suficiente para ser encontrado por Kimiko.

    O beijo final dos dois acontece sem trilha sonora. A série para de respirar. E aí está o acerto técnico e emocional do momento: em uma temporada acusada — com alguma razão — de ter episódios arrastados e subaproveitados, Kripke encontrou o silêncio como único instrumento possível para uma despedida à altura do personagem. Tomer Capone e Karen Fukuhara construíram um dos relacionamentos mais consistentes de toda a série, e o episódio tem a inteligência de não tentar explicar o que esse momento significa. Ele simplesmente acontece, e o peso cai depois.

    A morte do Francês não é dramática porque é espetacular. É dramática porque é silenciosa. Em uma série que frequentemente usa o excesso como linguagem, o silêncio é o gesto mais radical que o roteiro poderia fazer.

    Vale notar: o prenúncio de Marselha não é preguiça narrativa. É a série sendo honesta sobre como funciona. Você sabia que um deles ia morrer. Sabia e ainda sentiu. Isso é escrita.

    Soldier Boy e o Destino Mais Anticlimático da Temporada

    Soldier Boy liberando radiação em The Boys temporada 5
    A radiação de Soldier Boy pode ser a única arma capaz de destruir o V1 no sangue de Homelander.

    Nem tudo funciona com a mesma precisão. Soldier Boy (Jensen Ackles) está, no episódio 7, no ponto mais baixo de sua utilização na temporada final — e isso é um problema real, porque a série investiu muito no personagem desde a terceira temporada.

    Depois de ter entregado o V1 ao filho no episódio anterior, Soldier Boy discorda da condução messiânica e macabra de Homelander, diz que vai para Bogotá atrás de drogas e mulheres, e toma um mata-leão do filho. Resultado: de volta para a câmara criogênica. O personagem que motivou a reunião das estrelas de Supernatural — Jensen Ackles, Jared Padalecki e Misha Collins — em um dos episódios mais aguardados da temporada termina o penúltimo capítulo exatamente onde estava: congelado e fora de cena.

    Isso não significa que ele está fora do finale. Significa que o episódio 7 desperdiçou o momentum construído na temporada inteira para o personagem. A reviravolta da entrega do V1 ao filho funcionou como motivação emocional — Soldier Boy agindo por amor a Tempesta, descobrindo no gesto uma espécie de reconhecimento tardio do filho. Mas a consequência imediata desse gesto, que deveria ser o clímax do arco, virou um anti-climax de dois minutos.

    O Profundo, Samuel L. Jackson e o Humor que Ainda Funciona

    A série nunca deixou o humor de lado, nem nos episódios mais pesados — e o episódio 7 entrega um dos momentos mais hilários de toda a temporada no meio do caos. O Profundo (Chace Crawford), expulso dos Sete após o desbande oficial do grupo, tenta afogar as mágoas no oceano. O que o impede? Um tubarão-martelo, dublado por Samuel L. Jackson, que o proíbe de entrar na água por causa do desastre do oleoduto.

    É o tipo de piada que só The Boys consegue fazer funcionar: absurda, específica, construída sobre consequências reais de episódios anteriores e entregue com o peso de um ator que leva a participação a sério o suficiente para ela não virar caricatura. O Profundo termina o episódio se recusando a salvar uma pessoa se afogando — um momento que resume com precisão o que o personagem se tornou ao longo de cinco temporadas. Não é redenção. Não é destruição total. É covardia burocrática, que é exatamente o pior destino possível para ele.

    A Integração com Gen V — e Por Que Ela Funciona Melhor do Que Deveria

    Marie Moreau (Jaz Sinclair) e Jordan Li (London Thor), protagonistas do spin-off Gen V, aparecem no episódio como aliados da resistência de Luz-Estrela. A integração era esperada pelos fãs de ambos os universos — e o roteiro tem o bom senso de fazê-la funcionar sem exigir que o espectador tenha visto Gen V para entender o que está acontecendo.

    Os dois aparecem como supes jovens ajudando a salvar civis resgatados da Igreja de Oh-Pai, sem backstory explicativo e sem quebrar o ritmo do episódio para fazer apresentações. É a integração certa: contextual, funcional e emocionalmente aditiva para quem conhece os personagens, transparente para quem não conhece.

    Leitinho e a Melhor Cena Pequena da Temporada

    Em meio ao caos político e à tragédia do Francês, o episódio reserva um momento de quietude inesperada: finalmente descobrimos a origem real do apelido de Leitinho (Laz Alonso) na adaptação da série. Diferente da versão dos quadrinhos originais, aqui o apelido vem da infância: Leitinho foi zoado por nutrir e salvar um pombo machucado. Um ato de cuidado virou motivo de bullying — e virou nome.

    É um detalhe pequeno que a série não precisava incluir no penúltimo episódio. E é exatamente por não precisar que ele importa tanto. The Boys sempre soube que os melhores momentos de humanidade aparecem no meio do pior caos possível. Leitinho, que passou boa parte da temporada em segundo plano enquanto a batalha central se concentrava em Homelander e Butcher, ganha aqui um momento que vai durar.

    O Que o Episódio 7 Significa Para o Finale

    O tabuleiro do episódio final está montado da seguinte forma: Kimiko foi exposta à radiação e pode ter desenvolvido a capacidade de roubar os poderes do Capitão Pátria — mas o experimento não foi confirmado. Frenchie está morto. Homelander controla a Casa Branca, eliminou o presidente, dissolveu os Sete, instituiu a Igreja Democrática da América como religião oficial e tem Soldier Boy congelado no quarto. Butcher está desesperado. Luz-Estrela está organizando a resistência com aliados de Gen V.

    O finale “Blood and Bone” — título tirado de uma fala do próprio Homelander a Billy Butcher na terceira temporada, quando o vilão propôs uma luta até a morte — estreia em 20 de maio. O título sugere que a resolução vai ser física e definitiva. A questão que o episódio 7 deixa em aberto não é quem vai ganhar. É o que sobra de quem vencer.

    Veredicto: Um Episódio de Contradições Necessárias

    O episódio 7 de The Boys é, ao mesmo tempo, o mais corajoso e o mais desigual da temporada final. A morte do Francês é precisa. O assassinato do presidente é o momento político mais ousado que a série já exibiu. A participação de Samuel L. Jackson como tubarão-martelo é hilária e pertinente. A integração de Gen V funciona. A origem do apelido de Leitinho emociona sem forçar.

    Mas Soldier Boy está subaproveitado, o arco de Mana Sábia continua inconsistente, e a sensação de que a temporada teve muita história para pouco espaço — ou muito espaço para pouca história — persiste. O penúltimo episódio de uma série que conquistou tanto deveria ser incapaz de fazer o espectador olhar para o relógio. Esse episódio quase consegue. Não completamente.

    O que salva o episódio — e o que vai ficar — é o silêncio de Kimiko segurando Frenchie. The Boys encontrou, no momento mais baixo de seus personagens, a cena mais alta da temporada. Para um penúltimo episódio, isso é suficiente. Às vezes até mais do que suficiente.

    ⭐ Nota: 9.0/10

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    Toni Morais
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    Toni Morais Ferreira editor do Salada de Cinema, cobre cinemas, séries e streaming desde 2021. Especializado em análise de séries de plataformas como Netflix, Prime Video e Paramount+, acompanha estreias, finais e bastidores com foco em cobertura aprofundada para o público brasileiro. Já analisou produções de mais de 30 países e escreve críticas, finais explicados e coberturas semanais de séries em alta.

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