Zootopia 2 não apenas chegou rápido ao cobiçado clube do bilhão: em menos de oito fins de semana, a animação somou US$ 1,703 bilhão e garantiu a nona posição no ranking mundial de maiores arrecadações da história do cinema.
Com esse resultado, a continuação da aventura lançada em 2016 superou O Rei Leão (2019) e Divertida Mente 2 (2024), tornando-se o longa animado em língua inglesa de maior bilheteria até hoje. O feito reposiciona a Walt Disney Animation Studios no topo do gênero e alimenta a disputa por espaço na lista dos dez mais rentáveis.
O salto financeiro de Zootopia 2
De acordo com as projeções até a manhã de domingo, Zootopia 2 encerrou a oitava semana em cartaz com US$ 1,703 bilhão no caixa mundial. O número faz do título a produção animada de ritmo mais veloz a alcançar o bilhão no selo MPA, desempenho impulsionado por sessões lotadas na América do Norte, Europa e Ásia.
O resultado coloca o filme à frente de O Rei Leão (2019), que parou em US$ 1,662 bilhão, e de Divertida Mente 2, finalizado com US$ 1,699 bilhão. Na ponta da animação, apenas o fenômeno chinês Ne Zha 2 aparece mais acima, com US$ 2,26 bilhões. Curiosamente, as duas produções são de 2025, algo que não acontecia desde 2019, quando três obras daquele ano figuravam simultaneamente no Top 10 global.
A marca reforça a força da franquia em um mercado lotado de propriedades bilionárias. Se Zootopia 2 não ultrapassar o faturamento de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, corre o risco de ser desalojado por estreias previstas para 2026, como Toy Story 5, Minions 3 e um novo capítulo do universo Vingadores.
Direção dupla mantém ritmo ágil
Byron Howard e Jared Bush reassumem o comando depois do sucesso do primeiro filme. A dupla demonstra segurança para equilibrar humor e comentário social, montando uma condução dinâmica que evita a sensação de repetição. A escolha de cenários mais amplos, como novos distritos da metrópole animal, pede planos abertos e movimentos de câmera que, mesmo em animação, passam a impressão de tracking shots.
Howard, veterano da casa, traz experiência em coreografar ação com leveza — algo evidente nos perseguições envolvendo Judy Hopps. Bush, por sua vez, aplica um timing cômico preciso, herdado de seu trabalho como roteirista em Moana. O entrosamento se traduz em cenas que transitam sem atrito do suspense policial ao pastelão, mantendo o público engajado durante as duas horas de projeção.
Roteiro expande o universo sem perder o humor
Assinado por Jared Bush, o roteiro de Zootopia 2 desenvolve tramas paralelas que aprofundam o tema da convivência entre espécies. A investigação central — pivô do conflito — abre espaço para abordar fake news e manipulação de dados, tópicos atuais que se encaixam de forma orgânica no universo antropomórfico.
Imagem: Divulgação
O texto preserva o ritmo acelerado do original, mas se arrisca ao explorar novos tons dramáticos. O arco de Nick Wilde, agora testado em dilemas morais mais complexos, traz maturidade ao personagem. Ao mesmo tempo, piadas visuais e trocadilhos zoológicos garantem leveza. O equilíbrio entre crítica social e comicidade ajuda a produção a dialogar com diferentes faixas etárias sem comprometer a fluidez da narrativa.
Vozes que dão vida aos personagens
Ginnifer Goodwin retorna como Judy Hopps com a energia contagiante que marcou o primeiro longa. Sua dicção acelerada e entonação sempre otimista reforçam a personalidade inquieta da coelha. Jason Bateman, novamente como Nick Wilde, aposta no carisma laid-back que caracteriza o raposo, alternando cinismo e empatia com naturalidade.
O elenco de apoio inclui participações de peso — ainda mantidas em sigilo pela Disney em algumas praças — mas é perceptível a diversificação de sotaques e timbres para representar a pluralidade da cidade. A mixagem de som valoriza nuances de respiração e pequenos ruídos, criando um ambiente auditivo que sustenta a imersão do público.
Vale destacar como os dubladores interagem em estúdio, segundo bastidores, priorizando gravações conjuntas quando a agenda permite. Esse método, pouco comum em animação, ajuda a capturar reações espontâneas e a química evidente nas trocas rápidas de diálogo.
Zootopia 2 vale a pena assistir?
Para quem curtiu a mistura de investigação, comédia e comentário social do primeiro filme, a sequência oferece material novo sem abrir mão dos atrativos originais. A combinação de roteiro afiado, direção dinâmica e performances vocais inspiradas sustenta o interesse mesmo com a alta expectativa em torno da bilheteria. No contexto das animações recentes, Zootopia 2 confirma o fôlego da franquia e justifica seu lugar entre os gigantes da arrecadação, fazendo jus ao destaque conquistado aqui no Salada de Cinema.



