Quando a primeira temporada de All of Us Are Dead (All of Us Are Dead) desembarcou na Netflix em janeiro de 2022, poucos previam o frenesi que o K-drama zumbi provocaria. Agora, o mesmo público que vibrou com a série de 12 episódios vive a angústia de um hiato que já beira meia década.
A segunda leva de capítulos foi confirmada em junho de 2022, mas entrou num limbo que parece não ter fim. O drama segue fora do calendário oficial de lançamentos da plataforma para 2026, projetando a estreia apenas para 2027 e testando a paciência dos assinantes.
A temporada de estreia colocou o gênero zumbi de cabeça para baixo
Antes de All of Us Are Dead, títulos sul-coreanos com mortos-vivos se multiplicavam sem grande impacto. A série, criada por Chun Sung-il, JQ Lee e Kim Nam-su a partir do webtoon de Joo Dong-geun, mudou o jogo logo no primeiro episódio. Em vez de adultos endurecidos, o enredo mira um grupo de adolescentes encurralados no colégio quando um vírus misterioso transforma colegas em monstros famintos.
A combinação de coming-of-age e horror apocalíptico rendeu sequências de ação palpáveis e reviravoltas que não pouparam personagens queridos. O contraste entre a vulnerabilidade juvenil e a violência gráfica ofereceu uma abordagem tão fresca que garantiu à produção o selo de “clássico instantâneo” dentro do catálogo da Netflix.
Atuação do elenco jovem sustenta a tensão do início ao fim
Poucas produções recentes tiram tanto proveito de um elenco juvenil. Park Ji-hu (Nam On-jo) equilibra fragilidade e liderança, enquanto Yoon Chan-young (Lee Cheong-san) entrega fisicalidade nas cenas de fuga e luta. A química entre os dois sustenta os momentos de respiro emocional sem comprometer o ritmo frenético.
O restante do grupo — encabeçado por Cho Yi-hyun, Lomon e Lee Eun-saem — transforma arquétipos estudantis em figuras complexas, mantendo o espectador investido no destino de cada um. Mesmo coadjuvantes que aparecem por pouco tempo deixam marca, algo raro em tramas de sobrevivência.
A entrega visceral dos atores potencializa o horror: o pânico não parece coreografado, mas sim fruto de reações instintivas. Esse realismo é apontado por muitos fãs como o principal motivo para a obra seguir em alta três anos após a estreia.
Direção e roteiro elevam o padrão do terror televisivo
Chun Sung-il e a equipe de roteiristas evitam clichês ao dosar tensão e desenvolvimento de personagem. A decisão de inserir notas de crítica social — bullying, pressão acadêmica, desigualdade — torna o texto mais denso sem travar o andamento da história.
Visualmente, a série se destaca pelo uso inteligente de cenários confinados, como salas de aula e corredores estreitos, que aumentam a claustrofobia. As coreografias de combate exploram cada centímetro desses espaços, criando set pieces memoráveis. Foi esse cuidado artesanal que fez muita gente comparar a atração a produções de alto orçamento do cinema.
Imagem: Divulgação
Para quem gosta de sci-fi distópico, a ousadia de All of Us Are Dead lembra o salto temporal ousado prometido por Seveneves, ainda que ambos os projetos sigam caminhos temáticos distintos.
Por que a segunda temporada só deve desembarcar em 2027?
Apesar da renovação relâmpago, o caminho até o set foi atropelado por fatores externos. Membros do elenco foram convocados para o serviço militar obrigatório, exigência que costuma paralisar carreiras de atores coreanos por quase dois anos. Essas ausências empurraram o início das filmagens principais para julho de 2025.
Com a câmera finalmente rolando, ventos de otimismo sopraram sobre os corredores infestados de zumbis. A expectativa inicial era lançar os novos episódios em 2026. No entanto, quando a Netflix revelou sua lista de K-dramas para o mesmo ano — recheada de novidades e retornos aguardados como Bloodhounds 2 —, o título não apareceu. A inexistência de janelas disponíveis torna 2027 a previsão mais realista no momento.
Pelo enredo da primeira temporada, o intervalo longa promete valer a espera. O roteiro deixou em aberto a existência de híbridos meio humanos, meio zumbis, capazes de reacender o surto. Agora, os sobreviventes — já em idade universitária — enfrentam cenário urbano mais amplo, com Seoul servindo de campo minado para decisões impensáveis.
Vale a pena maratonar All of Us Are Dead antes da continuação?
Para quem ainda não conferiu a produção ou deseja refrescar a memória, a resposta tende ao sim. Os 12 capítulos somam pouco mais de dez horas de pura adrenalina e mantêm frescor narrativo mesmo após repetidas exibições. Além disso, o hiato prolongado oferece tempo suficiente para revisitar detalhes, teorias e camadas de interpretação que passam batido na primeira rodada.
Enquanto a segunda temporada não ganha data definitiva, o Salada de Cinema seguirá de olho em cada atualização sobre um dos títulos mais aguardados do streaming. Até lá, resta preparar o coração — e o estoque de lanches — para mais uma maratona sanguinolenta.



