O filme Backrooms, lançado pela A24 sob direção do cineasta de 20 anos Kane Parsons, já ultrapassou 10 milhões de dólares em pré-visualizações e está caminhando para ser um sucesso de bilheteria — mas antes de chegar ao cinema, a história começou como uma série amadora no YouTube, criada quando Parsons tinha apenas 16 anos. A série web de 22 episódios acumula mais de 25 milhões de visualizações e consolidou as bases da mitologia que agora assusta audiências nas telas de cinema em todo o Brasil.
O que é a série original de Backrooms no YouTube?
Backrooms nasceu como uma série de found footage (falso documentário) inspirada em memes de 4chan sobre espaços liminares — aqueles ambientes inquietantes, vazios e sem propósito claro, como corredores infinitos e escritórios abandonados. Os episódios, com durações que variam de um minuto e meio a 45 minutos, acompanham um grupo de pesquisadores ficcionais tentando explorar e estudar essas áreas desconhecidas em imagens granuladas. A série web construiu uma narrativa de horror imersiva que resonou profundamente com a comunidade de internet, estabelecendo a mitologia que o filme agora expande para o cinema.
O elenco do filme inclui Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, Mark Duplass, Finn Bennett e Avan Jogia, com a história girando em torno de um terapeuta forçado a entrar nos backrooms para resgatá-lo. O roteiro foi desenvolvido por Parsons em colaboração com Will Soodik, conhecido por trabalhos em séries como Westworld, Ash vs Evil Dead e Homeland.
Onde assistir a série YouTube original de Backrooms?
A série completa está disponível gratuitamente no YouTube, no canal de Kane Parsons chamado Kane Pixels. O criador acumula mais de três milhões de inscritos no canal, e toda a lore dos Backrooms pode ser acessada a qualquer momento. Não há paywall, não há inscrição paga — é totalmente gratuito para quem quer mergulhar na mitologia original antes de assistir ao filme ou para aprofundar a experiência depois de sair do cinema.
Por que a série YouTube é importante antes de assistir o filme?
Embora o filme de Kane Parsons seja uma adaptação que traz novos elementos narrativos, a série original estabelece o tom, o vocabulário visual e os conceitos fundamentais dos backrooms que o filme pressupõe. Os espectadores familiarizados com os episódios do YouTube terão uma compreensão muito mais profunda das regras internas daquele universo, da física estranha desses espaços liminares e das implicações de estar preso neles. É um caso raro em que o material web não apenas complementa a versão cinematográfica — ele a torna significativamente mais coerente e assustadora.
A trajetória de Kane Parsons: do YouTube para a A24
A história de Kane Parsons é a de um jovem criador que começou a fazer conteúdo de horror aos 16 anos em seu quarto e, aos 20, já dirige um longa-metragem de estúdio para uma das distribuidoras de cinema independente mais respeitadas do mundo. Esse tipo de transição — de criador caseiro para diretor profissional — tem se tornado mais comum na indústria, mas Parsons conseguiu algo raro: manter a integridade visual e narrativa do seu trabalho original enquanto escala a produção para o cinema. Sua colaboração com Soodik, um roteirista experiente em televisão, resultou em um script que honra a série enquanto oferece uma história cinematicamente satisfatória para quem nunca viu um episódio.
O sucesso antecipado do filme — já gerando dezenas de milhões antes mesmo do lançamento nacional — valida a aposta da A24 em novos talentos e em propriedades intelectuais que nascem em comunidades online. Backrooms é prova de que o horror feito com restrições de orçamento, criatividade visual e compreensão profunda de atmosfera pode competir com produções blockbuster quando a distribuição certa a coloca em evidência.
Vale a pena assistir toda a série antes do filme?
Depende do seu tempo e paciência. Se você quer uma experiência superficial e só quer se assustar por duas horas no cinema, pode pular direto para o filme. Mas se você quer entender plenamente o universo dos backrooms, reconhecer referências que o filme fará, e apreciar como Parsons evoluiu como criador entre a série e o longa, a recomendação é absoluta: comece pelo YouTube. Os 22 episódios oferecem uma jornada que, cumulativamente, cria uma sensação de desconforto existencial que o filme capitaliza. É raro um filme de estúdio tão conectado e respeitoso com seu material de origem na internet.
Fonte: variety.com









