Backrooms: Um Não-Lugar faturou US$ 118 milhões no mundo em seu fim de semana de estreia e a A24 já negocia transformar o fenômeno em franquia — mas o formato escolhido por Kane Parsons não é uma sequência convencional, e esse detalhe diz muito sobre o que faz o conceito funcionar.
Qual é o plano da A24 para continuar Backrooms: Um Não-Lugar?
A expansão não é sequência direta: é antologia. Segundo informações divulgadas pela Deadline, Parsons já tem contrato assinado com a A24

para novos filmes dentro do universo e está em busca de um roteirista parceiro para escalar o conceito. Ainda não há elenco confirmado, data de início de filmagens ou confirmação de retorno de Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve. Por ora, é intenção — não sinal verde oficial.
A escolha da antologia não é arbitrária. O apelo de Backrooms reside exatamente na sua natureza irresolvível: corredores sem destino, cômodos que não levam a lugar nenhum, uma geometria de angústia que perderia o sentido se fosse forçada a seguir um único arco narrativo até o fim. Uma sequência tradicional quebraria o contrato implícito com o público. Uma antologia permite que o universo se expanda indefinidamente, assim como a série de curtas no YouTube — que acumulou mais de 190 milhões de visualizações — cresceu em capítulos independentes sem precisar de resolução.
Por que o desempenho de Um Não-Lugar é um marco tão relevante para o terror?

Com US$ 81 milhões só nos Estados Unidos no fim de semana de abertura, Um Não-Lugar se tornou a maior estreia da história da A24 — desbancando o recorde anterior de Guerra Civil, de Alex Garland, que havia registrado cerca de US$ 25,5 milhões em 2024. É mais que o triplo. No contexto do terror original, os números são ainda mais expressivos: segundo os dados divulgados, trata-se da maior estreia de terror original da história do cinema.
O orçamento de US$ 10 milhões torna o resultado ainda mais impactante. O filme já era lucrativo antes mesmo do segundo fim de semana, quando caminhava para acumular mais US$ 36 milhões adicionais. Para um estúdio que construiu sua reputação em apostas de nicho — raramente ultrapassando a marca dos US$ 30 milhões de abertura —, enfrentar esse volume de sucesso comercial é um território tão desconhecido quanto os próprios corredores do filme.
Quem é Kane Parsons e por que sua trajetória importa para entender o filme?
Com apenas 20 anos, Kane Parsons se tornou o diretor mais jovem a estrear um filme na primeira posição das bilheterias, superando a marca que Josh Trank havia estabelecido com Crônicas Mutantes aos 27 anos. Parsons construiu a propriedade inteiramente no YouTube ainda adolescente — e admitiu publicamente, durante a turnê de divulgação, que havia levado o conceito o mais longe possível naquele formato. O cinema não foi uma jogada de escala, mas a única direção que restava explorar.
Esse contexto muda a leitura do sucesso. Não é um estúdio que comprou uma propriedade popular e contratou um nome: é um criador que migrou seu universo para as salas com total controle criativo, algo que a A24 viabilizou. O público respondeu: 88% dos espectadores tinham menos de 35 anos, segundo dados divulgados pela própria produtora — uma demografia que a A24 raramente alcança com tanta intensidade.
Quem está no elenco de Backrooms: Um Não-Lugar?
- Chiwetel Ejiofor — terapeuta que parte em busca de um paciente desaparecido em uma dimensão paralela; protagonista central da trama
- Renate Reinsve — integra o núcleo principal ao lado de Ejiofor
- Mark Duplass — participa da produção também como financiador de outro terror lançado simultaneamente, Obsessão
- Finn Bennett — elenco de apoio
- Lukita Maxwell — elenco de apoio
- Avan Jogia — elenco de apoio
A A24 consegue manter sua identidade autoral dentro de uma franquia?
Essa é a tensão real que o sucesso de Backrooms coloca sobre a mesa. O estúdio construiu seu valor de marca deixando diretores perseguirem visões únicas e irrepetíveis — o oposto da lógica de franquia, que exige sistematização, consistência e escala. Um Não-Lugar pede justamente o contrário do que a A24 sempre priorizou.
O modelo antológico pode ser a solução de compromisso: permite múltiplas entradas no universo sem prender o estúdio a uma continuidade rígida, e abre espaço para que Parsons mantenha controle criativo sem precisar repetir a mesma história. O paralelo com a tendência crescente de propriedades nascidas de criadores independentes que chegam às salas — caso de Obsessão, com US$ 105,7 milhões, e do aguardado The Amazing Digital Circus — sugere que esse pode ser um novo modelo para o setor, não apenas uma exceção.
O que a A24 fará com essa pressão ainda não tem resposta definitiva. O contrato existe, a intenção está declarada, mas os detalhes que definem se isso será uma franquia de verdade — roteirista escolhido, direção criativa, data — ainda estão em aberto. O Brasil recebeu o filme em 28 de maio de 2026, e quem quiser entender a linha do tempo do universo já tem material para se perder nos corredores antes de qualquer continuação chegar.
Fonte: pt-br.martincid.com








