GOAT, nova animação esportiva que acaba de chegar aos cinemas, parte de um conceito simples: um cabritinho sonha em disputar roarball, esporte fictício que mistura elementos de basquete, futebol americano e pura adrenalina. Só que, logo nos primeiros minutos, o longa deixa claro que pretende ir além da corrida por troféus.
Nas vozes de Gabrielle Union e Caleb McLaughlin, a produção conduz o público a uma discussão sobre ídolos, expectativas de gênero e o poder que a cultura esportiva tem de moldar a infância. O resultado é uma aventura familiar de 93 minutos que combina humor, ação e uma mensagem social direta.
História e mensagem de GOAT
O enredo gira em torno de Will, jovem bode interpretado por McLaughlin, que recebe a chance única de treinar com profissionais de várias espécies. Dentro desse universo, Jett, lenda das quadras dublada por Union, é reverenciada como “a GOAT” – sigla em inglês para “maior de todos os tempos”.
A cena em que Will declara admiração por Jett sintetiza a proposta do longa: naturalizar o ato de meninos idolatrarem mulheres atletas. Segundo Union, a sequência reflete o que ela presencia com a própria filha de sete anos, fã de Angel Reese e frequentadora de jogos da WNBA. Trazer essa vivência para a tela amplia a representatividade e questiona estereótipos ainda predominantes em filmes de esporte.
Atuação vocal de Gabrielle Union e Caleb McLaughlin
Union entrega uma performance energética, equilibrando autoridade e carisma. Sua Jett preenche o estúdio de gravação com firmeza, mas também com leveza, tornando crível a idolatria que desperta em Will e nos demais personagens. O tom inspirador da atleta ecoa a própria trajetória da atriz em papéis voltados à afirmação feminina.
Já McLaughlin, conhecido por Stranger Things, adota entonação curiosa e vibrante. O ator capta bem a emoção de um novato que se vê cercado por lendas, mas que não perde o encantamento infantil. A química vocal entre os protagonistas sustenta boa parte da comédia e das passagens emocionantes, mantendo o ritmo até o desfecho.
Direção de Tyree Dillihay e roteiro colaborativo
À frente da produção, Tyree Dillihay opta por um universo onde características físicas de machos e fêmeas se equiparam, estratégia que sublinha a igualdade buscada pelo filme. Em entrevistas, o cineasta explicou que trabalhou no projeto por sete anos e meio, tempo usado para alinhar a história às transformações recentes do esporte feminino.
O roteiro assinado por Aaron Buchsbaum, Teddy Riley e Nicolas Curcio prioriza diálogos diretos, adequados ao público infantil, mas carrega nuances que falam também aos adultos. A comédia se mistura a estatísticas implícitas: a USC Annenberg Inclusion Initiative aponta que apenas um terço dos papéis falados em Hollywood pertence a mulheres. GOAT rebate esse dado ao colocar Jett no centro da narrativa sem transformá-la em exceção.
Imagem: Divulgação
Impacto cultural e lugar no cinema esportivo
A animação chega em momento favorável à valorização do esporte feminino, impulsionada por novos ídolos da WNBA, como A’ja Wilson e a própria Angel Reese, citadas pelo diretor. Filmes sobre basquete costumam focar treinadores ou equipes masculinas, casos de Coach Carter e Hustle. Desta vez, o protagonismo de uma jogadora ganha escala mainstream.
No circuito comercial, GOAT estreou com aprovação sólida no Rotten Tomatoes e exibição em grande número de salas, repetindo o fôlego de lançamentos recentes que conquistaram o público infantil. A expectativa é que a bilheteria acompanhe a curva ascendente vista em dramas como Wuthering Heights, que arrecadou US$ 3 milhões nas prévias.
Vale a pena assistir GOAT?
Para quem procura uma animação leve, mas com recado evidente sobre inclusão, GOAT cumpre o prometido. O filme usa o esporte como metáfora de convivência, sem abrir mão de lances eletrizantes de roarball nem de piadas visuais que agradam diferentes faixas etárias.
O elenco vocal liderado por Gabrielle Union e Caleb McLaughlin é ponto alto, sustentando carisma e conferindo personalidade aos animais. A direção de Tyree Dillihay mantém ritmo ágil, facilitando a imersão mesmo para quem não se interessa por competições.
Nesse contexto, o longa se torna escolha segura para famílias e espectadores que buscam histórias inspiradoras. GOAT reforça que ídolos podem surgir em qualquer formato, espécie ou gênero e, assim, amplia o debate dentro e fora das quadras fictícias que exibe.



