O quinto filme da franquia de horror The Strangers, lançado em 6 de fevereiro, entrou em cartaz já sob olhar desconfiado da crítica. Com 13 % no Tomatometer, The Strangers: Chapter 3 retoma a história de invasores mascarados perseguidos por Maya, vivida por Madelaine Petsch, mas desta vez registra a pior pontuação da série.
A receptividade gelada coloca o projeto de Renny Harlin em situação delicada: além de ser o ponto mais baixo de um histórico já irregular, a produção chega em um momento em que a bilheteria da trilogia vem encolhendo filme após filme. O saldo do capítulo anterior, por exemplo, ficou em 22 milhões de dólares, menos da metade do faturamento inicial.
Elenco sob pressão: como as atuações impactaram a nota de 13 %
Madelaine Petsch retorna como protagonista, encarando novamente o trio de assassinos mascarados. A atriz, conhecida da TV, tenta imprimir vulnerabilidade e resistência à personagem Maya Lucas. Alguns críticos destacaram o esforço de Petsch para carregar o filme nas costas, mas apontaram falta de material dramático suficiente para sustentar seu arco emocional. O resultado, segundo eles, é uma performance competente que não chega a salvar a experiência.
Richard Brake, habitual em papéis de vilão, interpreta o xerife Rotter e entrega presença ameaçadora. Mesmo assim, especialistas avaliam que o roteiro lhe oferece pouco espaço: suas motivações ficam rasas e as cenas que poderiam adicionar tensão acabam curtas. O desequilíbrio afeta o ritmo geral e, por tabela, o desempenho do restante do elenco, que mal sai do piloto automático.
Olhar sobre a direção de Renny Harlin e as escolhas narrativas
Renny Harlin, responsável por sucessos de ação nos anos 1990, enfrenta o desafio de comandar uma narrativa de horror minimalista. A fotografia escura e a ênfase em planos fechados buscam criar claustrofobia, mas muitos analistas afirmam que a estratégia se repete à exaustão. O resultado, dizem, é previsibilidade, deixando de lado o suspense que marcou o filme de 2008.
Outro ponto levantado é a economia de set pieces realmente impactantes. Enquanto o primeiro longa se apoiava no medo doméstico e na imprevisibilidade, Chapter 3 investe em jump scares tradicionais que, de acordo com as críticas, falham em surpreender. Em entrevistas, Harlin declarou que pretendia “voltar ao básico”, mas a execução não convenceu os avaliadores.
Roteiro de Alan R. Cohen e Alan Freedland sob a lupa
Alan R. Cohen e Alan Freedland assumem o texto com a missão de fechar a trilogia. Porém, a construção de conflito foi considerada pouco inventiva. Entre as queixas mais frequentes está a ausência de profundidade nos diálogos, descritos como expositivos. Além disso, a motivação dos invasores permanece opaca, um recurso que funcionava no original, mas que aqui soa repetitivo.
Os roteiristas tentam inserir subtramas para expandir o universo, mas não avançam na mitologia que poderia diferenciar o longa. Como resultado, a maioria dos pools de crítica registrou notas mínimas: 1 de 5, 0,5 de 5 ou até 1 de 10. Essa tendência reforça a percepção de que o texto não sustenta 91 minutos de duração.
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Vale mencionar que discussões sobre qualidade de roteiro vêm dominando o setor. Recentemente, produções como Wicked: For Good também reacenderam debates semelhantes, mostrando o quanto público e crítica estão atentos ao elemento narrativo.
13 % no Tomatometer: panorama crítico e comparação com outros filmes da série
A pontuação de 13 % no Rotten Tomatoes coloca The Strangers: Chapter 3 abaixo dos 14 % do Capítulo 2 e bem distante dos 50 % conquistados pela obra original em 2008. No Popcornmeter, a avaliação do público ainda não foi consolidada, mas historicamente a franquia nunca ultrapassou 54 % entre os espectadores.
Dentre as resenhas analisadas, o consenso é de que o longa não oferece a adrenalina prometida. Alguns jornalistas mencionam que a sensação de déjà vu é tamanha que a ameaça dos mascarados perde impacto. A plataforma, que recentemente precisou rebater suspeitas de bots, mostra coerência nas avaliações negativas, sem grande disparidade de notas.
No cenário financeiro, projeções internas estimam que o filme arrecade perto de 15 milhões de dólares se repetir a tendência de queda. A produtora Lionsgate costuma equilibrar o risco com pré-vendas internacionais, mas analistas preveem que resultados tão modestos podem adiar decisões sobre novos capítulos.
Vale a pena assistir The Strangers: Chapter 3?
Dados de bilheteria em queda, a pior avaliação crítica da saga e questionamentos sobre direção e roteiro formam o quadro atual. The Strangers: Chapter 3 entrega performances esforçadas, mas esbarra em escolhas narrativas previsíveis e falta de inovação visual. Quem acompanha a franquia pode se interessar por completude, enquanto espectadores em busca de sustos originais talvez não encontrem novidade no terceiro capítulo.
No fim, a expectativa recai sobre a resposta do público, que historicamente tem sido um pouco mais generosa que a imprensa. Se a recepção das alas populares repetir a dos críticos, o futuro da série pode ficar em suspenso — assunto que o Salada de Cinema certamente continuará monitorando.









