Depois de uma temporada nos cinemas que rendeu US$ 525 milhões ao redor do mundo, Wicked: For Good finalmente bateu o martelo para sua estreia no streaming. O filme, sequência direta do hit de 2024, chega ao Peacock em 20 de março, marcando o fim da janela de exclusividade em VOD.
A nova etapa de exibição vem acompanhada de conteúdo extra — versão sing-along, comentários de Jon M. Chu, cenas excluídas e bastidores que devem alegrar fãs do musical. Apesar do desempenho comercial robusto, a produção ficou de fora de todas as categorias do Oscar 2026, fato que ainda intriga quem acompanha a temporada de premiações.
Retorno de Elphaba e Glinda: atuações sustentam o espetáculo
O coração de Wicked: For Good continua sendo a dupla Cynthia Erivo e Ariana Grande. Erivo mergulha novamente na vulnerabilidade de Elphaba, alternando momentos de fúria contida e fragilidade emocional sem perder o timbre potente exigido pelas canções mais desafiadoras. Grande, por sua vez, amplia a comicidade natural de Glinda, mas se permite explorar camadas dramáticas que não ficaram tão evidentes no primeiro filme.
Os números musicais, gravados ao vivo no set sempre que possível, revelam a química consolidada entre as atrizes. Ainda que a Academia tenha ignorado ambas, a construção de personagem permanece um dos pontos altos da adaptação. No Salada de Cinema, a percepção é de que Erivo encontrou o equilíbrio entre heroísmo e ostracismo, enquanto Grande apresenta maturidade vocal digna do palco da Broadway.
Coadjuvantes de peso e a engrenagem do elenco
Jonathan Bailey, Jeff Goldblum e Michelle Yeoh retornam com destaque. Bailey confere um Fiyero mais decidido, servindo de ponte narrativa entre as protagonistas. Goldblum abraça o lado excêntrico do Mágico, elevando a canastrice a um patamar quase hipnótico, e Yeoh reforça sua Madame Morrible com uma rigidez calculada que contrasta com a espontaneidade de Grande.
Ethan Slater, Marissa Bode, Bowen Yang e Bronwyn James completam o time, ainda que com menos tempo em tela. A direção de Chu valoriza a dinâmica coletiva em coro, evitando que os coadjuvantes soem apenas decorativos. Em comparação a outros musicais recentes — como o suspense aquático que a filha de George A. Romero está desenvolvendo —, Wicked: For Good exibe coesão rara em elencos tão numerosos.
Direção de Jon M. Chu: ritmo, cor e escolhas de câmera
Jon M. Chu traz novamente a assinatura visual vista em Em um Bairro de Nova York. Planos-sequência acompanham coreografias sem exagerar no corte rápido, favorecendo a imersão do espectador. O cineasta, porém, deixa transparecer um certo receio de arriscar: a fotografia de Alice Brooks é vibrante, mas menos ousada que no longa anterior.
O maior mérito de Chu é amarrar quase 140 minutos de história sem perda de ritmo. Ainda que parte da crítica considere o segundo ato do musical mais frágil, o diretor injeta energia em cenas de transição e mantém o espectador engajado. Falhas técnicas dificilmente justificam o esnobe do Oscar em categorias como Figurino ou Design de Produção, áreas nas quais o filme se mostra robusto.
Imagem: Divulgação
Roteiro de Winnie Holzman, Dana Fox e Gregory Maguire: adaptação fiel, mas desigual
Dividido em dois filmes, o libreto Broadwayiano sofre, inevitavelmente, com o desequilíbrio entre ato um (2024) e ato dois (2025). Holzman e Fox preservam os diálogos espirituosos, mas a dramaticidade política que move Elphaba perde força na reta final. Consequentemente, cenas que exigiriam tensão — como a queda definitiva na vilania — soam apressadas.
Ainda assim, a decisão de explorar a amizade corroída de Elphaba e Glinda até as últimas consequências oferece momentos de pura catarse musical. Além disso, ao dialogar com o legado de O Mágico de Oz, o roteiro instiga comparações com a obra original — reavivando discussões trazidas quando o clássico voltou à TV aberta recentemente.
Vale a pena assistir a Wicked: For Good no streaming?
Se a jornada de Elphaba e Glinda mexe com a nostalgia de quem conhece a peça, a produção demonstra valor próprio ao transpor o espetáculo para o audiovisual. O acesso via Peacock, com direito a versões interativas e comentários, amplia a experiência para além da simples locação digital.
Para o público que vibrou com o primeiro longa, a sequência oferece resolução emocional competente, ainda que menos impactante. As atuações centrais continuam irresistíveis, sustentando números musicais cheios de energia. Somados à direção segura de Jon M. Chu, esses elementos garantem entretenimento de qualidade.
Portanto, mesmo sem a chancela da Academia, Wicked: For Good se consolida como fechamento digno dessa releitura do universo de Oz e se torna parada obrigatória no catálogo de musicais disponíveis em streaming.



