A estreia global de Peaky Blinders: The Immortal Man, em 20 de março, acrescentou uma peça nova e intrigante ao já robusto tabuleiro do clã Shelby. No centro da novidade está Rebecca Ferguson, que interpreta a misteriosa Kaulo Chiriklo e, ao mesmo tempo, revive em flashbacks Zelda Chiriklo, antiga paixão de Tommy Shelby.
Pouco depois da chegada do longa à Netflix, a atriz comentou, em entrevista à Radio Times, que “nunca diz nunca” a um possível reencontro com a franquia. A declaração, apesar de comedida, bastou para atiçar fãs e reforçar especulações sobre o futuro da saga criminosa ambientada em Birmingham.
Rebecca Ferguson e o duplo desafio em The Immortal Man
Assumir dois papéis distintos em uma mesma produção costuma exigir timing e sutileza. Ferguson navega entre passado e presente ao alternar Zelda, vista em lembranças, e Kaulo, figura que domina o enredo atual. A atriz constrói nuances claras: enquanto Zelda carrega melancolia, Kaulo surge prática, quase implacável, ao influenciar cada movimento de Duke Selby (Barry Keoghan).
Esse jogo de contrastes mantém a narrativa ágil. Ferguson dosa gestos, altera o tom de voz e, principalmente, revela intenções apenas pelo olhar. O roteiro aproveita bem a performance e entrega à atriz falas pontuais, porém decisivas — afinal, Kaulo é descrita como “a única pessoa capaz de dizer ‘pare’ e ser ouvida”. O resultado sustenta o suspense que permeia a produção e amplia a importância da personagem para os rumos do clã Shelby.
Impacto de Kaulo Chiriklo na trama da família Shelby
Kaulo foi apresentada como a irmã de Zelda, o que automaticamente conecta suas ações à história pregressa de Tommy Shelby (Cillian Murphy). No novo filme, a vidente pressiona Duke a reivindicar o lugar do pai e a consolidar poder dentro da família. Embora o plano não se concretize nos moldes desejados, o desfecho deixa Kaulo ao lado de Duke, agora chefe do clã, confirmando sua ascensão em meio às cinzas da guerra.
A introdução dessa personagem faz o universo de Peaky Blinders respirar novos ares sem abandonar raízes. A saga, que já expandiu horizontes ao longo de seis temporadas, encontra em Kaulo um elo capaz de costurar passado e presente — efeito semelhante ao que produções que mesclam gerações vêm explorando para se manterem atuais.
Portas abertas: o que a fala de Ferguson significa para Peaky Blinders
Ainda não existe confirmação de sequência, série derivada ou qualquer spin-off. Mesmo assim, a frase “eu nunca digo nunca” deixa brecha clara. Considerando o peso narrativo conquistado por Kaulo em apenas 112 minutos de projeção, é difícil imaginar que a franquia ignore esse potencial.
Imagem: Divulgação
O posicionamento de Ferguson, portanto, funciona como termômetro. Caso os executivos optem por continuar a história, a presença da atriz já se mostra viável — e desejada. Vale lembrar que, ao longo dos anos, o criador Steven Knight sempre manteve portas entreabertas para ampliar o universo da gangue de bonés. A volta da atriz adicionaria valor de produção e reforçaria a identidade feminina que The Immortal Man destaca.
A direção e o roteiro em sintonia com o elenco
A narrativa de The Immortal Man se sustenta em ritmo preciso, equilibrando contexto histórico da década de 1940 com dramas internos. Embora nomes de direção e roteiro não tenham sido divulgados no material oficial, a condução demonstra familiaridade com a linguagem estética da série original: iluminação sombria, trilha percussiva e enquadramentos que valorizam o rosto dos intérpretes, sobretudo nas cenas de tensão entre Kaulo e Duke.
O texto, por sua vez, aposta em diálogos enxutos. Em vez de longas explicações, cada fala serve para avançar a trama. Quando Ferguson afirma que um personagem não precisa, necessariamente, continuar a qualquer custo, ela ecoa a filosofia do roteiro: deixar o público “satisfeito com a insatisfação”. A estratégia lembra a ousadia de filmes como Undertone, da A24, que, segundo dados de bilheteria, rendeu 30 vezes o investimento justamente por confiar na inteligência do espectador.
Vale a pena assistir Peaky Blinders: The Immortal Man?
Para quem acompanha a trajetória de Tommy Shelby desde a série da BBC, o filme oferece um olhar renovado. O destaque recai sobre Rebecca Ferguson, que exerce domínio absoluto em cena e amplia as camadas dramáticas da família Shelby. A produção se sustenta de forma independente, mas mantém pontes suficientes para futuras continuações, caso a Netflix decida avançar.
Nesse sentido, The Immortal Man cumpre a promessa de expandir o universo sem repisar territórios já explorados. Ao fim, a sensação é de que o jogo permanece aberto — e a fala de Ferguson só reforça que, no mundo de Peaky Blinders, nunca se deve descartar um retorno.
