O suspense Como Fazer um Assassinato (How to Make a Killing) estreou com a promessa de repetir o sucesso recente de Glen Powell, mas já enfrenta uma queda vertiginosa de público. Na segunda semana em cartaz, a produção da A24 desabou 55% na receita, mesmo após conquistar mais 101 salas.
O desempenho fraco coloca em xeque a estratégia do estúdio, que costuma apostar em lançamentos mais contidos. A soma prevista para o fim de semana é de apenas US$ 1,56 milhão, levando o total doméstico a US$ 6,2 milhões – valor muito distante dos US$ 15 milhões gastos na produção.
Queda brusca expõe fragilidade da distribuição ampla
Logo na estreia, em 20 de fevereiro, Como Fazer um Assassinato abriu na sexta colocação com média de US$ 2.146 por tela, um número atipicamente baixo dentro da filmografia da A24. Agora, com 1.726 salas em operação, a média despencou para US$ 904, sinalizando salas vazias por todo o país.
O aumento de complexidade logística não trouxe retorno. Em comparação, a franquia Scream 7 alcançou resultados inversos ao ampliar sessões, reforçando como cada caso exige análise cuidadosa de público-alvo.
Atuação de Glen Powell não evita recepção morna da crítica
No longa, Powell vive um herdeiro ressentido que elimina parentes ricos para garantir a fortuna da família – enredo inspirado no clássico britânico “Kind Hearts and Coronets” (1949), estrelado por Alec Guinness. Apesar do carisma do ator, o filme registra 46% de aprovação no Rotten Tomatoes, tornando-se o quarto pior índice da carreira dele.
Parte dos comentários aponta irregularidade no tom entre humor sombrio e tensão, algo que impacta a imersão. Ainda assim, Powell entrega doses de charme cínico, sustentando as transições de personalidade do protagonista. É uma performance que chama atenção, mas não conseguiu converter o público em ingressos.
Direção e roteiro de John Patton Ford dividem opiniões
Dirigido e roteirizado por John Patton Ford, o filme tenta atualizar a sátira aristocrática do original para conflitos familiares contemporâneos. A fotografia aposta em planos elegantes e paleta fria, reforçando o distanciamento afetivo entre os Redfellow.
No entanto, parte da crítica aponta ritmo irregular: a trama investe em diálogos pausados que, somados aos respiros cômicos, diluem a tensão. A aposta em humor ácido é interessante, mas nem sempre encontra equilíbrio com a violência – dilema que, segundo as análises publicadas, afasta cinéfilos que esperavam um thriller mais objetivo.
Imagem: C Flanigan
Projeções financeiras e impacto no portfólio da A24
Sem lançamento robusto fora dos Estados Unidos até o momento, Como Fazer um Assassinato depende quase exclusivamente da bilheteria doméstica. Para atingir o ponto de equilíbrio estimado em US$ 37,5 milhões, o longa precisaria multiplicar por seis o atual faturamento, algo improvável diante da curva de queda.
A sequência de resultados abaixo do esperado lembra outros desafios recentes do circuito, como o desempenho lento de Avatar: Fogo e Cinzas nos EUA. A diferença é que, no caso da A24, orçamentos menores costumam garantir margem de segurança – cenário que não se repete desta vez.
Vale a pena assistir?
Para quem aprecia humor negro envolto em crimes familiares, Como Fazer um Assassinato oferece atuações afiadas de Glen Powell, Jessica Henwick e Margaret Qualley, além de comentários sociais discretos. Contudo, o ritmo vacilante e a recepção crítica morna podem frustrar quem espera a mesma consistência vista em sucessos anteriores da A24.
Mesmo com a queda contundente de bilheteria, o interesse pelo elenco e o legado da obra de 1949 podem despertar curiosidade. No fim, cabe ao público decidir se a visita ao cinema compensa ou se aguarda a chegada do título ao streaming – decisão que, a esta altura, pode ocorrer mais cedo do que o estúdio planejava.
O Salada de Cinema segue acompanhando os números de Como Fazer um Assassinato e trará novidades caso a trajetória nas telonas ganhe fôlego inesperado.









