Nem sempre um estúdio querido pelo público cinéfilo consegue manter seu histórico impecável de lançamentos rentáveis. A A24, conhecida por converter produções de médio porte em fenômenos de receita por sala, encontra um raro sinal de alerta com “Como Fazer uma Fortuna” (How to Make a Killing).
O longa, que chega aos cinemas norte-americanos em 20 de fevereiro de 2026, carrega nos ombros o nome de Glen Powell e a ambição de reler o clássico britânico “Kind Hearts and Coronets”, de 1949, em chave contemporânea. Porém, as primeiras projeções apontam para um início tímido, colocando em xeque tanto o ímpeto do astro quanto a reputação do estúdio.
Um início que foge ao padrão de sucesso da A24
De acordo com dados preliminares divulgados no sábado pela Deadline, “Como Fazer uma Fortuna” deve somar apenas US$ 3,3 milhões em seu primeiro fim de semana. O lançamento ocupa 1.625 salas, volume respeitável, mas insuficiente para superar concorrentes que emplacaram mais de 2.000 telas.
Com esse resultado, o filme deve aparecer na sexta posição do ranking doméstico, atrás de “Send Help”, “Crime 101”, “I Can Only Imagine 2”, “Wuthering Heights” e “GOAT”. O que realmente assusta é o índice por sala: cerca de US$ 2.031, muito abaixo da média histórica da A24, que possui 22 dos 200 melhores desempenhos de estreia por tela de todos os tempos.
Glen Powell vive segunda decepção consecutiva
Conhecido por hits recentes como “Top Gun: Maverick”, a comédia romântica “Anyone But You” e o cataclísmico “Twisters”, Glen Powell parecia ter alcançado a zona de conforto dos intérpretes requisitados. Contudo, a recepção morna de “Como Fazer uma Fortuna” sucede o resultado abaixo do esperado de “The Running Man”, adaptação de Stephen King lançada em 2025, que custou US$ 110 milhões e faturou apenas US$ 68,6 milhões no planeta.
Na nova produção, Powell interpreta Becket Redfellow, sujeito disposto a eliminar parentes abastados para assumir a herança familiar. A performance, segundo avaliações iniciais, alterna tons cômicos e ameaçadores, mas não foi suficiente para quebrar a divisão crítica: a nota no Rotten Tomatoes estacionou em 48%, refletindo opiniões praticamente partidas ao meio.
Elenco e direção: pontos fortes que não compensaram a estreia
Além de Powell, o filme reúne Margaret Qualley, Jessica Henwick e Topher Grace. Cada um assume funções bem marcadas: Qualley vive Julia, potencial confidente emoldurada por humor ácido; Henwick encarna Ruth, peça chave para o tabuleiro de traições; já Grace surge como o Pastor Steven J. Redfellow, figura de moral questionável que injeta ironia religiosa à trama.
No comando está John Patton Ford, roteirista e diretor que chamou atenção com “Emily the Criminal”. Em “Como Fazer uma Fortuna”, ele revisita a sátira britânica de quase oito décadas atrás, inserindo comentários sobre ganância e privilégios atuais. Nos bastidores, Graham Broadbent e Peter Czernin assinam a produção, nomes experientes em conciliar tom irreverente com apelo comercial.
Imagem: Ilze Kitshoff
Projeções futuras e o peso na carreira de Powell
A dúvida que paira é se o astro conseguirá reverter a sequência de desempenhos pálidos. Há projetos em andamento com J.J. Abrams, Ron Howard e Judd Apatow, o que indica confiança de grandes diretores no carisma do ator. Ainda assim, “Como Fazer uma Fortuna” impõe um obstáculo adicional até que novos números de bilheteria restabeleçam a curva ascendente da filmografia de Powell.
Do lado da A24, a frustração com o lançamento não afeta a reputação construída, mas prova que nem toda aposta original é sinônimo de estreia robusta. O histórico do estúdio inclui recordes de per-screen média, como “Marty Supreme” (US$ 145.900 por sala) e “We Live in Time” (US$ 46.523). Dessa vez, porém, a estratégia de distribuição mais ampla não converteu em fila na bilheteria.
Vale a pena assistir?
Para quem acompanha a carreira de Glen Powell, “Como Fazer uma Fortuna” oferece a chance de vê-lo em registro mais sombrio, longe do herói aviador ou do romântico atrapalhado. A fotografia de tons foscos e o humor corrosivo mantêm diálogo interessante com a fonte de 1949, ainda que a execução não tenha conquistado unanimidade.
Cinéfilos que apreciam sátiras de heranças tóxicas poderão encontrar ecos de “O Retorno da Múmia”, que também revisita legados passados, tema discutido recentemente pelo Salada de Cinema. Já quem procura apenas ação desenfreada pode enxergar ritmo irregular em alguns trechos.
No fim, “Como Fazer uma Fortuna” não entrega a explosão de público habitual da A24, mas desperta curiosidade pelo elenco afiado e pela releitura de um clássico. Resta ver se, após a recepção inicial, o longa encontrará seu público ao longo das próximas semanas.









