How to Make a Killing, novo thriller carregado de humor ácido da A24, já vem chamando atenção antes mesmo de chegar às salas norte-americanas em 20 de fevereiro de 2026. As primeiras impressões, divulgadas após exibições para a imprensa, apontam para um jogo de atuações magnéticas, encabeçado por Glen Powell e Margaret Qualley.
Dirigido e roteirizado por John Patton Ford, o longa acompanha Becket Redfellow, herdeiro renegado que decide eliminar os parentes que bloqueiam seu acesso a uma fortuna multibilionária. O resultado, segundo os jornalistas que assistiram às sessões iniciais, é um passeio entre o sarcasmo violento e a crítica social.
Elenco testa os limites do humor sombrio
No centro da narrativa está Glen Powell, interpretando Becket com uma mistura de galanteria e perversidade que, de acordo com diversos críticos, torna o personagem estranhoamente cativante. A química com Margaret Qualley, que vive a amiga de infância Julia Steinway, foi descrita como “elétrica” por mais de um veículo, reforçando o tom imprevisível do roteiro.
Qualley, que já havia demonstrado versatilidade em produções como Maid, injeta uma energia levemente desvairada em Julia, equilibrando a frieza calculista de Becket. Jessica Henwick, Ed Harris, Bill Camp, Zach Woods e Topher Grace completam o time, cada um contribuindo para o mosaico disfuncional da família Redfellow. Grace, aliás, surge no papel do pastor Steven J. Redfellow, reforçando o subtexto de hipocrisia que atravessa a história.
Direção e roteiro de John Patton Ford mantêm ritmo incisivo
John Patton Ford, lembrado pelo tenso Emily the Criminal (2022), retorna à cadeira de diretor apostando em um tom mais debochado, ainda que igualmente ácido. Seu texto, escrito sem colaboradores, cria situações que alternam rapidez de diálogos com explosões de violência gráfica, sustentando os 108 minutos de duração sem folgas aparentes.
A fluidez narrativa, apontada por comentários prévios como “confiante” e “lisa”, recebeu elogios e críticas na mesma medida: enquanto parte da imprensa vibrou com a cadência enxuta, outra parcela lamentou que a elegância estética acabe passando batida por temas potencialmente mais profundos, como herança geracional e desigualdade.
Primeiras reações da crítica destacam atuações
Em linhas gerais, o boca a boca inicial é favorável. Reportagens internacionais compararam o filme ao impacto cultural de American Psycho, sobretudo pelo retrato de um anti-herói cuja moral é, no mínimo, questionável. Glen Powell foi considerado “irresistivelmente torcido”, enquanto Qualley conquistou adjetivos que variam de “hipnótica” a “levemente perturbadora”.
Há, porém, quem veja falhas na execução. Alguns jornalistas classificaram o roteiro como “simples, até descuidado”, alegando que a atração principal reside muito mais no carisma dos protagonistas do que na complexidade do enredo. Ainda assim, mesmo as avaliações neutras reconhecem a capacidade de Powell em elevar material que, em mãos menos seguras, soaria banal.
Janela de lançamento e cenário competitivo
How to Make a Killing chega aos cinemas em um período sem estreias massivas, mas encontra rivais de peso ainda em cartaz. Na mesma semana, seguem em exibição a releitura de Wuthering Heights estrelada por Margot Robbie e Jacob Elordi, o policial Crime 101 com Chris Hemsworth e Mark Ruffalo, o animado esportivo Goat e o suspense Good Luck, Have Fun, Don’t Die, comandado por Sam Rockwell. Até Liam Neeson marca presença com Cold Storage, criando um mosaico de gêneros para o público de fim de verão norte-americano.
Imagem: Divulgação
Para Glen Powell, o longa representa oportunidade crucial após o desempenho morno do remake de The Running Man, lançado em 2025. Aposta menor que os blockbusters recentes do ator, a produção da A24 pode repetir a trajetória de sucesso crítico que ele viveu em Top Gun: Maverick ou em comédias como Anyone but You e Twisters.
A presença de nomes consagrados no elenco de apoio, aliada ao reconhecimento conquistado por Ford em Emily the Criminal, alimenta expectativa de boas bilheterias e indicações a premiações especializadas em cinema independente. Vale lembrar que o projeto, anteriormente batizado de Huntington, não carrega as amarras de franquias, dando liberdade para escolhas estilísticas ousadas.
O clima de violência carregado de ironia faz eco, por exemplo, à retomada de filmes brutais como The Revenant, que recentemente voltou aos circuitos IMAX e reacendeu o debate sobre performances intensas de atores como Leonardo DiCaprio e Tom Hardy. Essa mesma fome por narrativas afiadas mantém o mercado aquecido e pode beneficiar o filme de Ford.
Entre os curiosos, já há quem discuta possíveis crossovers de atores. Rumores envolvendo Joe Keery no MCU, com a despedida do astro de Stranger Things, alimentam conversas sobre qual seria o próximo passo de Powell após vestir a máscara do anti-herói Becket — cenários especulativos típicos da cultura pop atual que segue borbulhando nas redes.
O Salada de Cinema acompanha de perto essa movimentação e observa como a indústria equilibra apostas originais, como o novo projeto de Justin Lin estrelado por Jason Momoa em Helldivers, e sequências de grandes franquias, caso de Avengers: Doomsday, que promete uma “avalanche de emoção” segundo Chris Hemsworth.
Vale a pena assistir How to Make a Killing?
Se o interesse do espectador recai sobre interpretações carregadas de nuance, humor negro e críticas sociais mordazes, o novo filme de Glen Powell desponta como escolha certeira. A direção segura de John Patton Ford, somada ao entrosamento evidente entre Powell e Margaret Qualley, compõe um espetáculo que mistura sátira, tensão e carisma. As primeiras reações não declaram unanimidade, mas convergem em um ponto: é difícil desviar o olhar de Becket Redfellow enquanto ele tenta retomar aquilo que acredita lhe pertencer.









