Nem os gritos característicos da franquia foram tão altos quanto as vozes de dezenas de manifestantes na noite de lançamento de Pânico 7 (Scream 7). Faixas, cartazes e palavras de ordem ocuparam a entrada do cinema, todos em apoio a Melissa Barrera, atriz dispensada da produção no fim de 2023.
Dentro da sala, elenco e equipe técnica tentavam manter o foco na exibição, mas a tensão vinda da rua pairava sobre o evento. No centro da polêmica, Barrera quebrou o silêncio nas redes ao publicar “I see you” seguido de um emoji de coração, mensagem interpretada como um aceno de agradecimento aos fãs.
Protestos roubam a cena na pré-estreia
O protesto começou horas antes da sessão para convidados. Pelos relatos de quem estava no local, o grupo carregava cartazes criticando a Spyglass Media Group, produtora responsável pela decisão de desligar a atriz. A movimentação bloqueou parcialmente a entrada principal, forçando organizadores a redirecionar convidados a acessos laterais.
Enquanto vozes se erguiam do lado de fora, o clima no interior do cinema era de expectativa contida. Representantes da produção evitaram declarações extensas, mas confirmaram que compreendiam o “direito de manifestação pacífica”.
Demissão de Melissa Barrera: como tudo começou
Barrera seria novamente Sam Carpenter, papel que defendeu em Pânico 5 (2022) e Pânico 6 (2023). Em novembro de 2023, porém, a Spyglass anunciou a saída da atriz, alegando publicações consideradas antissemitas sobre o conflito Israel-Gaza. O estúdio declarou “tolerância zero” a manifestações que entendessem como discurso de ódio.
A gota d´água teriam sido referências a “genocídio” e “limpeza étnica” em stories da artista. A reação do público foi imediata: fãs defenderam o direito da mexicana de se manifestar e prometeram boicote ao novo longa, movimento que agora se materializa nos protestos.
Elenco, direção e roteiristas sob pressão
Kevin Williamson, roteirista do filme original de 1996, estreia como diretor neste sétimo capítulo. Ao lado dos roteiristas Guy Busick e James Vanderbilt, Williamson reformulou o roteiro após a saída de Barrera, mas manteve a espinha dorsal focada na família Prescott.
Neve Campbell volta como Sidney, agora dividindo a cena com Courteney Cox (Gale Weathers) e a novata Isabel May, que interpreta a filha de Sidney. Jasmin Savoy Brown completa o time principal no papel de Mindy. Todos foram questionados sobre o clima político; responderam brevemente que “apoiam um ambiente de trabalho inclusivo”.
Mesmo com críticas iniciais, veículos especializados destacam que o elenco ajuda a equilibrar o roteiro. Um exemplo é a análise publicada pelo Salada de Cinema que aponta: o desempenho do grupo salva o capítulo de seus tropeços.
Imagem: Divulgação
No núcleo criativo, produtores William Sherak e Paul Neinstein reforçaram o posicionamento da Spyglass, mas reconheceram que a polêmica “impacta a recepção” e obriga a franquia a dialogar com temas além do terror slasher tradicional.
Impacto da controvérsia no futuro da franquia
Organizações de classe também se pronunciaram. Amin El Gamal, presidente do Comitê Nacional MENA do SAG-AFTRA, classificou a demissão como “arma de repressão trabalhista” e acusou Hollywood de histórico antipalestino. Declarações que adicionam uma camada institucional à discussão, antes restrita a fãs e imprensa.
A dúvida agora é como o boicote vai afetar a bilheteria. Em números projetados, Pânico 7 tinha potencial para superar marcas históricas da série, mas a resistência popular pode alterar expectativas. Rumores de continuação ainda dependem do desempenho nas próximas semanas, e o estúdio não comenta futuras sequências.
Pânico 7 vale a pena assistir?
Para quem acompanha a saga desde os anos 1990, o retorno de Kevin Williamson atrás das câmeras e a reunião de rostos conhecidos oferecem motivos de sobra para conferir o filme. Ainda assim, o contexto político envolve a experiência: assistir ou não pode soar, para alguns, como posicionamento sobre a controvérsia.
Do ponto de vista estritamente cinematográfico, há curiosidade quanto a como o roteiro remenda a ausência de Sam Carpenter e mantém a coerência da mitologia. As atuações veteranas entregam o que se espera de um capítulo que mira nostalgia, enquanto o terror meta continua a ser marca registrada.
No fim das contas, Pânico 7 chega cercado de sombras que vão além do mascarado Ghostface, e cada espectador decide se o convite para o cinema compensa o barulho que o envolve.


