Sam Raimi voltou a falar sobre “Doctor Strange no Multiverso da Loucura”. Desta vez, o diretor confessou o que considera sua maior falha no longa de 2022: não ter dado espaço suficiente para Rachel McAdams brilhar. Em entrevista à revista Total Film, o cineasta reconheceu que a atriz merecia papel mais amplo e deixou claro que pretende compensar isso em seu próximo trabalho.
Mesmo beirando US$ 955 milhões de bilheteria global, o filme deixou gostinho de “poderia mais” no próprio Raimi, especialmente no que diz respeito à construção de personagens coadjuvantes. A seguir, o Salada de Cinema detalha a autocrítica do diretor, avalia as atuações e discute o futuro da franquia.
Arrependimento que veio do set
Sam Raimi contou que percebeu ainda nas filmagens de “Doctor Strange no Multiverso da Loucura” que Christine Palmer, vivida por Rachel McAdams, ganhava menos atenção do que merecia. “Ela é uma atriz brilhante, senti que a subutilizei”, revelou o cineasta. A admissão chama atenção porque, na prática, McAdams interpreta duas versões da personagem e mesmo assim recebe pouco tempo de tela.
O sentimento de arrependimento cresceu na sala de edição. Enquanto ajustava o ritmo do filme, Raimi notou que muitas cenas com McAdams foram enxugadas para favorecer a correria multiversal. O resultado final privilegiou os efeitos visuais e a aventura, mas sacrificou nuances dramáticas que poderiam aprofundar a relação de Christine com Stephen Strange.
Rachel McAdams e a promessa de um papel maior
Raimi afirma ter feito uma promessa pública — e a si mesmo — de trabalhar novamente com McAdams em condições mais generosas. Esse compromisso se materializou em “Send Help”, longa de suspense recém-lançado nos cinemas, onde a atriz divide protagonismo com Dylan O’Brien. Segundo o diretor, escalar McAdams como antagonista sombria foi a maneira de oferecer algo totalmente diferente da médica doce do MCU.
A escolha dialoga com uma tendência recente de reimaginar atores consagrados em papéis inusitados. Algo parecido ocorre, por exemplo, quando “Iron Lung” transformou o youtuber Markiplier em estrela do terror. Ao apostar em Rachel como vilã, Raimi busca surpreender o público e, ao mesmo tempo, reparar o desperdício narrativo que tanto o incomodou em “Doctor Strange no Multiverso da Loucura”.
Impacto na possível sequência “Doctor Strange 3”
Apesar de o terceiro filme solo do mago ainda não ter sinal verde da Marvel Studios, rumores indicam que Benedict Cumberbatch retornará no mínimo para “Avengers: The Kang Dynasty” (agora rebatizado de “Avengers: Doomsday”) e para “Avengers: Secret Wars”. O diretor não confirmou se participa dos projetos, mas deixou claro que gostaria de revisitar Stephen Strange depois da saga multiversal.
Caso “Doctor Strange 3” ganhe corpo após a Fase 6, a expectativa é que Christine Palmer apareça de forma mais significativa. O arco romântico entre Strange e Christine nunca foi desenvolvido a fundo. Recolocar McAdams no centro da ação, talvez até concedendo-lhe traje místico ou papel de mentora, seria oportunidade de alinhar evolução dramática e espetáculo visual — ponto em que o segundo filme falhou para parte da crítica.
Imagem: Columbia Pictures
Como o diretor enxerga a evolução do personagem
Sam Raimi é fã confesso dos quadrinhos e defende que Strange ainda tem camadas a explorar. Para ele, a jornada do cirurgião ególatra que vira mago supremo precisa avançar para conflitos internos mais complexos. “O próximo passo, se vier, deve tratar do peso das escolhas que ele fez no multiverso”, explicou.
Essa visão dialoga com o que se viu no fechamento de “Multiverso da Loucura”: Strange assume as consequências de romper barreiras dimensionais e termina com um terceiro olho místico. A provocação funciona como gancho natural para um futuro roteiro que misture terror — marca de Raimi — e drama psicológico. Além disso, manter Rachel McAdams por perto pode ampliar o conflito, tornando Christine não apenas interesse romântico, mas contraponto moral.
Vale a pena rever “Doctor Strange no Multiverso da Loucura”?
Se a pergunta é sobre entretenimento puro, a resposta continua sendo sim. O ritmo frenético, as criaturas bizarro-lovecraftianas e o humor sombrio de Raimi garantem uma experiência visual de impacto. O filme ainda se mantém como um dos capítulos mais autorais dentro da fase pós-“Ultimato”.
Para quem acompanha o MCU em busca de desenvolvimento de personagens, vale a revisão com olhar crítico. É interessante notar como Wanda Maximoff, vivida por Elizabeth Olsen, praticamente assume o protagonismo, empurrando Strange para segundo plano e, por consequência, comprimindo figuras como Christine Palmer. Essa percepção ajuda a entender o remorso que o diretor agora confessa.
Aliás, a possível expansão de Palmer em projetos futuros torna o segundo filme uma base importante para comparar a evolução da personagem. Caso Raimi concretize a promessa, “Multiverso da Loucura” passará a ser visto como peça de transição: a obra que revelou o potencial desperdiçado de Rachel McAdams antes de um retorno triunfal.
No fim das contas, “Doctor Strange no Multiverso da Loucura” permanece disponível em mídia física e streaming, enquanto “Send Help” chega às salas brasileiras nas próximas semanas. Quem quiser conferir como o diretor tenta equilibrar contas com sua consciência cinéfila encontrará no novo longa indícios de como Christine Palmer — e Rachel McAdams — podem ganhar a redenção que merecem.









