O diretor Rian Johnson voltou aos holofotes após responder, de forma bem-humorada, às afirmações de Kathleen Kennedy sobre seu futuro na franquia Star Wars. A executiva, que deixa a presidência da Lucasfilm, declarou que o cineasta teria se afastado dos filmes seguintes por causa da forte reação negativa de parte do público a “Star Wars: Os Últimos Jedi”.
Johnson, no entanto, usou a rede social X para negar qualquer sentimento de medo: “lol zero spooked, sorry”, escreveu ele. A troca de declarações reacendeu discussões sobre a oitava parte da saga, especialmente a respeito da direção, do roteiro e da atuação do elenco principal.
A resposta de Johnson e o contexto das declarações
Kathleen Kennedy relatou à revista Deadline que o diretor “ficou assustado” com a enxurrada de críticas que surgiram após o lançamento do longa em 2017. Ao mesmo tempo, ela ressaltou que considera “Star Wars: Os Últimos Jedi” um dos melhores capítulos da série e elogiou o trabalho do cineasta.
Johnson, responsável também pelos roteiros, discordou prontamente. Seu post lacônico de três palavras indica que, apesar da controvérsia, ele não descarta um retorno à galáxia muito, muito distante. A agenda, contudo, segue cheia: depois de “Entre Facas e Segredos”, o diretor assinou com a Netflix para mais duas sequências, sendo “Wake Up Dead Man” prevista para dezembro de 2025.
Desempenho comercial e recepção crítica do episódio VIII
Mesmo polarizando espectadores, “Star Wars: Os Últimos Jedi” ultrapassou US$ 1,3 bilhão em bilheteria mundial, tornando-se o segundo maior sucesso financeiro da trilogia da Disney. O resultado reforça a força de marca do universo criado por George Lucas e o impacto de uma campanha de marketing global.
Do ponto de vista dos críticos, o filme conquistou 91% de aprovação no Rotten Tomatoes. Já o público avaliou de forma muito mais fria, registrando 41% no Popcornmeter. Essa diferença acentuada foi interpretada como reflexo das escolhas narrativas de Johnson, que subverteram expectativas sobre Luke Skywalker, Rey e Kylo Ren.
Atuações em destaque e efeitos de escolha de direção
Mark Hamill, veterano na pele de Luke, entregou uma performance carregada de melancolia e conflito interno. Muitos fãs questionaram a versão desencantada do personagem, mas nenhum crítico negou a entrega dramática do ator. Hamill explora nuances pouco vistas na trilogia original, conferindo peso às cenas finais de seu Jedi.
Imagem: Divulgação
Daisy Ridley (Rey) manteve a intensidade física e emocional já demonstrada em “O Despertar da Força”. Suas interações com Adam Driver (Kylo Ren) renderam alguns dos momentos mais elogiados, sobretudo nos diálogos telepáticos conduzidos pela Força. Driver, por sinal, recebeu aplausos pela maneira como aprofundou o antagonista, oscilando entre vulnerabilidade e fúria.
John Boyega e Oscar Isaac, como Finn e Poe Dameron, ganharam mais tempo de tela, mas parte da audiência apontou que seus arcos não tiveram o mesmo impacto dramático. Ainda assim, Boyega entrega leveza e humor em sequências de ação, enquanto Isaac reforça o perfil de líder impetuoso, traço que gera conflitos internos na Resistência.
Roteiro ousado e assinatura de Rian Johnson
O roteiro de Johnson optou por inverter expectativas clássicas da saga. A decisão de separar heróis tradicionais, explorar falhas da Resistência e mostrar Luke relutante causou estranhamento — mas também jogou luz sobre temas de falibilidade e legado. A estrutura narrativa, que intercala linhas paralelas em ritmo acelerado, exemplifica a preferência do diretor por suspense e reviravoltas.
Visualmente, o longa apresenta cenas marcantes, como o embate na sala vermelha do Líder Supremo Snoke e o icônico disparo suicida em hiperespaço de Holdo, que rendeu aplausos pela ousadia estética. Tais escolhas reforçam a identidade autoral de Johnson, já reconhecida em “Looper” e “Entre Facas e Segredos”.
Vale a pena assistir hoje?
Seja para rever a atuação transformadora de Mark Hamill, analisar as decisões arriscadas de Rian Johnson ou compreender por que “Star Wars: Os Últimos Jedi” continua dividindo fãs, o episódio VIII permanece relevante. A recente troca pública entre diretor e executiva renova o interesse e mostra que a discussão sobre legado, roteiro e desempenho dos atores ainda está longe do fim — tema que o Salada de Cinema seguirá acompanhando de perto.




