Eliza Scarlet voltou às telas e, logo de cara, mostrou que continua indomável. A estreia da 6ª temporada exibe a protagonista dopando um salão cheio de cavalheiros para recuperar um artefato, cena que lembra o público de como a detetive de Londres costuma trabalhar.
O episódio, porém, vai além da ação. Poucos minutos depois, Eliza troca beijos com o inspetor Alexander Blake no corredor de casa, portas abertas para a rua. O romance, mantido em segredo, coloca a personagem diante de um desafio inédito: conciliar amor e profissão em plena era vitoriana.
Romance escondido bagunça a rotina de Eliza Scarlet
A relação com Blake não é exatamente novidade para eles, mas é a primeira vez que o público vê o casal atuando lado a lado em um caso oficial. O resultado é uma Eliza diferente: ainda perspicaz, porém visivelmente desconcentrada. Mantê-los longe dos olhares curiosos exige mentiras rápidas, inclusive para Ivy, governanta e confidente da detetive, que sente algo fora do lugar.
Clarence, braço direito de Eliza no escritório, também percebe o clima. A suspeita rende uma sequência divertida em um cortiço londrino, provando que o humor da série segue afiado. Mesmo assim, a insegurança da protagonista cresce sempre que algum colega da Scotland Yard se aproxima.
Beijo no corredor coloca a reputação em risco
A ousadia do casal, que se beija de portas abertas, escancara o risco para a carreira da detetive. Em uma sociedade que já questiona mulheres no mercado de trabalho, ser vista como “a namorada do inspetor” poderia minar o respeito que ela conquistou a duras penas. Não à toa, Eliza prefere o sigilo absoluto.
Paixão versus profissão: dilema vitoriano
O roteiro destaca a tensão interna da protagonista. Ela sempre se vangloriou de depender apenas do próprio talento, mas agora precisa admitir que sente algo além do dever. A atuação de Kate Phillips alterna, com naturalidade, firmeza e doçura, lembrando que é possível ser romanticamente envolvida sem perder a essência.
O caso das mortes misteriosas fica em segundo plano
Enquanto o coração de Eliza dispara, duas mulheres morrem após ingerir medicamentos suspeitos. O enredo aborda saúde mental e tratamentos psiquiátricos da época, tema rico, mas resolvido com rapidez. A investigação avança quase sozinha, reforçando a impressão de que o grande conflito, ao menos nesta estreia, não está nas pistas, e sim no relacionamento escondido.
Scotland Yard ganha novos rostos, mas perde antagonismo
Alexander Blake surge como parceiro, amante e, curiosamente, ex-soldado íntegro, compreensivo e ótimo pai. No papel, combinação perfeita. Na prática, a química do casal parece forte quando falam do inquérito, porém menos potente nas cenas de chimarrão à la vitoriana diante da lareira. Parte do problema é a falta de atrito: ao contrário do “Duke” da fase anterior, Blake não contesta os métodos de Eliza.
Imagem: Miss Scarlet Limited and MASTERPIECE
A ausência de um opositor deixa a trama mais suave. Até o novato George Willows, recém-chegado à polícia, trata a detetive com admiração. Sem a resistência masculina que marcou temporadas passadas, o obstáculo principal recai sobre o próprio segredo do casal, diminuindo a tensão na delegacia.
A falta que o velho antagonista faz
Quem acompanhou o drama desde o início pode estranhar a tranquilidade na Scotland Yard. O inspetor Phelps, ranzinza clássico, não aparece na estreia, e sua dureza faz falta. Era ele quem gerava conflitos que impulsionavam o enredo e ofereciam barreiras claras para Eliza transpor.
George Willows traz leveza e apreço pela detetive
A nova adição ao elenco, interpretada por Sam Buchanan, funciona quase como um fã dentro da história. Educado, dedicado e, acima de tudo, encantado pelo trabalho de Eliza, Willows reforça a ideia de que a protagonista finalmente conquistou espaço, mas também dilui a sensação de urgência que outrora alimentava a narrativa.
Segredo amoroso vira única fonte de suspense
Com adversários convertidos em aliados, sobra ao público torcer para que o romance não seja descoberto. A estratégia tem potencial, mas pode perder fôlego se a série não apresentar novas camadas de conflito. A essa altura, ver Eliza preocupada apenas com fofocas profissionais pode não bastar para sustentar todos os seis episódios encomendados.
No geral, “Secrets and Lies” cumpre o papel de reintroduzir a trama, mostrar Eliza mais humana e estabelecer dilemas pessoais. A pontuação 6/10 destaca que há espaço para evolução, especialmente no desenvolvimento de Blake, que precisa revelar traços além do cavalheirismo impecável. O próximo capítulo, “Trafalgar Spring”, promete indicar se o caso de amor será combustível ou âncora na vida da detetive.
Novos episódios vão ao ar sempre aos domingos, às 20h (horário de Brasília), na faixa Masterpiece, da PBS. Para quem acompanha doramas e novelas policiais aqui no Salada de Cinema, vale ficar de olho: equilibrar pista e paixão nunca foi tão complicado para Eliza Scarlet.
Ficha técnica
- Série: Miss Scarlet and The Duke
- Temporada: 6
- Episódio de estreia: Secrets and Lies
- Duração aproximada: 50 minutos
- Classificação: TV-PG
- Gêneros: Drama, Mistério, Crime
- Elenco principal: Kate Phillips (Eliza Scarlet), Tom Durant-Pritchard (Alexander Blake), Cathy Belton (Ivy), Paul Bazely (Clarence), Sam Buchanan (George Willows)
- Exibição nos EUA: PBS Masterpiece, domingos, 20h









