Veredicto rápido: Meu Querido Assassino é um thriller tailandês que engana o espectador desde o trailer — e isso não é necessariamente ruim. Quem aceitar o que o filme realmente é, sai satisfeito. Quem sentar esperando John Wick, vai sair no meio.
⭐ Nota: 7.0/10
O marketing de Meu Querido Assassino — conhecido internacionalmente como My Dearest Assassin — fez um trabalho excelente de vender o filme errado. Os trailers prometiam o “John Wick tailandês”, tiroteios ininterruptos e aquela adrenalina de sábado à noite. O que a Netflix entregou em 7 de maio de 2026 é outra coisa — mais lenta, mais dramática, mais interessante do que o esperado e, ao mesmo tempo, mais frustrante em partes que deveriam funcionar melhor.
Dirigido por Taweewat Wantha, veterano do cinema de horror tailandês conhecido pela franquia Death Whisperer, o longa é antes de tudo um drama sobre identidade, liberdade e o direito de uma mulher decidir o que faz com o próprio corpo. A ação existe — e quando aparece, impressiona. Mas ela serve à história, não o contrário. No TMDB, o filme já acumula nota 7.0 — Rotten Tomatoes e IMDb ainda consolidam as avaliações.
Ficha técnica
| Título original | My Dearest Assassin (เลือดรักนักฆ่า) |
| Direção | Taweewat Wantha |
| Roteiro | Wattana Weerayawattana |
| Elenco principal | Baifern Pimchanok, Tor Thanapob, Porsche Sivakorn, Toni Rakkaen |
| Duração | 2h07 |
| Classificação | 18 anos |
| Estreia Netflix | 7 de maio de 2026 |
| País | Tailândia |
| Nota TMDB | 7.0 — Rotten Tomatoes e IMDb em consolidação |
| Onde assistir | Netflix (exclusivo) — dublagem e legendas em português |
A premissa que salva tudo
A melhor sacada de Meu Querido Assassino é sua premissa. Lhan (Baifern Pimchanok) possui um tipo sanguíneo extremamente raro chamado sangue Aurum — tão valioso no mercado negro que ela literalmente vale mais morta do que viva para quem quiser extraí-lo. Depois de ver seus pais assassinados por causa disso na infância, ela é acolhida pela Casa 89, um clã lendário de assassinos profissionais liderado por Poh.
O problema é que a proteção da Casa 89 tem um preço: Lhan nunca aprendeu a lutar, nunca foi tratada como assassina — foi tratada como um ativo. Guardada, protegida e controlada. O roteiro usa esse ponto de partida para questionar algo genuinamente interessante: qual é a diferença entre ser protegida e ser aprisionada?
É uma pergunta boa demais para o tipo de filme que o trailer prometia. E é exatamente por isso que Meu Querido Assassino divide a audiência.
O que funciona muito bem
Baifern Pimchanok carrega o filme nas costas. A atriz, um dos maiores nomes do cinema tailandês, entrega uma performance física e emocional que vai muito além do que o roteiro às vezes pede. Sua Lhan é vulnerável sem ser passiva, e o arco dela de objeto protegido a mulher que escolhe seu próprio destino é convincente porque Pimchanok faz o trabalho pesado.
A química com Tor Thanapob (Pran) é o segundo pilar do filme. Os dois nunca haviam trabalhado juntos antes, e a tensão entre os personagens funciona precisamente porque o romance não é dado de graça — ele nasce do conflito, da desconfiança e de uma série de situações onde o contato físico entre os dois é o único momento em que ninguém está tentando machucar ninguém.
As cenas de ação, quando aparecem, são o ponto alto técnico do longa. Wantha traz do horror o mesmo realismo brutal que define sua filmografia: a violência aqui dói. Corpos caem com peso, lâminas cortam de verdade, e a edição — ao contrário do caos cortado que domina os blockbusters atuais — deixa o espectador ver cada golpe. É ação de qualidade, escassa mas precisa.
O que não funciona
O segundo ato paga um preço alto pelo ritmo lento que o filme escolhe. Há pelo menos 30 minutos que poderiam ser comprimidos sem nenhuma perda narrativa — e esse excesso de duração (2h07 é longo para o gênero) vai testar a paciência de quem entrou esperando ação constante.
A Casa 89, vendida como uma lenda do submundo, não convence totalmente. O worldbuilding é superficial demais para sustentar a mitologia que o roteiro tenta construir em torno dela. Os personagens secundários do clã existem mais como função narrativa do que como pessoas — e quando alguns deles fazem escolhas cruciais no terceiro ato, o impacto emocional não chega porque o investimento não foi construído.
O vilão principal também é genérico demais para o nível de ameaça que o filme quer imputar a ele. Toni Rakkaen faz o que pode com o que tem, mas Pruek não passa de um obstáculo funcional sem camadas reais.
Meu Querido Assassino vale a pena assistir?
Depende do que você está procurando.
Se a expectativa é ação não-stop ao estilo John Wick, o filme vai decepcionar nos primeiros 40 minutos. Se a expectativa é um thriller asiático com coração dramático, protagonista feminina bem construída e cenas de combate que chegam raras mas chegam pesadas, Meu Querido Assassino entrega com competência.
Para quem curtiu Hunger (2023), o thriller tailandês sobre culinária de alta performance que viralizou na Netflix, My Dearest Assassin tem o mesmo DNA: cinema de gênero tailandês com ambição acima da média, disposto a ser mais do que o rótulo comercial sugere.
Vale destacar: o longa tem cena pós-créditos que abre espaço para continuação. O desempenho nas plataformas vai decidir se a Netflix aposta numa sequência — e, dado o interesse crescente do público por cinema tailandês após o sucesso de Hunger e Death Whisperer, as chances são reais.
Prós e contras
Pontos positivos
- Premissa original com camada temática real
- Baifern Pimchanok em excelente forma
- Química genuína entre os protagonistas
- Cenas de ação brutais, realistas e bem editadas
- Direção com identidade — não é mais um filme de ação genérico
Pontos negativos
- Segundo ato lento demais para o gênero
- Vilão sem profundidade
- Worldbuilding da Casa 89 superficial
- Duração excessiva (2h07) que pesa no ritmo
Perguntas frequentes
Onde assistir Meu Querido Assassino?
O filme está disponível exclusivamente na Netflix em todo o Brasil, com opções de dublagem e legendas em português brasileiro.
Meu Querido Assassino tem cena pós-créditos?
Sim. Há uma cena pós-créditos que sugere que a história não terminou e abre espaço para uma possível continuação. Vale ficar até o final dos créditos.
Meu Querido Assassino vai ter continuação?
Ainda não há confirmação oficial, mas a cena pós-créditos indica que os criadores planejam expandir o universo. O desempenho na Netflix vai determinar se uma sequência será produzida.
Meu Querido Assassino é baseado em algum livro ou história real?
Não. É um roteiro original de Wattana Weerayawattana, produção da Sunwrite Moonact para a Netflix Tailândia.
Qual é o tipo sanguíneo raro do filme?
O filme chama de sangue Aurum — um tipo sanguíneo fictício e extremamente raro que funciona como MacGuffin central da trama, representando a exploração do corpo feminino como recurso de terceiros.
Meu Querido Assassino é parecido com Hunger da Netflix?
Em espírito, sim. Ambos são produções tailandesas com ambição acima do gênero, disponíveis na Netflix e com personagens femininos no centro da narrativa. Se você curtiu Hunger, My Dearest Assassin é uma aposta segura.
Conclusão
Meu Querido Assassino é um filme melhor do que o trailer deixa crer — e pior do que poderia ser com um segundo ato mais enxuto. Baifern Pimchanok e Tor Thanapob salvam o que o roteiro não consegue sustentar sozinho, e Taweewat Wantha prova que tem talento real para além do horror. É uma aposta válida para quem curte cinema asiático de ação com substância. Só não chegue esperando John Wick.









