Homelander é agora imortal. O vírus se tornou inútil. E os Boys nunca estiveram tão perto do fim. O episódio 6 da última temporada de The Boys, intitulado “Apesar de o Céu Cair”, é o ponto de virada que a temporada precisava — denso, brutal, emocionalmente inteligente em alguns momentos e deliberadamente caótico em outros. Com apenas dois episódios pela frente para encerrar uma das séries mais relevantes da última década, o tabuleiro foi virado de vez.
Atenção: este texto contém spoilers completos do episódio 6 da 5ª temporada de The Boys, disponível no Prime Video desde 6 de maio de 2026.
Ficha do episódio
- Série: The Boys — 5ª e última temporada
- Episódio: 6 de 8 — “Apesar de o Céu Cair”
- Disponível em: Prime Video desde 6 de maio de 2026
- Duração: 1h 3min
- Showrunner: Eric Kripke
- Próximo episódio: Ep. 7, 13 de maio de 2026
- Final da série: Ep. 8, 20 de maio de 2026
O que acontece em “Apesar de o Céu Cair”
A corrida pelo V1 — a fórmula da imortalidade — chega ao seu ponto de ebulição. Bruto, Kimiko, Frenchie e Leitinho rastreiam o veterano Bombástico (Mason Dye, o mesmo ator de Jason Carver em Stranger Things 4) através de A Lenda (Paul Reiser), ex-executivo da Vought que vive sob identidade falsa. O caminho passa por Golden Geisha (Naoko Mori), ex-estrela adulta e grande amor de Bombástico, que vive num asilo da Vought. O grupo sequestra a mulher para usá-la como isca — e funciona.
Paralelamente, Hughie e Annie se infiltram na Igreja Democrática de Homelander com uma nova versão do vírus, tentando plantá-lo num purificador de ar durante um evento do regime. O plano encontra o corpo de Firecracker — executada por Homelander no episódio anterior — e a presença perturbadora de Oh Father. Hughie chega a ameaçar acionar o vírus para garantir a fuga dos dois, mas recua. É uma cena de peso: o herói que não consegue cruzar a linha que o monstro cruzaria sem hesitar.
Enquanto isso, os Sete chegam ao colapso total. Black Noir 2 (Nathan Mitchell) sabota um oleoduto da Vought no Alasca para se vingar pela morte de Adam Bourke, causando um desastre ambiental que elimina mais de um bilhão de peixes. Profundo (Chace Crawford), num misto de colapso emocional e devoção fanática a Homelander, descobre a traição do colega e o estrangula com o fio de um fone de ouvido antes de espetar suas próprias facas em sua garganta. Black Noir 2 está morto. Profundo está completamente perdido.
A virada que quebrou a internet: Soldier Boy entrega o V1 para Homelander

O clímax reúne Soldier Boy, Bombástico, Golden Geisha, os Boys e Homelander num campo aberto. Numa virada que ninguém previu, Soldier Boy usa seu novo poder — a capacidade de extrair o V1 do corpo de outros supers — para retirar a imortalidade de Bombástico. O presente: Bombástico pode agora envelhecer e morrer como humano ao lado da mulher que ama. O preço: o V1 extraído vai parar nas mãos de Soldier Boy.
Mas Sister Sage havia calculado mal. Ela mostra a Soldier Boy um vídeo íntimo de Homelander com Tempesta (Clara Vought), contando com que a raiva do pai pelo filho explodisse. O efeito é o oposto: ao ver Clara, Soldier Boy decide honrar a visão dela para o futuro dos heróis — e entrega o V1 de bandeja para Homelander, seu próprio filho e inimigo declarado. Homelander injeta a fórmula na veia e se torna imortal diante dos olhos dos Boys, que não conseguem fazer nada.
O vírus está inútil. O pior cenário possível se concretizou.
O que funciona muito bem
O coração emocional do episódio é a história de Bombástico e Golden Geisha, e é aí que o roteiro acerta em cheio. A série usa os dois personagens para fazer uma das reflexões mais maduras que The Boys já colocou na tela: o que você faria pela imortalidade se soubesse que a pessoa que ama vai morrer? Bombástico guardou o V1 durante décadas não por ganância ou sede de poder, mas pelo medo mais humano possível — perder quem ama. É uma história pequena dentro de um episódio grande, e é justamente ela que dá ao caos ao redor algum peso emocional real.
A morte de Black Noir 2 funciona porque foi preparada com cuidado. A relação entre Profundo e Noir vinha azedando há episódios, e o desastre ambiental foi a gota final. Ver Profundo — um personagem que passou quatro temporadas sendo a piada da série — cruzar a linha da violência fria diz tudo sobre o que Homelander faz com as pessoas ao redor: não as torna leais, as torna irreconhecíveis.
Antony Starr, como sempre, não precisa de muito para ser aterrorizante. A cena em que Homelander injeta o V1 e sorri para os Boys — que o olham paralisados — é uma das imagens mais impactantes de toda a temporada. É o rosto de alguém que acaba de se tornar intocável e sabe disso.
O que não funciona — e precisamos falar sobre isso
O episódio tem um problema sério que precisa ser nomeado: funciona demais como piloto disfarçado para o spin-off Vought Rising. O roteiro dedica uma quantidade desproporcional de tempo explicando o triângulo amoroso entre Soldier Boy, Bombástico e Tempesta nos anos 1950 — história que pertence ao prequel anunciado pela Amazon para 2027, não ao encerramento de The Boys.
A virada de Soldier Boy — decidir entregar o V1 a Homelander porque viu um vídeo de Clara — é a decisão mais questionável do episódio. A série passou temporadas construindo o ódio visceral entre pai e filho. Soldier Boy quase matou Homelander na terceira temporada. Que um vídeo íntimo e a memória de uma mulher morta sejam suficientes para reverter isso parece mais uma conveniência narrativa para deixar o vilão superpoderoso do que uma evolução orgânica do personagem. A decisão faz sentido para o marketing de Vought Rising. Faz menos sentido para Soldier Boy.
Sister Sage, que passou a temporada inteira declarando que a humanidade é completamente previsível, foi completamente enganada pela imprevisibilidade de um único homem. A ironia seria perfeita se o roteiro reconhecesse isso com mais clareza — mas a série parece mais interessada em avançar o tabuleiro do que em explorar essa contradição.
Onde a temporada final está acertando — e errando
A quinta temporada começou excelente. Os dois primeiros episódios estabeleceram o regime de Homelander com eficiência e criatividade. Mas os episódios 3, 4 e 5 patinaram em subtramas que pareciam não chegar a lugar nenhum — excesso de personagens, muitos arcos simultâneos, ritmo irregular. O episódio 6 finalmente corrige o curso e devolve à série a sensação de urgência que estava faltando.
Com dois episódios para encerrar, a pergunta não é mais se haverá um confronto final — é quem vai sobreviver para contá-lo. Homelander imortal elimina a última carta dos Boys. O vírus está fora do jogo. Soldier Boy está do lado errado. E os personagens que mais cresceram emocionalmente na temporada — Hughie, Annie, Kimiko — são exatamente os que têm menos poder físico para enfrentar o que vem.
The Boys sempre foi mais inteligente quando apostou nos humanos dentro dos monstros. Se os dois episódios finais honrarem isso, a série vai terminar do jeito certo.
⭐ Nota: 8.5/10
Um episódio decisivo que vira o tabuleiro com força, equilibra comédia escrachada com dilemas existenciais maduros e entrega a cena mais aterrorizante da temporada. Perde pontos pela instrumentalização de Soldier Boy a serviço do marketing de Vought Rising e por uma virada que soou apressada demais para um personagem tão construído.









