Uma das produções indianas mais aguardadas dos próximos anos acaba de ganhar calendário. Varanasi, novo longa de S. S. Rajamouli, aterrissa nas salas tradicionais e em IMAX em 7 de abril de 2027, combinando espionagem, arqueologia e fantasia de alta voltagem.
A obra marca o primeiro encontro entre o cineasta de RRR e Priyanka Chopra Jonas, que se junta a Mahesh Babu e Prithviraj Sukumaran em uma aventura que percorre Índia, África e Antártica, atravessando milênios de história.
Atores em destaque e personagens revelados
Mahesh Babu lidera o elenco como Rudhra, figura misteriosa que, segundo fontes ligadas à produção, mistura carisma de agente secreto com traços de explorador clássico. A presença do astro, acostumado a papéis heroicos no cinema telugu, indica sequências físicas intensas e momentos de humor calculado.
Priyanka Chopra Jonas interpreta Mandakini, personagem descrita como peça-chave da trama. A artista, que conquistou o público ocidental em Quantico e retornará ao papel de Nadia Sinh em Citadel 2, deve exibir aqui uma combinação de inteligência estratégica e domínio em cenas de combate. O primeiro pôster, com a atriz empunhando uma arma em meio a chamas, dá o tom da performance física exigida.
Na ala dos antagonistas surge Prithviraj Sukumaran, escalado para viver Kumbha. O ator malabar, conhecido pela capacidade de alternar vilania contida com explosões de raiva, promete um embate direto com Rudhra. A expectativa é que sua atuação entregue a tensão que sustentará a jornada global do enredo.
Direção de S. S. Rajamouli e peso do roteiro
S. S. Rajamouli assina a direção e divide o roteiro com Vijayendra Prasad, retomando a parceria que consolidou sucessos como Baahubali e, mais recentemente, RRR. O realizador mostrou domínio narrativo ao equilibrar números musicais, drama histórico e espetáculo de ação, o que rendeu ao épico de 2022 US$ 166 milhões e nota 96% da crítica no Rotten Tomatoes.
Em Varanasi, Rajamouli promete expandir a escala temporal, apresentando uma narrativa que percorre diferentes eras e continentes. Tal ambição sugere desafios de montagem e de ritmo, pontos em que o diretor costuma se destacar ao mesclar set pieces épicos com personagens emocionalmente acessíveis.
Os roteiristas pretendem oferecer uma trama palatável ao público internacional, mas sem abrir mão do verniz mítico indiano. O recorte de ação contemporânea aliado a elementos místicos ecoa fórmulas que já funcionaram em Hollywood, lembrando filmes que também buscam fusão de gêneros, como o aguardado The Wrecking Crew, estrelado por Momoa e Bautista sob uma pegada “buddy cop” modernizada.
Escala global, locações exóticas e efeitos práticos
O teaser divulgado em novembro de 2025 aponta para cenários grandiosos: a calçada de Varanasi às margens do Ganges, a plataforma de gelo Ross na Antártica e a planície de Amboseli no Quênia. Ao incluir um asteroide em rota de colisão com a Terra, o filme investe em suspense científico, algo incomum na filmografia de Rajamouli.
O momento em câmera lenta em que Mahesh Babu conduz um touro pelas ruas estreitas da cidade sagrada remete ao impacto visual das primeiras imagens do remake de Highlander, que também apostam em ícones pop para promover nostalgia e adrenalina. Detalhes dos bastidores indicam preferência por efeitos práticos, reforçados por CGI apenas para complementar a destruição cósmica.
Imagem: Abaca Press/INSTARs
Já Priyanka Chopra Jonas, vista em um templo em ruínas com reluzentes armas de última geração, reforça a colagem de elementos modernos e seculares. A fotografia precisará equilibrar esses contrastes para evitar excesso de informação visual, desafio que a equipe de Rajamouli costuma abraçar com entusiasmo.
Trilha sonora, produção e herança de RRR
MM Keeravani, vencedor do Oscar de Melhor Canção com Naatu Naatu, retorna para compor a trilha de Varanasi. A expectativa é de números capazes de dialogar com a ação, mantendo identidad e cultural sem perder apelo global. As canções devem embalar danças, mas também sequências de perseguição, criando pontos de respiro dramático.
À frente da produção estão K. L. Narayana e S. S. Karthikeya, dupla que aposta em orçamento generoso para rodar em múltiplas locações reais. O investimento se encaixa em uma tendência recente do cinema blockbuster, no qual Send Help, novo recordista de Sam Raimi no Rotten Tomatoes superou Spider-Man 2 apostando igualmente em cenários autênticos.
Para Rajamouli, Varanasi representa oportunidade de repetir o impacto crítico e comercial de RRR, mas sob uma roupagem híbrida de thriller de espionagem e aventura arqueológica. O desafio será manter equilíbrio narrativo enquanto apresenta conceitos temporais complexos ao público internacional de forma clara.
Varanasi vale a pena assistir?
Considerando o histórico de S. S. Rajamouli em entregar entretenimento grandioso, Varanasi surge como aposta segura para quem busca ação elevada a um patamar épico. O trio principal reúne talentos de diferentes vertentes do cinema indiano, ampliando alcance e diversidade de estilos de atuação.
A integração de efeitos práticos, cenários exóticos e trilha sonora de MM Keeravani cria expectativas altas sobre a imersão audiovisual. Além disso, a narrativa que atravessa milênios pode oferecer camadas históricas raras em produções de puro escapismo, aproximando a obra de franquias consagradas.
Para o leitor do Salada de Cinema, a estreia em 7 de abril de 2027 promete uma experiência de tela grande que vale acompanhar de perto, sobretudo para quem aprecia blockbusters que ousam misturar referências de James Bond, Indiana Jones e mitologia local sem perder identidade contemporânea.



