Os criadores de Toy Story 5 já estão pensando além do filme — e o que eles revelaram sobre o futuro da franquia sugere uma virada narrativa que poucos esperavam de uma animação familiar da Pixar. Em entrevista exclusiva, a co-diretora McKenna Harris e a produtora Lindsey Collins apontaram os novos brinquedos tecnológicos do filme como candidatos naturais a protagonistas de uma possível continuação.
O conflito central de Toy Story 5 já desenha o mapa do que vem depois
O eixo dramático do filme, com estreia marcada para 19 de junho de 2026, é a guerra entre brinquedos tradicionais e tecnologia. Jessie, Buzz Lightyear e os antigos companheiros enfrentam a concorrência direta do tablet Lilypad e de um novo grupo de brinquedos eletrônicos — entre eles Smarty Pants, Atlas e Snappy — quando Bonnie se apaixona pelo novo mundo digital. O diretor Andrew Stanton, responsável também pelo roteiro ao lado de Harris, foi direto ao ponto ao comentar a premissa: “Quando a tecnologia entra, ela vence.” Não é exatamente o tipo de frase que você espera ouvir sobre um filme onde Woody reaparece.
Essa declaração de Stanton carrega peso porque ele não é um recém-chegado tentando impressionar. É o nono funcionário contratado na história da Pixar e o diretor de WALL-E. Quando ele admite que a tecnologia pode ser inimiga incontornável desta vez, está dizendo algo que as quatro versões anteriores da franquia nunca precisaram dizer: talvez não haja saída para os brinquedos de sempre.

Harris e Collins já imaginam Smarty Pants como protagonista, e isso não é conversa casual
Durante a mesma entrevista, McKenna Harris foi além de comentar o enredo atual: “Toy Story 5 apresenta um elenco bem poderoso, e os brinquedos tecnológicos estão abrindo um potencial enorme para a franquia. Eu assistiria mais aventuras do Smarty Pants.” Collins complementou: “Os três tecnológicos neste filme são muito divertidos juntos. E o fato de que eles estão tendo apenas um gostinho de brincar — sinto que agora vão querer muito mais.”
Não é especulação aleatória de bastidor. Harris co-dirige o filme. Collins produz. Quando duas pessoas nessas posições falam abertamente sobre continuar a história com os novos personagens, o terreno para uma possível 6ª parte já está sendo preparado — mesmo que nada tenha sido oficializado pela Pixar até agora.
Vale lembrar que a trilha sonora original de Toy Story 5 inclui uma canção de Taylor Swift, intitulada “I Knew It, I Knew You”, anunciada em 1º de junho de 2026 — o que indica o nível de atenção que a produção está recebendo antes mesmo do lançamento.
A transição de protagonistas já aconteceu antes, e a Pixar sabe como fazer
A franquia Toy Story já realizou uma troca de protagonismo uma vez: em Toy Story 4, Woody funcionou mais como figura de passagem do que como herói central, e a narrativa abriu espaço para Bo Peep assumir outro peso. O caminho de Jessie como protagonista do 5º filme repete essa lógica de renovação gradual. A questão é se a Pixar está disposta a dar um passo ainda maior — aposentar o grupo original de vez e construir uma nova identidade para a franquia a partir de personagens que nasceram já dentro do contexto tecnológico.
Do ponto de vista narrativo, isso faria sentido. A franquia cobriu o ciclo completo de crescimento de uma criança ao longo de quatro filmes. Toy Story 5 introduz a tecnologia como força disruptiva. O próximo passo lógico seria explorar o que acontece quando os próprios brinquedos tecnológicos encaram a obsolescência — um dispositivo inovador hoje se torna ultrapassado amanhã, e há algo genuinamente pixaresco nessa ideia.
O risco real é confundir renovação com descarte emocional
A resistência do público a essa transição seria considerável. Tom Hanks emprestou a voz de Woody por quase três décadas. Joan Cusack, que retorna como Jessie em Toy Story 5, construiu uma das personagens mais amadas da animação americana. Afastar esses nomes do centro não é uma decisão criativa neutra — é uma ruptura de contrato emocional com gerações de espectadores.
Mas há uma diferença importante entre afastar e substituir bem. Se Toy Story 5 fizer o trabalho de construir Smarty Pants, Atlas e Snappy como personagens com profundidade real — e não apenas como obstáculos para Jessie superar —, o terreno para uma transição legítima estará plantado. O que Harris e Collins disseram na entrevista sugere que essa possibilidade está sendo considerada com seriedade dentro da Pixar. Se o público responder bem aos novos brinquedos no cinema, a conversa vai avançar.
Por ora, Toy Story 5 ainda precisa provar que vale por si mesmo — e a pressão é real. Stanton aceitou o projeto justamente porque, segundo ele próprio, não queria ver outra pessoa estragar a franquia. O que vier depois depende, antes de tudo, do que acontece em 19 de junho.









