Toy Story 5 chega aos cinemas brasileiros a partir de 18 de junho de 2026 como a aposta mais importante da Pixar em anos — e entrega o suficiente para confirmar que a franquia recuperou o rumo, sem necessariamente provar que voltou ao topo. Dirigido por Andrew Stanton, vencedor do Oscar, com co-direção de Kenna Harris, o filme constrói sua história inteira sobre os ombros de Joan Cusack como Jessie — e essa escolha é tanto o maior acerto quanto a principal limitação do projeto.
Resumo rápido
- Direção: Andrew Stanton e Kenna Harris; produção de Lindsey Collins
- Elenco principal: Joan Cusack (Jessie), Tim Allen (Buzz Lightyear), Tom Hanks (Woody), Greta Lee (Lilypad), Conan O’Brien (Smarty Pants)
- Estreia no Brasil: 18 de junho de 2026, segundo o Ingresso.com; nos EUA, 19 de junho de 2026
- Nota da leitura crítica: 8/10
- Contexto: primeiro Toy Story com enredo original após o tropeço de Lightyear (2022)
Jessie no centro não é só uma escolha de roteiro — é uma declaração de intenção
A decisão de colocar Jessie como protagonista absoluta de Toy Story 5 diz muito sobre o que Andrew Stanton e a Pixar queriam evitar: repetir a estrutura de Toy Story 4, que funcionou bem enquanto explorava os lados de personagens conhecidos, mas deixou uma sensação de episódio extra em vez de capítulo necessário. Jessie carrega o mesmo medo central de toda a franquia — o medo de ser substituída — mas o filme tem o cuidado de colocar acima disso uma motivação mais madura: o bem-estar de Bonnie vem antes de qualquer insegurança pessoal.
Joan Cusack entrega uma performance que vai além da nostalgia. Há camadas na cowgirl que a série nunca havia destrinchado com essa profundidade, e a atriz usa cada uma delas. O arco de Jessie não é apenas sobre sobrevivência como brinquedo — é sobre a diferença entre proteger alguém e controlar o que é melhor para essa pessoa. Essa tensão, sutil mas persistente, é o que separa Toy Story 5 de uma aventura de fórmula.

O tablet como antagonista é uma metáfora que funciona melhor do que parece
A trama parte de uma premissa contemporânea: Bonnie (Scarlett Spears), uma menina tímida com dificuldade de fazer amizades, ganha um tablet chamado Lilypad — e os brinquedos encaram isso como ameaça existencial. A leitura fácil seria transformar Lilypad em vilã tecnológica sem nuance, mas o roteiro faz algo mais inteligente: Greta Lee empresta ao personagem uma complexidade genuína. Lilypad não é maliciosa, apenas convicta de que conexões mediadas por tela são suficientes para Bonnie. É uma crença equivocada, não uma maldade — e esse detalhe faz toda a diferença no argumento moral do filme.
A Pixar já revisitou antes a tensão entre tecnologia e afeto humano, mas raramente de forma tão direta. O que Toy Story 5 sugere — sem virar sermão — é que a questão não é o tablet em si, mas o que ele substitui quando ocupa todo o espaço. Para um filme voltado ao público infantil, é uma leitura mais equilibrada do que se poderia esperar.
Conan O’Brien integra o elenco como Smarty Pants, um brinquedo tecnológico que serve de contraponto cômico à seriedade de Lilypad — e funciona bem nos momentos em que o filme precisa aliviar o peso temático sem descartá-lo.
Tim Allen rouba cenas que o roteiro nem reservou para ele
Tim Allen retorna como Buzz Lightyear em um estado que o filme descreve com precisão: apaixonado, um pouco atrapalhado e completamente comprometido com Jessie. É um Buzz diferente dos filmes anteriores — mais vulnerável, menos o herói seguro de si — e Allen abraça essa versão com um timing cômico que produz os momentos mais engraçados de todo o longa. A sequência envolvendo uma frota de outros Lightyears é um dos destaques absolutos: o tipo de cena que a Pixar sabe construir melhor do que qualquer outro estúdio de animação, equilibrando absurdo visual com emoção real.
A presença de Tom Hanks como Woody é mais contida desta vez — uma escolha narrativa consciente que favorece o protagonismo de Jessie, mas que também provoca a principal saudade do filme. Há algo no dinamismo entre Woody e Buzz que os filmes anteriores usavam como motor dramático, e a ausência desse eixo se sente em alguns momentos da segunda metade.

O cenário rural isola os brinquedos de tudo que os tornava irresistíveis em conjunto
Toy Story 5 passa boa parte do tempo em ambientação western, com estética rural que favorece Jessie e os personagens de linguagem cowboy, mas que afasta o filme do que a trilogia original construiu como seu maior trunfo: a dinâmica de grupo. Os brinquedos que acompanhamos por décadas aparecem em momentos selecionados, não como presença constante — e isso cria um vazio que nenhum personagem novo, por melhor que seja, consegue preencher completamente.
A leitura crítica aponta que esse isolamento é uma aposta calculada: Stanton queria que Jessie funcionasse sozinha antes de funcionar no coletivo. É uma decisão defensável do ponto de vista narrativo, mas que cobra um preço emocional real. Quem foi ao cinema esperando a algazarra afetiva dos primeiros três filmes vai sentir falta de algo que Toy Story 5, conscientemente, não oferece.
Não é um problema de execução — é uma escolha de escopo. E é justamente por isso que o filme, mesmo sendo muito bom, para um degrau abaixo dos filmes que tornaram a franquia referência. A mesma razão que o faz funcionar como obra singular é a que impede que ele alcance os picos de Toy Story 3, que venceu o Oscar de Melhor Filme de Animação justamente por combinar aventura coletiva com catarse emocional devastadora.
A Pixar precisava de uma vitória comercial tanto quanto criativa
Depois de Lightyear (2022) — descrito até mesmo por leituras internas da franquia como o único tropeço real da série —, a Pixar chegou a Toy Story 5 com pressão dupla. O estúdio precisava provar que entendia por que errou e que sabia como consertar. A resposta foi voltar ao núcleo emocional: personagens já estabelecidos, temas conhecidos tratados com profundidade nova, e uma diretora de co-direção, Kenna Harris, que traz um olhar fresco sem romper com a linguagem visual da franquia.
Projeções de pré-estreia do Deadline estimavam uma abertura global na casa de US$ 275 milhões — número que, se confirmado, posicionaria Toy Story 5 entre as maiores estreias da história da Pixar. A franquia já acumulou mais de US$ 3 bilhões de bilheteria com os quatro primeiros filmes, e este quinto capítulo chega com o peso de reativar um legado que Lightyear havia comprometido sem precisar destruí-lo.
Toy Story 5 é uma entrada sólida na direção dos picos da franquia, embora parando um pouco antes de alcançá-los. É difícil não sentir falta da cacofonia jubilosa dos muitos brinquedos que centravam a trilogia original.
Leitura crítica da fonte base, em tradução livre
O que esperar agora
Toy Story 5 não precisa ser o melhor filme da franquia para fazer o que a Pixar precisava que ele fizesse: restabelecer confiança. O filme entrega emoção real, humor consistente e uma performance central de Joan Cusack que justifica sozinha o ingresso. A aposta em Jessie como protagonista abre caminho para que a franquia explore outros brinquedos com profundidade semelhante — algo que os filmes anteriores raramente tentaram com personagens secundários.
Para quem cresceu com a trilogia original, Toy Story 5 vai provocar saudade da dinâmica de grupo que o filme deliberadamente reduz. Para quem chega sem esse peso nostálgico, é uma aventura emocionante com personagens bem construídos e um tema atual tratado com inteligência. Nos dois casos, vale o cinema — com a expectativa calibrada de que este é um ótimo capítulo de uma franquia ainda em reconstrução, não o seu ponto mais alto.
O final de Toy Story 5 e seus desdobramentos para a franquia merecem uma análise à parte, mas o que fica desta leitura é claro: a Pixar voltou a fazer o que sabe — e Jessie, finalmente, ganhou a história que sempre mereceu.
Fonte principal: thedirect.com. Informações complementares: Deadline, Disney Movies, Hollywood Reporter, IGN, InSession Film, Ingresso.com.









