Ron Howard costuma nos levar para corridas espaciais ou decifrar códigos em museus. Em Eden, ele nos abandona em uma ilha remota com um elenco estelar e um mistério real que nunca foi resolvido. O filme, que agitou o Festival de Toronto, promete ser um thriller de sobrevivência diferente.
A produção não é sobre monstros ou desastres naturais. Com 2 horas e 9 minutos, Eden é um estudo sobre o que acontece quando um grupo de idealistas tenta criar o paraíso na Terra, apenas para descobrir que o inferno são os outros. É Howard trocando o otimismo pelo bisturi que expõe a condição humana.
A história de Eden, a utopia que virou uma gaiola
Galápagos. O nome evoca imagens de natureza intocada. É para lá que um grupo de europeus viaja no início do século XX, determinados a dar as costas à civilização e construir uma nova sociedade, livre das amarras do mundo moderno. Liderados pelo carismático Dr. Friedrich Ritter, eles buscam a pureza.
O que começa como um sonho idílico, no entanto, logo se transforma em um pesadelo psicológico. Isolados do mundo, as tensões dentro do pequeno grupo explodem.
A chegada de uma autoproclamada Baronesa e seus amantes adiciona um elemento de caos sexual e rivalidade. A natureza, que parecia um refúgio, se torna uma testemunha silenciosa de desaparecimentos, acusações e uma morte misteriosa que assombraria a ilha por décadas.
O paraíso perdido: a natureza humana em Close-Up
Eden se recusa a ser um simples thriller de mistério. Ron Howard usa a história real como ponto de partida para explorar a fragilidade da utopia. O filme argumenta que não se pode fugir da natureza humana, não importa quão remota seja a ilha.
A produção parece filmada como um documentário que deu errado. A beleza estonteante de Galápagos serve como um contraste irônico para a feiura das relações que se desintegram.
A obra funciona como um espelho da sociedade que os personagens tentaram abandonar. Vemos a luta por poder, a inveja e a violência ressurgirem, mesmo no suposto paraíso. É um filme que te força a questionar: somos produtos do nosso ambiente ou a semente do caos já está dentro de nós?
O elenco estelar isolado no fim do mundo
Imagem: Divulgação/Eden
A direção é de Ron Howard (Apollo 13, Uma Mente Brilhante), a partir de um roteiro de Noah Pink. A força da obra reside em seu elenco A+. Jude Law, que já interpretou líderes carismáticos antes, como em The Young Pope, aqui dá vida ao Dr. Ritter, o idealista cuja visão talvez seja a centelha do desastre.

Vanessa Kirby, que nos mostrou sua força em The Crown e Pieces of a Woman, interpreta Dora Ritter; sua performance é o centro emocional, a mulher que observa a utopia ruir.
Ana de Armas (Blonde), como a Baronesa, adiciona uma camada de perigo e sedução. E Daniel Brühl (Capitão América: Guerra Civil) e Sydney Sweeney (Euphoria), vivem o outro casal que chega à ilha. Para quem busca um thriller psicológico com ares de filme de arte, ancorado por um elenco no auge, a obra é uma aposta certeira.
Eden nos deixa com a imagem de um paraíso que se tornou uma cena de crime. E com a pergunta: talvez a civilização que tanto desprezamos seja a única coisa que nos impede de nos devorarmos uns aos outros.
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