É curioso como o tempo pode transformar até mesmo um fracasso em um sucesso inesperado. Lançado em 2011, Lanterna Verde foi duramente criticado, considerado por muitos fãs e especialistas como um dos piores filmes de super-heróis da década.
Porém, mais de dez anos depois, Lanterna Verde voltou a ganhar atenção, e surpreendentemente entrou para o top 10 da Netflix, reacendendo a curiosidade de quem nunca teve coragem de assisti-lo (ou de quem quer relembrar o desastre).
O roteiro: desastroso de Lanterna Verde
Com direção de Martin Campbell (Cassino Royale) e roteiro de Greg Berlanti e Marc Guggenheim, o filme prometia ser o início de uma nova franquia da DC. Mas o resultado final foi um colapso de ideias, efeitos duvidosos e um tom confuso que não sabia se queria ser sombrio, engraçado ou simplesmente relevante.
O grande problema de Lanterna Verde começa justamente onde deveria estar sua força: o roteiro. A história é rasa e apressada, apresentando o piloto Hal Jordan (Reynolds) como o escolhido por um anel alienígena para integrar a tropa dos Lanternas Verdes, defensores do universo. O problema é que nada disso é bem desenvolvido.
Os conflitos de Hal são superficiais, o vilão é mal construído, e os diálogos parecem saídos de uma sessão de brainstorming que nunca foi revisada. O resultado é um filme que não emociona, não diverte e não empolga, deixando o espectador preso em uma sequência de clichês e frases de efeito sem impacto.
Atuações comprometidas por um texto fraco
Mesmo com um elenco talentoso, que inclui Blake Lively, Peter Sarsgaard e Mark Strong e Ryan Reynolds, o filme não consegue tirar proveito de suas estrelas.
Reynolds tenta carisma e humor ao herói, mas o roteiro o limita a frases banais e piadas sem timing. Lively, por sua vez, é reduzida a um interesse romântico sem profundidade.
O único que realmente se destaca é Mark Strong, que interpreta o Lanterna Sinestro. Sua presença impõe respeito e entrega a gravidade que o filme precisava, mas sua importância se perde em meio à bagunça narrativa e ao excesso de efeitos digitais.
Um visual caro, mas desastroso
Com um orçamento de US$ 200 milhões, Lanterna Verde tinha potencial para ser um espetáculo visual digno de seu universo cósmico. No entanto, os efeitos especiais envelheceram mal, e mesmo na época, já pareciam ultrapassados.
A roupa digital de Ryan Reynolds, por exemplo, virou motivo de piada. O traje criado inteiramente por CGI destoa do cenário e tira toda a credibilidade das cenas de ação.
O vilão principal, uma espécie de nuvem cósmica chamada Parallax, também é uma das maiores decepções: uma ameaça sem forma, emoção ou impacto, que mais parece uma massa de fumaça genérica.
O tom desalinhado com o universo DC
Outro erro crucial foi o tom. Enquanto a DC Comics sempre foi conhecida por seu lado mais sombrio e dramático, Lanterna Verde opta por um humor forçado e deslocado.
As piadas soam artificiais e quebram a imersão de uma história que deveria explorar coragem, medo e responsabilidade, temas centrais no arco do personagem.

Essa falta de identidade transformou o filme em uma mistura desajeitada entre comédia leve e drama cósmico, que não agrada a nenhum dos públicos. O resultado foi um fracasso de bilheteria, críticas severas (25% no Rotten Tomatoes) e uma longa pausa nos planos da DC para o personagem.
Do fracasso ao cult involuntário
Curiosamente, o tempo tratou Lanterna Verde com um certo humor. A autodepreciação de Ryan Reynolds, que chegou a zombar do filme em Deadpool 2, ajudou a transformar o longa em um tipo de “cult” involuntário. Hoje, muitos o assistem mais pela curiosidade histórica do que pela qualidade cinematográfica.
E é exatamente isso que explica seu sucesso atual na Netflix: a nostalgia misturada ao desejo de revisitar um dos maiores tropeços dos filmes de super-heróis modernos.
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É bom para quem busca uma diversão simples, sem profundidade de roteiro.
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5.0



