Joe Russo confirmou, durante o SXSW London, que Vingadores: Doutor Destino representa um recomeço absoluto do MCU — não uma continuação da Saga do Multiverso, mas algo que ele chamou de “fase zero”: começar do zero, sem depender do que veio antes.
O que Joe Russo quis dizer com “fase zero” do MCU?
“Fase zero” não é um rótulo oficial da Marvel, mas uma declaração de intenção. Segundo Joe Russo, ao lado de Robert Downey Jr., o objetivo com Vingadores: Doutor Destino é que o filme não exija que o espectador tenha assistido a nada. A frase exata, traduzida: “Estamos de volta à fase zero. Estamos recomeçando do zero. Queremos garantir que todos sintam que este filme não se apoia em nada do passado.”
É uma declaração ambiciosa — e deliberadamente provocativa. Os Irmãos Russo não estão prometendo ignorar o que o MCU construiu em quinze anos. Estão prometendo que Doutor Destino vai funcionar como porta de entrada, como Vingadores de 2012 funcionou para quem não tinha visto todos os filmes anteriores.

Por que o MCU precisava desse recomeço agora?
A Saga do Multiverso entregou alguns dos maiores momentos da franquia — Homem-Aranha: Sem Volta para Casa e Deadpool & Wolverine são provas disso. Mas também acumulou uma dívida narrativa considerável: séries do Disney+ que se tornaram pré-requisitos, tramas do multiverso que raramente se conectaram de forma satisfatória, e um elenco tão expandido que nenhum personagem individual conseguiu sustentar o peso dramático que Tony Stark carregava sozinho.
O próprio Anthony Russo, em março de 2025, admitiu o diagnóstico com clareza: “O MCU ficou bem grande. Precisamos trazer de volta uma narrativa central. Isso era algo em que éramos muito específicos quando trabalhamos com a Marvel antes.” Essa declaração anterior torna o anúncio de “fase zero” mais do que retórica de marketing — é a aplicação prática de uma autocrítica que os diretores vinham construindo publicamente há pelo menos um ano.
Qual é o papel de Robert Downey Jr. nesse reinício?
A escolha de Robert Downey Jr. como Doutor Destino é o mecanismo narrativo mais elegante disponível para esse recomeço. Um ator que passou mais de uma década sendo o alicerce emocional do MCU como Tony Stark agora retorna como o antagonista — e isso por si só redefine o que o espectador espera de um filme de Vingadores.
Não é nostalgia. É subversão da nostalgia. O público que entrar em Vingadores: Doutor Destino carregando afeto por Stark vai se deparar com aquele mesmo rosto do outro lado da batalha. Esse desconforto é exatamente o tipo de aposta emocional que a Saga do Multiverso raramente conseguiu sustentar — e que a Saga da Infinidade acertou repetidamente com Thanos.
O que muda na prática para quem vai assistir Vingadores: Doutor Destino?
A declaração de “fase zero” sugere algumas consequências práticas, ainda que não confirmadas em detalhes pela Marvel:
- Menos dependência de lore acumulado — a proposta é que o filme se sustente sem exigir maratona prévia de séries e filmes da Saga do Multiverso
- Integração mais orgânica dos X-Men e do Quarteto Fantástico — sem precisar explicar como personagens de universos paralelos chegaram até ali
- Foco em narrativa central — em vez do modelo coral fragmentado que caracterizou parte da Fase 5
Vale lembrar que isso é o que os diretores descrevem como intenção. O filme estreia em 18 de dezembro de 2026, e só então será possível avaliar se a execução acompanha a promessa. Isso pode significar uma virada real para a franquia — ou pode ser apenas o enquadramento mais hábil de expectativas que a Marvel usou desde “Vingadores: Ultimato vai ser diferente de tudo que você já viu”.
Isso decreta o fim do sistema de Fases da Marvel?
Não necessariamente. A declaração dos Russos não elimina o modelo de Fases — elimina a dependência narrativa pesada que esse modelo acumulou. A diferença é importante: a Fase 1 também funcionava como “fase zero” no sentido de que cada filme precisava ser acessível. O que se perdeu nas Fases 4 e 5 foi exatamente essa acessibilidade, substituída por uma teia de referências cruzadas que premiava os espectadores mais dedicados e alienava os casuais.
O que os Russos estão propondo, segundo suas próprias palavras, é recuperar esse equilíbrio — e usar Vingadores: Doutor Destino como o ponto de calibração. Se funcionar, abre caminho para o que vem a seguir na chamada Saga dos Mutantes. Se não funcionar, pelo menos a franquia terá tentado o reset com o par de diretores que mais vezes provou que consegue executá-lo. Para quem quer entender como o MCU se reorganiza a partir daqui, este panorama sobre os times da Marvel após Doutor Destino oferece contexto útil sobre o que está sendo construído além do filme.
Fonte: thedirect.com









