Risa e o Telefone do Vento estreou hoje, 3 de junho de 2026, na Netflix — e chega com credenciais de festival que poucos filmes latino-americanos trazem. Vencedor dos prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor na 40ª edição do Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata, o drama argentino de Juan Cabral é uma fábula sobre luto, infância e o desejo impossível de falar uma última vez com quem partiu. Se você está procurando algo para assistir hoje e não tem medo de chorar, este é o filme.
O Que é Risa e o Telefone do Vento — Sinopse Completa
A trama acompanha Risa, uma garota de 10 anos que vive em uma região isolada de Ushuaia ao lado da mãe, Sara. Desde a morte do pai em um incêndio, a menina tenta lidar com a ausência enquanto enfrenta as mudanças da infância. Durante as férias escolares, ela passa boa parte do tempo sob os cuidados de Esteban, um vizinho que também enfrenta dificuldades pessoais.
É nesse período que Risa descobre uma antiga cabine telefônica aparentemente abandonada perto de casa. A cabine permite que ela ouça vozes de pessoas falecidas que buscam ajuda para resolver questões deixadas para trás. Aos poucos, Risa passa a acreditar que atender esses pedidos pode ser a única maneira de voltar a falar com seu pai.
A premissa parte de um objeto real — os telefones do vento nasceram no Japão e servem para que as pessoas “liguem” aos seus entes queridos falecidos. O primeiro foi criado pelo designer de jardins Itaru Sasaki, que o construiu para “falar” com um familiar falecido. Após o devastador terremoto e tsunami de Fukushima, Sasaki abriu o telefone do vento a outras pessoas, oferecendo um espaço para que quem estava de luto pudesse se comunicar com os que perderam. Juan Cabral pegou esse símbolo real e o transformou em fantasia — e o resultado é um dos filmes mais delicados do streaming de 2026.
O Que Torna Risa e o Telefone do Vento Especial

O filme propõe uma pergunta que atravessa toda a narrativa: como enfrentaríamos o luto se pudéssemos falar com quem já não está? Essa pergunta não é retórica — é o motor emocional de cada cena, e Juan Cabral tem o bom senso de não respondê-la com facilidade.
O que diferencia Risa de outros filmes sobre luto infantil é a perspectiva. A série não trata o luto de Risa como algo que precisa ser “resolvido” por um adulto. Risa encontra sua própria forma de lidar — uma forma que os adultos ao redor dela não compreendem e não conseguiriam replicar. Essa autonomia emocional da protagonista é rara no cinema para todas as idades.
Filmado em Ushuaia e em regiões da Terra do Fogo, no sul da Argentina, o longa usa o frio, o vento e as paisagens abertas como parte da emoção da história. O vento constante, a luz fria e o isolamento visual dão ao filme uma textura melancólica, como se cada paisagem também guardasse alguma memória.
Risa e o Telefone do Vento não é um filme sobre morte. É um filme sobre o que sobra depois dela — e sobre o que uma criança de 10 anos consegue fazer com essa sobra quando os adultos ao redor estão paralisados demais para ajudar.
Elenco Completo de Risa e o Telefone do Vento
Elena Romero como Risa
O filme é estrelado por Elena Romero, que interpreta a jovem protagonista. É ela quem carrega o filme inteiro nas costas — e o faz com uma naturalidade que raramente se vê em atores infantis. Romero não “atua” no sentido performático; ela simplesmente existe dentro do personagem, o que é exatamente o que esse tipo de história precisa.
Cazzu como Sara
O elenco também conta com Cazzu no papel de Sara, marcando a estreia da artista na atuação em longas-metragens. A cantora argentina — conhecida internacionalmente pela sua carreira musical e pela relação com Christian Nodal — surpreende na transição para o cinema. Sara é a mãe de Risa, uma mulher que perdeu o marido e ainda não encontrou forma de atravessar o luto junto com a filha.
Diego Peretti como Esteban
Diego Peretti vive Esteban, o vizinho que também enfrenta dificuldades pessoais. Peretti é um dos atores mais versáteis do cinema argentino e traz ao personagem uma humanidade quieta — alguém que entende Risa de uma forma que a própria mãe da menina ainda não consegue.
Joaquín Furriel como Rodrigo
Furriel interpreta Rodrigo — o pai de Risa, cuja presença no filme existe principalmente através da ausência e das memórias que Risa carrega. A performance é construída em economia: poucas cenas, muito peso.
Elenco de Suporte
O elenco ainda inclui Fabián Casas no papel de Augusto, Graciela Borges, Manuel Da Silva e Silvina Sabater. Graciela Borges — lenda do cinema argentino com mais de seis décadas de carreira — aparece em papel de suporte que a presença transforma em algo maior do que o roteiro previa.
Quem Fez Risa e o Telefone do Vento
A direção é de Juan Cabral, com roteiro de Pablo Minces e do próprio Cabral. A fotografia é de Leandro Filloy e a edição de Emiliano Fardaus. A trilha sonora original é assinada pela banda Babasónicos — uma das mais importantes do rock argentino — o que garante ao filme uma identidade sonora que vai muito além do convencional para dramas familiares.
Juan Cabral é reconhecido internacionalmente como um dos maiores diretores de publicidade e videoclipes da Argentina. Risa e o Telefone do Vento é sua segunda incursão no longa-metragem, após Two/One em 2020. A transição entre o mundo publicitário e o cinema pessoal é visível nas escolhas visuais do filme — enquadramentos precisos, uso do espaço como emoção, controle total da atmosfera.
Os Prêmios e o Circuito de Festivais
Antes de chegar à Netflix, Risa e o Telefone do Vento percorreu um circuito de festivais que raramente é alcançado por produções argentinas. O filme teve sua estreia mundial em 10 de novembro de 2025 na 40ª edição do Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata, na competição oficial argentina, onde conquistou os prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor.
Depois de Mar del Plata, o filme também foi premiado na França e em Estocolmo — confirmando que a história de Risa transcende o território argentino e fala com qualquer público que já perdeu alguém.
Risa e o Telefone do Vento Vale a Pena Assistir?
Sim — especialmente se você procura algo que trate o luto com a seriedade e a delicadeza que o tema merece. O filme é uma história sensível sobre perda, saudade e a forma particular como as crianças lidam com o que os adultos não conseguem explicar.
Não é um filme fácil. Não tem final conveniente e não tenta resolver em 97 minutos algo que a vida real não resolve em anos. O que tem é honestidade — e Elena Romero carregando essa honestidade em cada cena com uma naturalidade que vai fazer você esquecer que está assistindo a uma atriz.
Risa e o Telefone do Vento está disponível na Netflix a partir de hoje, 3 de junho de 2026, para todos os planos de assinatura no Brasil.









