Depois de faturar menos de US$ 4 milhões nos cinemas no fim de 2025, O Testamento de Ann Lee (The Testament of Ann Lee) desembarca no Hulu – e no Hub Hulu do Disney+ – em 31 de março de 2026. O longa indicado ao Globo de Ouro, estrelado por Amanda Seyfried e Lewis Pullman, ganhou novo trailer divulgado pela plataforma para avisar que o público finalmente poderá conferir o drama histórico no sofá de casa.
Com 137 minutos de duração e certificação “Fresh” de 86% no Rotten Tomatoes, o filme volta aos holofotes apoiado na recepção calorosa da crítica, mesmo tendo passado em branco no Oscar. A seguir, o Salada de Cinema destrincha as atuações, a direção e o roteiro que alimentam esse épico de época embalado por números musicais.
Lançamento silencioso nas telonas e salto para o streaming
Lançado em 25 de dezembro de 2025 nos Estados Unidos, O Testamento de Ann Lee teve um circuito limitado e pouco barulho nas bilheterias. A aposta de drama, história e música acumulou receita modesta, mas chamou atenção de premiações como Critics’ Choice, Golden Globes, Astra Film Awards e Gotham Film Awards.
Mesmo assim, a Academia de Hollywood ignorou completamente o longa na lista de indicados divulgada em 22 de janeiro. O reforço de visibilidade agora vem do streaming: a Disney resolveu reposicionar o título no catálogo do Hulu no mesmo mês em que outros suspenses, como Ballistic, também se preparam para ganhar o público online.
Atuação de Amanda Seyfried: novo ápice de carreira
No papel da visionária Ann Lee, fundadora da seita Shakers no século XVIII, Amanda Seyfried entrega uma performance considerada por muitos críticos como a mais potente de sua trajetória. A atriz, que já havia demonstrado talento vocal em Mamma Mia! e Les Misérables, combina fragilidade e firmeza ao mostrar as marcas de um passado traumático que orienta a busca da protagonista por uma comunidade utópica.
A caracterização austera, sustentada por olhares contidos e cantos quase litúrgicos, rendeu à intérprete indicações nas principais festas de premiação da temporada. A ausência do nome da atriz entre as concorrentes ao Oscar, portanto, foi vista como um dos grandes esnobes do ano.
Lewis Pullman e elenco de apoio trazem corpo e voz ao drama
Conhecido por Top Gun: Maverick, Lewis Pullman vive William, irmão e braço direito de Ann Lee. O ator costura lealdade familiar e desconfiança silenciosa num registro que equilibra a força arrebatadora de Seyfried. Além de atuar, Pullman também canta, reforçando a importância da trilha original no avanço da narrativa.
Imagem: Divulgação
O elenco reúne ainda Thomasin McKenzie, Matthew Beard, Christopher Abbott, Viola Prettejohn, Stacy Martin e Shannon Woodward, entre outros. Cada participação amplifica a atmosfera quase hipnótica apontada pelos críticos, com coros e canções que dão ritmo às discussões sobre fé, poder e comunidade. O single Clothed By the Sun, composto por Daniel Blumberg e interpretado pelo grupo em cena, foi lembrado em diversas premiações, embora tenha perdido o Critics’ Choice para “Golden”, de KPop Demon Hunters.
Roteiro, direção e o papel central da música
Dirigido por Mona Fastvold, indicada ao Oscar de roteiro em 2021, e escrito por ela em parceria com Brady Corbet (também produtor), o filme assume tom intimista ao retratar a formação de uma seita durante a Revolução Industrial. A câmera se mantém próxima aos rostos, reforçando o conflito interno dos personagens enquanto o ambiente rural parece cada vez mais isolado do mundo exterior.
A música funciona como coluna vertebral da obra. Ao longo dos 137 minutos, coros a cappella, percussões simples e letras baseadas em hinos shakers pontuam momentos de êxtase ou tensão. A orquestra minimalista conduzida por Blumberg faz com que a produção transcenda o rótulo de “drama de época” e flerte com musical folk, justificando o adjetivo “hipnótico” usado por tantos resenhistas.
Vale a pena assistir a O Testamento de Ann Lee?
Para quem procura um drama histórico fora dos padrões, embalado por canções espirituais e com atuações de alto nível, O Testamento de Ann Lee mostra-se uma adição relevante ao catálogo do Hulu. Mesmo ignorado pelo Oscar, o longa reúne elementos suficientes para fisgar o espectador em busca de narrativas que misturam fé, trauma e comunidade.
A chegada ao streaming em 31 de março amplia o alcance de um título que, nas palavras da crítica, merece ser descoberto sem pressa, de preferência com o volume alto para absorver cada acorde que ecoa pela utopia sonhada por Ann Lee.









