Quando o arco Modulo foi anunciado, os fãs de Jujutsu Kaisen acreditaram que as pontas soltas do mangá original seriam, enfim, amarradas. Ambientada décadas à frente, a nova saga trouxe personagens carismáticos, batalhas frenéticas e a chance de rever velhos conhecidos.
O resultado agradou pelo dinamismo, mas o encerramento abriu ainda mais mistérios. A seguir, relembramos as principais questões que continuam sem resposta e analisamos como direção e roteiro lidaram (ou não) com cada ponto pendente.
O salto temporal e o legado dos feiticeiros
Modulo avança várias décadas na linha do tempo do universo criado por Gege Akutami, permitindo observar o impacto — ou a falta dele — dos protagonistas originais no novo status quo da feitiçaria. A decisão criativa de pular tanto tempo ampliou a escala da narrativa, mas também exigiu explicações que o roteiro preferiu deixar no ar.
Esse movimento, conduzido pela equipe de roteiro, abre espaço para questionar escolhas de direção. Ao priorizar a ação, o seriado sacrifica contextualização, o que frustra parte do público interessado em detalhes históricos e evoluções de personagens icônicos.
As maiores perguntas sem resposta
Ainda que divertidíssimo, Modulo terminou sem tocar em fatos que motivaram inúmeras teorias de fãs. Abaixo, listamos as seis lacunas mais comentadas.
- A ausência de Aoi Todo
Mesmo confirmado vivo e em plena forma aos 80 anos, o carismático Todo não aparece em quadro. Sua ligação com Yuji foi crucial na história original, tornando estranha sua participação restrita a uma simples menção verbal. - O desaparecimento de Iori Okkotsu
Filho de Yuta e Maki, Iori some sem explicação, deixando os gêmeos Yuka e Tsurugi, protagonistas de Modulo, sem respostas sobre o paradeiro do pai. A obra sugere apenas que ele se frustrou ao comparar o poder dos feiticeiros de sua época aos lendários veteranos. - Como funciona, afinal, a técnica amaldiçoada de Maru
Conhecida como Chaos & Harmony, a habilidade permite ao alienígena distorcer leis da física e, teoricamente, fazer “o que quiser”. O anime mostra a técnica em ação, mas nunca explica limites, custo ou lógica interna, soando quase um recurso de roteiro para resolver conflitos. - Dabura vs. Mahoraga não teve vencedor
O embate era vendido como o clímax absoluto da minissérie: o maior feiticeiro da história contra a entidade adaptativa definitiva. No auge da luta, a tela escurece e tudo acaba sem desfecho, deixando o público sem saber quem prevaleceu ou quais foram as consequências. - O paradeiro do último dedo de Sukuna
Item central da trama original nem sequer é citado. Muitos esperavam que a relíquia motivasse o retorno do Rei das Maldições, mas o roteiro decidiu ignorar a peça, gerando especulações sobre uso futuro — ou simples esquecimento. - Os poderes completos e o Domínio de Yuji
Yuji Itadori surge vivo e respeitado como lenda, porém continua sem demonstrar seu potencial total. O público vê apenas lampejos de força, enquanto a tal Expansão de Domínio permanece um mistério, repetindo a frustração do mangá.
Direção, roteiro e ritmo da minissérie
Comandada por uma equipe que trabalhou na fase anterior do anime, Modulo mantém a assinatura visual de lutas fluidas, cores vibrantes e coreografias detalhadas. A direção de ação entrega duelos espetaculares, compensando, em parte, a falta de respostas narrativas.
Já o roteiro opta por suspense constante, mas peca ao não recompensar a expectativa criada. A prática de levantar mistérios sem conclusões tangíveis lembra casos de outras produções shonen que arriscaram alto e dividiram opiniões — como debatemos quando Dragon Ball Super expôs falhas estratégicas de Goku.
Imagem: Divulgação
Reação do público e impacto na franquia
A recepção foi majoritariamente positiva quanto aos novos personagens, sobretudo Maru, que cativou mesmo sem ter sua técnica destrinchada. Fãs antigos, no entanto, ainda cobram amarrações. Discussões em fóruns giram em torno de possíveis capítulos extras ou de uma continuação focada justamente nesses ganchos.
A popularidade de Jujutsu Kaisen segue alta nas redes sociais, impulsionada por iniciativas que mantêm a marca em evidência. Um bom exemplo é o quiz Animeji que desafia o leitor a adivinhar animes por emojis, reforçando o apelo cultural da obra entre diferentes públicos.
Vale a pena assistir Jujutsu Kaisen: Modulo?
Para quem valoriza coreografias impecáveis e novos rostos no universo de maldições, a minissérie é diversão garantida. A química entre os gêmeos Yuka e Tsurugi e figuras excêntricas como Maru sustenta a trama, mesmo quando o enredo deixa pontas soltas.
Por outro lado, espectadores que buscam respostas definitivas poderão sentir um déjà vu: assim como na obra original, diversos mistérios seguem na gaveta, incluindo o destino de Todo e o lendário dedo remanescente de Sukuna. Essa estratégia pode cansar quem espera conclusões objetivas.
No saldo final, Modulo expande o mundo de Jujutsu Kaisen, mantém o espetáculo visual e alimenta a conversa entre fãs — ingredientes suficientes para justificar a maratona, ainda que o roteiro deva favores a quem o acompanha desde o início. O Salada de Cinema segue de olho nos próximos capítulos dessa indefectível saga de exorcistas.









