Depois de meses construindo tensão, Jujutsu Kaisen Modulo chega ao seu ponto de ebulição no Capítulo 23. O novo segmento confirma que a minissérie realmente se aproxima do encerramento, encapsulando conflitos centrais sem perder ritmo.
Com roteiro de Gege Akutami e Yuji Iwasaki, o mangá se mantém enxuto, mas o penúltimo ato deixa claro que não haverá extensão além do plano inicial. A seguir detalhamos como o capítulo redefine estratégias, interrompe um grande duelo e posiciona Maru e Yuji Itadori na linha de frente dessa reta final.
O clímax anunciado: estrutura e ritmo
Desde as primeiras páginas, o Capítulo 23 abraça um tom conclusivo. A narrativa, que já vinha acelerada, elimina pontas soltas e reforça a sensação de urgência. Akutami e Iwasaki apostam em transições rápidas de cenário, mantendo o leitor em alerta enquanto introduzem os gatilhos do desfecho.
Esse dinamismo, no entanto, sacrifica momentos de contemplação que costumam aprofundar emoções. A opção pode dividir opiniões, mas serve ao propósito de uma série planejada para ser curta. A arte sustenta a tensão com painéis que alternam closes carregados de expressão e sequências amplas de ação sobrenatural.
A nova estratégia de Yuji Itadori
O capítulo retoma o debate sobre como extinguir espíritos amaldiçoados no Japão. Até então, duas soluções dominavam a conversa: erradicar por completo a energia amaldiçoada dos feiticeiros ou transformar toda a população em usuários capazes de controlá-la. Ambas se mostram insuficientes segundo Yuji Itadori.
O protagonista propõe limitar o fluxo de energia nos feiticeiros, enquanto Maru utiliza sua técnica para alterar a “cor” das almas dos Espíritos Amaldiçoados, distinguindo-os dos Kalyans. Caso funcione, o plano reduzirá o surgimento anual de maldições e evitará novos choques entre terráqueos e rumelianos. A discussão ecoa temas de responsabilidade coletiva, semelhantes aos dilemas enfrentados pelos Tensen em Hell’s Paradise.
O duelo interrompido: Dabura vs. Mahoraga
Boa parte da expectativa dos fãs estava no confronto entre Dabura e Mahoraga. Com domínio expandido, Dabura aparentava vantagem definitiva, mas a interferência de Maru mudou o curso dos eventos. Usando a mesma técnica que já havia envolvido Yuji, ele puxa Dabura para fora da luta, sinalizando evolução na própria moralidade.
Imagem: Rei Penber/GameRant
A reviravolta, apesar de coerente com o arco de Maru, frustra quem aguardava um clímax de ação. Para acrescentar à confusão, o roteiro revela que Dabura viajou até a África, recuperou a Black Rope — antes destruída — e quebrou a maldição sobre sua irmã. Com esses objetivos cumpridos, os dois deixam a Terra rumo a Simuria, encerrando a participação do personagem mais carismático introduzido nesta fase.
Maru assume o protagonismo da mudança
Mesmo com a presença constante de Yuji Itadori, é Maru quem executa o passo decisivo. Adaptando a técnica de Transfiguração Ociosa, ele inicia a alteração em massa das almas dos Espíritos Amaldiçoados, além de reduzir a energia acumulada em humanos e rumelianos. O procedimento, entretanto, não chega a conclusão neste capítulo, mantendo a atmosfera de “tudo pode dar errado”.
O protagonismo de Maru reforça a dualidade entre poder destrutivo e capacidade de cura, temática que já havia rendido algumas das técnicas mais ousadas vistas em Jujutsu Kaisen. A ausência de Yuji nas páginas finais sugere que o herói foi cuidar de uma missão paralela vital, informação que deve ser esclarecida apenas no próximo volume.
Vale a pena acompanhar o fim de Jujutsu Kaisen Modulo?
Com o Capítulo 23, Jujutsu Kaisen Modulo confirma o tom de reta final e entrega mudanças significativas no status quo. Embora a interrupção do combate principal cause decepção, a ousadia estrutural de Gege Akutami e Yuji Iwasaki mantém o interesse alto. Para leitores que valorizam conclusões enxutas e foco em estratégia sobre ação, a leitura continua obrigatória.
Faltando apenas dois capítulos, a série promete responder às dúvidas sobre o destino de Yuji, Mahoraga e Yuka Okkotsu. Resta saber se haverá tempo hábil para amarrar todos os nós, mas, pelos indícios oferecidos, o mangá deve encerrar este arco de forma coesa, deixando espaço para futuros projetos no universo criado por Akutami — algo que o próprio autor já demonstrou querer explorar. Um acompanhamento que o Salada de Cinema seguirá de perto.









