Os motores de dobra ainda não foram desligados para o universo criado por Gene Roddenberry. Mesmo com Star Trek: Strange New Worlds entrando na reta final de pós-produção, a equipe por trás da série já entregou um novo projeto à Paramount+: Star Trek: Year One, derivado focado no primeiro ano do capitão James T. Kirk a bordo da USS Enterprise.
Henry Alonso Myers, produtor executivo e corroteirista de Strange New Worlds, confirmou a informação durante o tapete vermelho do 53º Saturn Awards. Segundo ele, o material de apresentação está completo e nas mãos do estúdio. A permanência dos cenários erguidos em Toronto reforça o interesse imediato da plataforma em acelerar uma eventual ordem de produção.
Paul Wesley assume o centro da ponte
A proposta de Star Trek: Year One gira em torno da performance de Paul Wesley como James T. Kirk. Introduzido com cautela na segunda temporada de Strange New Worlds, o ator recebeu elogios ao equilibrar respeito ao legado de William Shatner com uma energia própria — mais contida, mas igualmente carismática. Myers destaca que “há muito amor” pelo trabalho de Wesley, apontando a recepção calorosa ao episódio “The Sehlat Who Ate Its Tail” como prova de conceito.
Em cena, Wesley encontra química imediata com Ethan Peck, intérprete de Spock, e esse bromance foi crescendo ao longo da terceira temporada. O entrosamento ajuda o público a aceitar uma transição de comando da nave, tornando crível que Kirk assuma o lugar deixado por Christopher Pike (Anson Mount). A ideia, portanto, não é reviver capítulos históricos de 60 anos atrás, mas mostrar desafios inéditos enfrentados pelo jovem capitão, algo que o ator demonstrou saber carregar nos ombros.
Direção e roteiro querem manter o DNA de Strange New Worlds
Ao lado de Akiva Goldsman — parceiro de showrunning em Strange New Worlds —, Myers preparou um dossiê que inclui linhas narrativas, bible de personagens e planejamento visual. Os dois buscaram manter a estrutura episódica que definiu a série-mãe: aventuras fechadas com forte investimento em construção de mundo, contemplando ficção científica clássica e pitadas de humor.
Os roteiros iniciais devem ficar novamente sob os cuidados de David Reed e Bill Wolkoff, dupla responsável pelo capítulo que colocou Kirk na cadeira de capitão da Farragut. A direção do piloto, ainda sem contrato assinado, tende a permanecer com Valerie Weiss, garantindo coesão estética. Ao apostar nessa continuidade, o estúdio preserva o tom otimista que rendeu comparações positivas com a fase inicial de Jornada nas Estrelas — assunto, aliás, explorado na análise publicada pelo Salada de Cinema.
Cenários intactos e cronograma apertado
Gravada no CBS Stages Canada, em Mississauga, Strange New Worlds mantém até hoje o convés principal, os corredores e as cabines da Enterprise. A manutenção desses sets custa caro, motivo pelo qual o estúdio precisa decidir logo se avança com Star Trek: Year One. “Nada foi demolido”, disse Myers, lembrando que o aluguel dos galpões influencia diretamente o orçamento.
Imagem: Divulgação
Outro ponto de pressão é o hiato de produções Trek: pela primeira vez em uma década, não há série filmando neste momento. Enquanto a pós-produção das temporadas quatro e cinco de Strange New Worlds ocupa a equipe pelos próximos 18 meses, Academy já encerrou seu primeiro ciclo. Esse vazio de calendário reforça a importância estratégica do derivado, que poderia ocupar a vitrine da Paramount+ no verão do hemisfério norte.
Elenco de apoio alimenta expectativas
A inclusão de Thomas Jane como Dr. Leonard “Bones” McCoy e Kai Murakami como Hikaru Sulu na season finale de Strange New Worlds acendeu especulações: seria só participação especial ou preparação para algo maior? Myers não confirma, mas a escolha de nomes de peso sugere planejamento de longo prazo. Afinal, dificilmente um estúdio escala um ator como Jane para um único episódio sem perspectiva de retorno.
Se confirmada, a série contaria ainda com Celia Rose Gooding (Uhura), Jess Bush (Christine Chapel) e Martin Quinn (Scotty), todos apresentados e bem recebidos pelo público. O objetivo é formar o núcleo clássico antes de “Onde Nenhum Homem Jamais Esteve”, piloto da série original. A abordagem, portanto, privilegia o desenvolvimento de relações interpessoais, algo que Strange New Worlds mostrou dominar ao investir em diálogos afiados e momentos de intimidade emocional.
Vale a pena ficar de olho?
Para quem aprovou a energia retrofuturista de Strange New Worlds, Star Trek: Year One soa como evolução natural. Mantém elenco afiado, preserva cenários caros e explora um período pouco visitado na cronologia. Com o material de pitch finalizado e “muito amor” declarado pela Paramount+, resta aguardar a luz verde definitiva para que a nova missão da Enterprise decole.









