Quem aguardava ver o carismático raposão Robin Hood ganhar carne, osso e CGI pode guardar o arco e flecha de volta na bolsa. O diretor Carlos López Estrada confirmou que o projeto live-action, anunciado com pompa em 2020, não vai mais sair do papel.
O cineasta revelou a notícia durante uma sessão de perguntas no Reddit, colocando ponto final em três anos de silêncio do estúdio. A seguir, detalhamos por que a iniciativa foi descartada, como seria o longa e o que o cancelamento diz sobre o momento da Disney.
O que motivou o cancelamento do remake de Robin Hood?
O remake de Robin Hood começou a ser desenvolvido em pleno auge da pandemia, época em que a Disney apostava alto em longas exclusivos para o Disney+. A ideia era repetir a estratégia de A Dama e o Vagabundo, que chegou direto ao streaming em 2019.
Com o avanço de 2023, porém, a companhia mudou de rota. Produções originais perderam espaço para lançamentos pensados primeiro para o cinema, numa revisão de gastos que também engavetou filmes como o suspense Dawn of the Jedi. Nesse cenário, a aventura do fora-da-lei de Nottingham acabou sendo cortada do calendário.
Como seria a nova versão de Robin Hood no Disney+
Segundo informações divulgadas na época do anúncio, o longa misturaria atores reais e personagens gerados por computador, mantendo o conceito de animais antropomórficos que tornou o desenho de 1973 um cult. A narrativa seguiria Robin Hood, sua inseparável dupla João Pequeno e, claro, o ganancioso Príncipe João.
Diferentemente de adaptações mais sóbrias, o roteiro de Kari Granlund adotaria formato musical, com canções inéditas. Estrada, em seu comentário no Reddit, ressaltou que havia “músicas extraordinárias” já esboçadas, o que indica uma trilha capaz de dialogar com clássicos como Oo-De-Lally, presente na animação original.
Carlos López Estrada, equipe criativa e a música inédita
Responsável por Blindspotting e pela codireção de Raya e o Último Dragão, Estrada foi a escolha da Disney para comandar a releitura de Robin Hood justamente por sua facilidade em unir ritmo urbano, sensibilidade cômica e sequências de ação fluidas. Sua saída da Disney em 2022, porém, já sinalizava turbulência nos bastidores.
O cineasta trabalhava ao lado da roteirista Kari Granlund, que havia modernizado A Dama e o Vagabundo, e do produtor Justin Springer, ligado a TRON: O Legado. Juntos, desenhavam um filme que equilibraria humor leve, crítica social e set pieces musicais. Ao comentar a morte do projeto, Estrada disse “sonhar acordado” em retomar a ideia de forma independente, mas com personagens diferentes.
Imagem: Divulgação
A fala reforça que o maior diferencial da proposta era, justamente, a trilha. A equipe teria montado números musicais que, nas palavras do diretor, soavam “originais” dentro do universo Disney. Infelizmente, o público não vai testemunhar como esse repertório casaria com raposas dançarinas ou ursos tocando alaúde.
Impacto na estratégia da Disney e futuro de adaptações
O cancelamento de Robin Hood se soma a uma lista crescente de projetos suspensos enquanto a Disney reprioriza o cinema tradicional. Nos bastidores, a ordem é concentrar verba em marcas de retorno garantido, como as franquias Marvel e Star Wars — tema que, inclusive, ganhou destaque nos bastidores de Star Wars: Starfighter, outra produção em compasso de espera.
A animação de 1973 continua disponível no catálogo e, graças ao carisma dos animais falantes, permanece relevante para novas gerações. Por isso, não seria surpresa se o Salada de Cinema noticiar, num futuro próximo, que a Disney ressuscitou a ideia com outra equipe. O estúdio já fez isso ao retomar Enrolados após uma pausa motivada pelo fraco desempenho de Branca de Neve (2025).
Vale a pena rever o clássico Robin Hood de 1973?
Com apenas 83 minutos, Robin Hood mantém ritmo ágil, humor que não envelheceu e canções que colam na cabeça. A dublagem brasileira, por sinal, é lembrada com carinho pelos fãs. Para quem deseja matar a saudade ou apresentar a lenda aos pequenos, o filme segue disponível no Disney+.
E, enquanto o live-action não sai, vale prestar atenção ao trabalho vocal de Peter Ustinov como o patético Príncipe João e de Phil Harris no papel do divertido João Pequeno. A combinação continua irresistível, provando que, às vezes, a animação original ainda é o melhor tesouro escondido na floresta de Sherwood.



