Bob Esponja está de malas prontas para invadir as telas dos assinantes de streaming. Depois de bater a marca de 165 milhões de dólares nos cinemas no fim de 2023, O Filme Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada (The SpongeBob Movie: Search for SquarePants) estreia amanhã, 17 de fevereiro, no Paramount+ para Estados Unidos e Canadá.
A animação, quarta incursão cinematográfica da série criada por Stephen Hillenburg, já estava disponível para compra e aluguel digital desde 20 de janeiro. O lançamento em Blu-ray e DVD fica para 31 de março, completando o giro comercial de um longa que custou 64 milhões e praticamente triplicou o investimento.
Bilheteria expressiva e chegada ao streaming
Lançado nos cinemas em 19 de dezembro, Em Busca da Calça Quadrada mostrou fôlego ao competir com produções de fim de ano e ainda assim fechar o período natalino na casa dos nove dígitos. O desempenho mundial de 165 milhões colocou o título como uma das maiores arrecadações entre animações familiares do período, reforçando o apelo intergeracional de Bob Esponja.
Com o serviço Paramount+ correndo para capitalizar o interesse, a janela de exclusividade nos cinemas durou pouco menos de dois meses. A estratégia espelha movimentos recentes do estúdio, citado em negociações de mercado sobre novas alianças de distribuição, e busca transformar o buzz teatral em novos assinantes. Para o público brasileiro, a plataforma ainda não divulgou data oficial.
Trama enxuta mantém ritmo de piadas a cada segundo
O enredo escrito por Pam Brady e Matt Lieberman — a partir de história concebida pelos veteranos Marc Ceccarelli e Kaz — aposta na simplicidade: Bob Esponja quer provar valentia ao Sr. Siriguejo e decide caçar o temido Holandês Voador nas profundezas mais sombrias do oceano. O pretexto é suficiente para encadear uma sucessão de gags visuais, trocadilhos e referências à cultura pop que nunca deixam a narrativa esfriar.
Com 96 minutos de duração, o diretor Derek Drymon — que já dirigiu episódios clássicos da série — mantém o mesmo “fôlego de maratona” que consagrou o desenho original. A vibração colorida se alia a um CGI polido, sem abandonar os traços cartunescos 2D, gerando um híbrido que sustenta o olhar tanto de crianças quanto de adultos saudosos.
Direção e roteiro: fidelidade ao espírito de Hillenburg
Drymon demonstra domínio do material-fonte ao equilibrar nostalgia e frescor. Não há grandes experimentações formais, mas os enquadramentos dinâmicos e a montagem acelerada garantem que cada piada seja visualmente clara, algo fundamental em um humor construído na cadência do “piada por segundo”. A decisão de centralizar a jornada na prova de coragem de Bob mantém a história acessível para novos espectadores, sem depender de conhecimento prévio da série.
No texto, Brady e Lieberman evitam a armadilha do excesso de referências internas. Enquanto Patrick, Lula Molusco e Sandy aparecem em subtramas curtas, o foco permanece na dupla Bob/Holandês. Essa escolha reforça o arco de amadurecimento — ainda que suave — do personagem-título, sustentando a avaliação positiva da crítica: 80 % de aprovação no Rotten Tomatoes, que destacou a “mensagem afetuosa costurada à tolice bem-humorada”.
Imagem: Captive Camera
Elenco de vozes entrega energia de sobra
Tom Kenny volta a interpretar Bob Esponja e, sem surpresa, dita o ritmo frenético ao alternar agudos desajeitados e exclamações eufóricas. Clancy Brown mantém a carranca cômica do sempre ganancioso Sr. Siriguejo, enquanto Rodger Bumpass dá a Lula Molusco o tédio necessário para funcionar como contraponto sarcástico. O trio principal permanece afinado, e isso sustenta a base emocional da comédia.
As novidades ficam com Mark Hamill, que assume o Holandês Voador no lugar de Brian Doyle-Murray. O ator injeta teatralidade sombria sem esquecer o tom farsesco, tornando o pirata fantasma tão carismático quanto intimidador. Já a rapper Ice Spice faz participação breve, mas seu timbre distinto ajuda a pontuar momentos musicais que quebram a ação. Regina Hall, George Lopez, Arturo Castro e Sherry Cola completam o elenco, oferecendo variedade de sotaques e personalidades — ingrediente vital em um universo subaquático que se alimenta justamente de exagero. A escolha de veteranos, como Hamill, relembra a prática de escalar atores com longa carreira, a exemplo do saudoso Robert Duvall, pelo impacto que nomes icônicos exercem sobre o marketing de um filme.
Vale a pena assistir Em Busca da Calça Quadrada?
Para quem busca humor pastelão aliado a animação fluida, a resposta tende a ser positiva. A produção entrega exatamente o que promete: piadas rápidas, estética vibrante e duração enxuta. O ritmo não deixa espaço para distrações e faz do longa uma escolha segura para sessões familiares ou maratonas nostálgicas.
O destaque vocal de Mark Hamill dá novo tempero ao antagonista, enquanto Ice Spice incrementa a trilha, garantindo curiosidade extra para fãs de dublagens estreladas. Mesmo quem não acompanha a série regularmente consegue entender a premissa e embarcar na jornada, graças ao roteiro independente.
Com a estreia no Paramount+ aproximando-se, Em Busca da Calça Quadrada reforça o portfólio de animações do serviço e, de quebra, mantém viva a tradição de Bob Esponja nos cinemas. O Salada de Cinema segue de olho nos próximos mergulhos desse calça quadrada mais famoso do fundo do mar.



