Bridgerton voltou a dominar as conversas entre fãs de dramas de época com a chegada da quarta temporada. O centro das atenções agora é Benedict Bridgerton, segundo filho da família, que assume o protagonismo do novo romance.
O buzz, porém, veio acompanhado de reações divididas: enquanto parte do público vibrou com o tom espirituoso do início da temporada, outra parcela estranhou a guinada brusca no comportamento de Benedict. A repercussão foi potencializada pelo trailer de Parte 2, previsto para 26 de fevereiro de 2026, que promete um percurso turbulento rumo ao já conhecido caminho do “libertino reformado”.
Arco repetido: a direção insiste no mesmo conflito
Desde o primeiro episódio da temporada, a produção deixa claro que Benedict será rotulado como o mais novo libertino da alta sociedade. A decisão surpreende porque, até aqui, o personagem de Luke Thompson se destacava pelo espírito livre, focado em arte e experimentações sociais, não pela frieza típica de um sedutor displicente.
Transformar repentinamente esse artista sonhador em alguém capaz de propor que uma dama seja sua amante soa forçado. A direção, ao buscar tensão extra, abandona nuances estabelecidas ao longo das fases anteriores. O resultado é um arco de redenção que se sobrepõe à intrigante trama “Cinderela” que havia sido plantada e, por si só, já entregaria conflito e romantismo suficientes.
Roteiro preso ao clichê do “libertino reformado”
A famosa fala de Lady Penwood — “libertinos reformados fazem os melhores maridos” — resume o mantra que os roteiristas parecem repetir à exaustão. A fórmula funcionou com Simon, prendeu atenção com Anthony e ainda passou ilesa quando Colin ressurgiu viajado e autoconfiante. Agora, porém, o desgaste é evidente.
O problema não reside no trope em si, mas na frequência. Três variações desse mesmo conflito já deram aos espectadores a sensação de déjà-vu. Sem inovação, a narrativa corre o risco de transformar cada herdeiro Bridgerton em mera peça de um molde narrativo, diminuindo a individualidade que antes os tornava tão carismáticos.
Atuações: elenco mantém charme, mas sofre com mudanças bruscas
Luke Thompson traz energia leve e debochada a Benedict, talento que o público conhece desde a estreia da série. Quando o roteiro exige que ele adote posturas mais frias, a transição fica abrupta, mas o ator se esforça para tornar verossímeis as oscilações. Ainda assim, o espectador sente falta da consistência vista nas temporadas anteriores.
Imagem: LIAM DANIEL/NETFLIX
O restante do elenco de apoio continua eficaz, reforçando a reputação da série em escalar nomes que alternam veteranos e novatos — estratégia parecida com a aposta de Fourth Wing, da Prime Video. Figurinos exuberantes e trilha com versões clássicas de hits pop seguem impecáveis, garantindo a atmosfera luxuosa que virou marca registrada da produção.
Direção de arte impecável x construção dramática desgastada
Visualmente, Bridgerton continua um banquete: paletas vibrantes, cenários detalhados e coreografias de baile que prendem o olhar. A direção de arte sustenta o glamour da Regência inglesa, mesmo quando o texto derrapa. Esse cuidado técnico ajuda a explicar por que a série permanece no topo das listas da Netflix.
Contudo, a condução dramática parece temer ousar em estruturas narrativas. A segurança de repetir fórmulas contrasta com séries que elevam o risco criativo, caso da elogiada Star Wars Rebels, que se reinventou depois de The Clone Wars. Bridgerton, por sua vez, prefere o conforto do conhecido, mesmo que, para isso, deixe personagens menos coerentes.
Vale a pena assistir?
Para quem busca romance leve, diálogos espertos e cenários estonteantes, a quarta temporada de Bridgerton ainda entrega entretenimento acima da média. Entretanto, a insistência no clichê do “libertino reformado” cria fadiga e diminui o impacto emocional, algo que Salada de Cinema observa com preocupação para o futuro da franquia.
Com Parte 2 marcada para 26 de fevereiro de 2026, resta acompanhar se os roteiristas encontrarão frescor suficiente para concluir a jornada de Benedict sem repetir novamente o que já vimos — três vezes — em romances anteriores da família mais comentada da Netflix.



