Quando a transmissão da final da AFC entrou no intervalo, Christopher Nolan usou as câmeras da NFL como trampolim para revelar mais um fragmento de The Odyssey, superprodução que adapta o poema clássico de Homero. Bastaram poucos segundos de tela para Travis Scott, em sua estreia no cinema, virar trending topic e elevar ainda mais a temperatura em torno do projeto.
A prévia mostra o músico sobre uma mesa no meio de soldados, lançando frases que resumem a essência da saga: “Uma guerra, um homem, um truque”. O impacto foi imediato, mas o trailer também adiantou encontros entre Tom Holland, Jon Bernthal e Matt Damon, escalados para dar vida aos heróis gregos que tentarão voltar para casa depois do cerco de Troia.
Aposta ousada de Nolan ao escalar Travis Scott
Embora já tenha colaborado com o diretor ao criar a faixa The Plan para Tenet, Travis Scott nunca havia encarado as câmeras como ator. Nolan o coloca logo no centro da ação em The Odyssey e, pelo pouco que se vê, a escolha mira um contraste entre a energia contemporânea do rapper e a grandiosidade do épico.
No trailer, Scott assume postura de contador de histórias, conduzindo a atenção dos guerreiros com gestos calculados. A performance promete dialogar com a oralidade da obra de Homero, em que narradores recitavam versos aos ouvintes. A aura mítica, portanto, ganha frescor pop, recurso que lembra estratégias recentes de blockbusters modernos, como a reinvenção de atores em gêneros inesperados — algo semelhante ocorreu quando Keanu Reeves transitou do suspense para o baseball em Hardball, que acaba de chegar ao streaming reforçando sua versatilidade.
Elenco estelar sustenta o peso da lenda
À frente do grupo está Matt Damon, encarregado de encarnar o astuto Odisseu. O ator, habituado a papéis que exigem carisma e estratégia, volta a trabalhar com Nolan após Interestelar. Anne Hathaway ressurge como Penélope, esposa que mantém o trono de Ítaca enquanto o marido enfrenta monstros e deuses.
Tom Holland, interpretando Telêmaco, expõe a juventude do herdeiro ainda à procura de seu lugar. Já Jon Bernthal aparece como Menelau, guerreiro marcado pela brutalidade do conflito. A união desses perfis complementares sugere que The Odyssey apostará na dinâmica entre gerações, algo que costuma interessar ao público do Salada de Cinema.
Roteiro adapta mito para o grande ecrã
Christopher Nolan assina o roteiro ao lado do próprio Homero, creditado simbolicamente, já que a base vem do poema original. A narrativa cobre o retorno de Odisseu após dez anos de guerra, enfrentando o ciclope Polifemo, sereias hipnotizantes e a ira dos deuses. O material oferece terreno fértil para a clássica mistura de física prática e efeitos visuais que caracteriza a filmografia do diretor.
Imagem: Divulgação
Em termos de ritmo, o trailer indica cortes rápidos, viagens entre cenários desérticos e planos aquáticos, remetendo à imersão sensorial vista em produções de desastre como Cloverfield, cujo elenco foi testado em meio ao caos — experiência lembrada recentemente com a volta do filme ao streaming. A expectativa é que Nolan mantenha a tradição de mesclar IMAX com fotografia analógica, recursos que amplificam a escala do mito.
Lançamento, produção e mistério em torno da trama
The Odyssey tem estreia agendada para 17 de julho de 2026, com produção de Emma Thomas e do próprio Nolan. Apesar do novo trailer, grande parte da história continua guardada, estratégia comum do cineasta para fomentar debate nas redes e evitar spoilers.
No campo técnico, a fotografia deve ficar a cargo de Hoyte van Hoytema, parceiro de longas datas. Já a trilha sonora ainda não foi confirmada, mas a presença de Travis Scott como ator pode indicar participação musical, reforçando a sinergia entre imagem e som — abordagem semelhante à vista em filmes que exploram artistas multifacetados, caso de Mercy, onde Chris Pratt contracena com IA revivendo química com colegas de comédia.
Vale a pena ficar de olho?
A prévia não entrega respostas definitivas, mas confirma a reunião de um elenco de peso, técnicas de filmagem ambiciosas e a ousadia de integrar um astro do rap à mitologia grega. Para quem acompanha a crescente filmografia de Nolan, The Odyssey surge como capítulo natural na evolução de suas narrativas complexas e de seu fascínio por temas temporais.
Com mais de dois anos até a estreia, o filme já sustenta debates sobre fidelidade ao texto clássico e sobre a performance de Travis Scott. Se o diretor repetir o sucesso de Tenet e Dunkirk, o público encontrará um espetáculo audiovisual tão vasto quanto os mares que Odisseu precisa atravessar.



