A aventura mitológica de Percy Jackson alcançou um novo patamar no sétimo capítulo da 2ª temporada, quando o seriado finalmente levou às telas um dos personagens mais queridos dos livros de Rick Riordan: o pégaso Blackjack. A aparição, aguardada por leitores de longa data, veio recheada de ação, efeitos visuais competentes e uma dinâmica que promete render ainda mais nas próximas temporadas.
Apesar da recepção calorosa, o momento também expôs uma lacuna que incomodou parte do público: o cavalo alado não tem voz na adaptação do Disney+. Nos romances, o animal é sarcástico, irreverente e faz parte do alívio cômico que equilibra as batalhas de semideuses. Sem esse elemento, a apresentação do personagem perde parte do charme original.
O impacto da chegada de Blackjack em Percy Jackson 2ª temporada
A introdução de Blackjack ocorre no mesmo instante em que Percy (Walker Scobell), Annabeth (Leah Sava Jeffries) e Grover concluem a arriscada missão de recuperar o Velocino de Ouro a bordo do iate Princess Andromeda. Livre das correntes que o prendiam, o pégaso imediatamente reconhece a ascendência divina de Percy — afinal, Poseidon é considerado criador dos cavalos — e embarca na fuga dos heróis.
A cena serve, antes de tudo, para reforçar a importância do protagonista como líder nato. Enquanto Clarisse, interpretada por Dior Goodjohn, assume a responsabilidade de levar o Velocino de volta ao Acampamento Meio-Sangue nos ombros (ou melhor, nas asas) do pégaso, Percy demonstra empatia com a criatura, cimentando um vínculo que os leitores sabem ser duradouro. Esse momento eleva a tensão da trama ao mesmo tempo em que abre espaço para novos desdobramentos na eventual 3ª temporada.
Atuações que seguram a narrativa
Walker Scobell volta a exibir um equilíbrio interessante entre heroísmo juvenil e vulnerabilidade. A interação dele com o pégaso, mesmo sem ouvir respostas verbais, é sustentada por olhares rápidos e comentários que soam naturais, demonstrando que o ator entende a magnitude do vínculo apresentado nos livros.
Leah Sava Jeffries, por sua vez, imprime senso de urgência a Annabeth. Suas reações ao perigo dentro do iate comandado por Luke (Charlie Bushnell) reforçam a inteligência estratégica da personagem. O trio protagonista tem energia contagiante, e o elenco de apoio, ainda que apareça menos, mantém coesão: Dior Goodjohn traz firmeza militar a Clarisse; Charlie Bushnell acentua a antagonia de Luke com doses de carisma sombrio.
Vale sublinhar que, mesmo em participações pontuais, o pégaso digital mostra-se convincente. Os efeitos visuais integram o animal ao cenário sem destoar, mérito tanto dos supervisores de CGI como também de Scobell, que reage de forma crível a algo inexistente no set.
Direção e roteiro: acertos e deslizes do episódio
James Bobin, responsável pela direção, equilibra bem momentos de respiro com sequências de ação. O resgate de Blackjack é rápido, mas não apressado, permitindo que o público absorva a grandiosidade do animal. As coreografias de luta a bordo do Princess Andromeda mantêm a câmera próxima dos atores, transmitindo urgência sem transformar tudo em uma colcha de retalhos visual.
Imagem: Divulgação
Já o roteiro assinado por Joe Tracz e Andrew Miller segue fiel ao esqueleto da mitologia criada por Riordan, porém escorrega ao optar pelo silêncio de Blackjack. Nos livros, o pégaso quebra protocolos de reverência ao chamar Percy de “chefe” em vez de “mestre”, e esse detalhe carismático fica de fora. Para parte dos fãs — e para leitores do Salada de Cinema — a decisão pode soar como oportunidade desperdiçada, sobretudo em uma produção que já mostrou bom timing cômico em episódios anteriores.
Mesmo assim, o episódio não perde ritmo. A meta principal — retornar com o Velocino antes que a árvore de Quíron sucumba — permanece clara, e os diálogos dão conta de explicar motivações sem recorrer a longos monólogos expositivos. A fotografia, com tons azulados dentro do iate, contrasta bem com o dourado do Velocino, reforçando visualmente o objeto de desejo.
Expectativas para a 3ª temporada e possíveis soluções
Uma vez apresentado, Blackjack tende a ganhar espaço em arcos futuros, algo que o próprio Rick Riordan destacou em entrevistas. Para que o pégaso alcance seu potencial, a série pode seguir dois caminhos simples. O primeiro é conceder voz à criatura, algo tecnicamente viável e que abriria margem para casting de dublagem tão icônico quanto Bradley Cooper foi para Rocket Raccoon.
O segundo caminho é implicar, de forma mais clara, a comunicação empática entre Percy e cavalos — habilidade herdada de Poseidon. Bastaria inserir legendas na “fala” do pégaso ou permitir que o público ouça as respostas dele somente quando a câmera adota a perspectiva do herói. Além disso, dar voz a Blackjack seria um recurso narrativo que aliviaria momentos tensos, ao mesmo tempo em que expandiria a comédia interna da equipe de semideuses.
Com showrunners como Jonathan E. Steinberg e Dan Shotz, conhecidos por valorizar a relação entre personagens, a expectativa é de que a falha seja corrigida em breve. O serviço de streaming possui orçamento para isso e a recepção altamente positiva — 8,8/10 em avaliações de usuários — indica que o público continuará acompanhando a série, desde que ela mantenha o coração pulsante da obra original.
Vale a pena assistir?
Para fãs de Percy Jackson e para quem busca aventura leve, o sétimo episódio da 2ª temporada entrega ação sólida, boas atuações e um importante passo na mitologia da série. A ausência da voz de Blackjack não chega a comprometer o todo, mas deixa um espaço que, se preenchido, poderá elevar ainda mais a qualidade do seriado nas temporadas futuras.



