Faltam poucos meses para a cerimônia do Grammy 2026, e o debate sobre conquistas, estatuetas e injustiças volta a aquecer a indústria musical. Enquanto as apostas se concentram nos prováveis vencedores da vez, o histórico da premiação relembra que o cobiçado gramofone dourado nem sempre vai parar nas mãos de quem moldou gerações inteiras.
Ao revisitar décadas de indicações, a lista de artistas sem Grammy chama atenção por reunir carreiras irrefutáveis, discos antológicos e hits que lotam estádios. Salada de Cinema reuniu dez nomes que, apesar de múltiplas menções, continuam zerados em vitórias competitivas — e ainda assim seguem dominando playlists, rádios e corações.
Gigantes do hip-hop e da música pop que permanecem sem Grammy
Quando se analisa artistas sem Grammy, poucos casos chocam tanto quanto Snoop Dogg. O rapper californiano acumula indicações desde os anos 1990, englobando categorias como Melhor Performance de Rap e Colaboração Pop, mas o troféu nunca aterrissou em sua prateleira. A cada edição, volta a pergunta: como um dos vocais mais reconhecíveis do gênero segue no zero a zero?
Na linha das superestrelas pop, Katy Perry desponta como outro nome marcante. Entre 2010 e 2024, a californiana emplacou singles no topo das paradas mundiais, marcou presença nos intervalos do Super Bowl e somou sucessivas indicações. Mesmo assim, faixas como Firework e Roar não foram suficientes para convertê-la em vencedora, reforçando a aura de “azarona” que cerca sua trajetória na premiação.
Lendas do rock, reggae e psicodelia que nunca levaram o troféu
Se a ausência de Snoop causa espanto, o caso de Bob Marley segue no topo das conversas sobre descuidos históricos. O jamaicano, responsável por popularizar o reggae no planeta, faleceu em 1981 sem ter sido premiado. O detalhe mais irônico: a categoria Melhor Álbum de Reggae nasceu apenas em 1985, quatro anos após sua morte, tornando impossível qualquer chance competitiva no auge da carreira.
Outro exemplo emblemático entre artistas sem Grammy é a banda Queen. Mesmo com Bohemian Rhapsody e We Will Rock You figurando entre as canções mais ouvidas do século, o grupo britânico jamais transformou indicações em vitórias. O contraste entre o alcance global dos hits e o vazio na estante dos integrantes segue alimentando discussões sobre critérios da Academia.
Jimi Hendrix completa o trio de gigantes rockeiros ignorados. Considerado por muitos o maior guitarrista de todos os tempos, recebeu apenas uma indicação, pela releitura de The Star-Spangled Banner, sem sucesso. Nem mesmo homenagens póstumas renderam um prêmio competitivo, reforçando a complexa relação da obra de Hendrix com o Grammy.
Soul, disco e harmonia à beira-mar: clássicos que ficaram de fora
Diana Ross figura entre as vozes mais aclamadas da soul music e do disco, com carreira que ultrapassa seis décadas. Foram diversas indicações entre os anos 1960 e 1990, porém nenhum troféu saiu da cerimônia em suas mãos. Em 2012, a norte-americana recebeu o Lifetime Achievement Award, reconhecimento honorário que não apaga a lacuna competitiva.
Imagem: Divulgação
Já os Beach Boys revolucionaram a música pop dos anos 1960 com harmonias que influenciaram dos Beatles ao indie de hoje. Mesmo assim, God Only Knows e Good Vibrations não conquistaram o voto final dos jurados. Assim como Ross, o grupo foi agraciado posteriormente com um prêmio honorário, ainda que sem vencer nas categorias regulares.
Influências nórdicas e rimas afiadas: mais nomes sem Grammy
No campo da música pop europeia, poucos legados se equiparam ao do ABBA. A banda sueca reinou nas paradas de 1974 a 1982 com canções que continuam tocando em festas de casamento e karaokês ao redor do mundo. Contudo, as recorrentes indicações nunca se converteram em vitória, mantendo o quarteto fora do rol de laureados competitivos.
Entre as artistas mais inventivas da atualidade, Björk soma dezenas de indicações desde a década de 1990. A islandesa, famosa por experimentações que misturam eletrônica, vocal lírico e art-pop, ainda não subiu ao palco para agradecer pelo gramofone. O hiato permanece, apesar do respeito quase unânime de crítica e público.
Fechando a relação de artistas sem Grammy, Nicki Minaj amplia o dilema entre sucesso comercial e reconhecimento da Academia. Dona de recordes na Billboard e colaborações que somam bilhões de streams, a rapper se viu sucessivamente nomeada em categorias de rap e pop, sem transformar citações em prêmio. A cada edição, fãs aguardam pela reviravolta que teima em não chegar.
Vale a pena acompanhar de perto a temporada do Grammy 2026?
Enquanto a lista de artistas sem Grammy segue crescendo, a cerimônia de 2026 tem tudo para reacender discussões sobre representatividade, critérios de escolha e a eterna questão: o Grammy consagra a música ou apenas reflete uma parte do mercado? Com novos nomes despontando na disputa e gigantes veteranos ainda em busca da primeira vitória, a próxima edição promete emoções de sobra. Resta acompanhar se alguma dessas lendas finalmente mudará de status ou se seguirá como prova viva de que talento e troféus nem sempre caminham juntos.









