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    Star Trek: Starfleet Academy aposta em drama adolescente e nostalgia, mas tropeça no desenvolvimento

    Thais BentlinBy Thais Bentlinjaneiro 8, 2026Nenhum comentário4 Mins Read

    Paramount+ traz de volta o universo criado por Gene Roddenberry em Star Trek: Starfleet Academy, série ambientada no século 32 que combina a clássica visão otimista da Federação com conflitos típicos de campus. Na prática, a produção tenta equilibrar lições de astrofísica, paixões juvenis e debates éticos.

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    Nos seis episódios iniciais disponibilizados para a imprensa, a aventura intergaláctica diverte, mas nem sempre convence. Se por um lado a presença de nomes conhecidos empolga, por outro, o excesso de clichês escolares deixa a trama com cara de novela colegial. Ainda assim, há faíscas do bom e velho espírito Trek em meio aos corredores reluzentes da Academia.

    Primeira temporada mira na juventude, mas nem sempre acerta o alvo

    A jornada começa quando Caleb Mir (Sandro Rosta) recebe uma proposta tentadora da chanceler Nahla Aké (Holly Hunter). Para fugir de uma condenação no planeta Toroth, o jovem rebelde precisa se matricular na recém-reerguida academia de São Francisco. De quebra, ganha ajuda para encontrar a mãe desaparecida, Anisha, vivida por Tatiana Maslany.

    Caleb aceita a oferta e logo se vê cercado por aspirantes a oficiais que, além de pilotos e cientistas, querem vencer disputas esportivas e estudar para provas. A estrutura lembra títulos como Riverdale ou The Sex Life of College Girls, reforçada por desafios entre a Academia e o vizinho War College – rivalidade que remete às casas de Harry Potter, só que com uniformes da Frota Estelar.

    Conflitos de sala de aula iluminam raciocínio sociopolítico

    Mesmo dominada por triângulos amorosos, a temporada reserva espaço para dilemas sobre diplomacia, colonização e inclusão. Alguns capítulos destacam debates entre espécies diversas, retomando a vocação progressista da franquia. Quando esse foco prevalece, Star Trek: Starfleet Academy finalmente soa como Star Trek.

    Ritmo oscila entre missões no espaço e festas no refeitório

    Boa parte da ação acontece a bordo da U.S.S. Athena, nave-escola onde os cadetes testam manobras em ambiente controlado. No entanto, a narrativa alterna essas sequências cheias de efeitos com workshops de “trabalho em equipe” dignos de acampamento de verão, quebrando a tensão dos momentos mais sérios.

    Elenco veterano salva a série, enquanto protagonistas buscam carisma

    Holly Hunter domina a tela como Aké, chanceler boêmia que prefere livros de papel e discos de vinil a holocronologias. Pé no chão – literalmente, já que raramente usa calçados –, ela extravasa sabedoria de três séculos de vida Lanthanite. É a personagem que melhor traduz o equilíbrio entre tradição e ousadia.

    Outro destaque é Robert Picardo, de volta como o sarcástico Doctor holográfico. Agora chefe da enfermaria, maestro do clube de ópera e professor de debate, ele provoca risadas e nostalgia. Já Gina Yashere diverte no papel da híbrida Lura Thok, braço direito de Aké, enquanto Tig Notaro retorna como a engenheira Jett Reno em participações pontuais.

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    Star Trek: Starfleet Academy aposta em drama adolescente e nostalgia, mas tropeça no desenvolvimento - Imagem do artigo

    Imagem: Divulgação

    Cadetes carecem de profundidade

    Entre os novatos, apenas Caleb possui arco dramático consistente, lembrando Michael Burnham de Discovery em sua rebeldia genial. Jay-Den Kraag (Karim Diané), klingon pacifista apaixonado por medicina, e Darem Reymi (George Hawkins), musculoso khioniano competitivo, repetem estereótipos. Genesis (Bella Shepard) é a filha de almirante que flerta com todos, enquanto SAM, holograma interpretado por Kerrice Brooks, vira alívio cômico inspirado em Sylvia Tilly.

    Representatividade amplia o escopo, mas falta ousadia

    A produção exibe elenco diverso e vários personagens queer, porém evita questões morais mais espinhosas. A sensação é de que Star Trek: Starfleet Academy prefere a segurança de romances açucarados a discutir fronteiras éticas, algo que animações como Lower Decks fazem com mais coragem.

    Efeitos visuais garantem espetáculo

    Do design elegante da U.S.S. Athena às sequências em gravidade zero, a série esbanja orçamento. A direção de Alex Kurtzman utiliza cores vibrantes e trilha orquestral para reforçar a sensação de aventura, ainda que o roteiro não alcance o mesmo nível de brilho.

    Avaliação sem spoilers

    Nesta primeira metade da temporada, Star Trek: Starfleet Academy entrega entretenimento leve, perfeito para maratonar, embora deixe um sentimento de “quase lá” para fãs que esperavam mais profundidade. Nota 5/10 resume bem: não compromete, mas também não revoluciona.

    No fim das contas, o novo projeto de Gaia Violo, Kurtzman e Noga Landau desperta curiosidade pelo potencial de suas aulas estelares, mas precisará explorar melhor os cadetes se quiser ir onde nenhuma série teen foi antes. Aqui na Salada de Cinema seguimos de olho nos próximos episódios.

    FICHA TÉCNICA

    Título original: Star Trek: Starfleet Academy
    Gênero: Drama, ficção científica, fantasia
    Criação: Gaia Violo
    Showrunners: Alex Kurtzman, Noga Landau
    Direção: Alex Kurtzman
    Elenco principal: Holly Hunter (Nahla Aké), Sandro Rosta (Caleb Mir), Karim Diané (Jay-Den Kraag), George Hawkins (Darem Reymi), Bella Shepard (Genesis), Kerrice Brooks (SAM), Gina Yashere (Lura Thok), Robert Picardo (The Doctor), Tig Notaro (Jett Reno), Oded Fehr (Admiral Vance)
    Data de estreia: 15 de janeiro de 2026
    Plataforma: Paramount+
    Total de episódios da 1ª temporada: 10
    Avaliação desta crítica: 5/10

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    Thais Bentlin

    Sou formada em Marketing Digital e criadora de conteúdo para web, com especialização no nicho de entretenimento. Trabalho desde 2021 combinando estratégias de marketing com a criação de conteúdo criativo. Minha fluência em inglês me permite acompanhar e desenvolver materiais baseados em tendências globais do setor.

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