Paramount+ traz de volta o universo criado por Gene Roddenberry em Star Trek: Starfleet Academy, série ambientada no século 32 que combina a clássica visão otimista da Federação com conflitos típicos de campus. Na prática, a produção tenta equilibrar lições de astrofísica, paixões juvenis e debates éticos.
Nos seis episódios iniciais disponibilizados para a imprensa, a aventura intergaláctica diverte, mas nem sempre convence. Se por um lado a presença de nomes conhecidos empolga, por outro, o excesso de clichês escolares deixa a trama com cara de novela colegial. Ainda assim, há faíscas do bom e velho espírito Trek em meio aos corredores reluzentes da Academia.
Primeira temporada mira na juventude, mas nem sempre acerta o alvo
A jornada começa quando Caleb Mir (Sandro Rosta) recebe uma proposta tentadora da chanceler Nahla Aké (Holly Hunter). Para fugir de uma condenação no planeta Toroth, o jovem rebelde precisa se matricular na recém-reerguida academia de São Francisco. De quebra, ganha ajuda para encontrar a mãe desaparecida, Anisha, vivida por Tatiana Maslany.
Caleb aceita a oferta e logo se vê cercado por aspirantes a oficiais que, além de pilotos e cientistas, querem vencer disputas esportivas e estudar para provas. A estrutura lembra títulos como Riverdale ou The Sex Life of College Girls, reforçada por desafios entre a Academia e o vizinho War College – rivalidade que remete às casas de Harry Potter, só que com uniformes da Frota Estelar.
Conflitos de sala de aula iluminam raciocínio sociopolítico
Mesmo dominada por triângulos amorosos, a temporada reserva espaço para dilemas sobre diplomacia, colonização e inclusão. Alguns capítulos destacam debates entre espécies diversas, retomando a vocação progressista da franquia. Quando esse foco prevalece, Star Trek: Starfleet Academy finalmente soa como Star Trek.
Ritmo oscila entre missões no espaço e festas no refeitório
Boa parte da ação acontece a bordo da U.S.S. Athena, nave-escola onde os cadetes testam manobras em ambiente controlado. No entanto, a narrativa alterna essas sequências cheias de efeitos com workshops de “trabalho em equipe” dignos de acampamento de verão, quebrando a tensão dos momentos mais sérios.
Elenco veterano salva a série, enquanto protagonistas buscam carisma
Holly Hunter domina a tela como Aké, chanceler boêmia que prefere livros de papel e discos de vinil a holocronologias. Pé no chão – literalmente, já que raramente usa calçados –, ela extravasa sabedoria de três séculos de vida Lanthanite. É a personagem que melhor traduz o equilíbrio entre tradição e ousadia.
Outro destaque é Robert Picardo, de volta como o sarcástico Doctor holográfico. Agora chefe da enfermaria, maestro do clube de ópera e professor de debate, ele provoca risadas e nostalgia. Já Gina Yashere diverte no papel da híbrida Lura Thok, braço direito de Aké, enquanto Tig Notaro retorna como a engenheira Jett Reno em participações pontuais.
Imagem: Divulgação
Cadetes carecem de profundidade
Entre os novatos, apenas Caleb possui arco dramático consistente, lembrando Michael Burnham de Discovery em sua rebeldia genial. Jay-Den Kraag (Karim Diané), klingon pacifista apaixonado por medicina, e Darem Reymi (George Hawkins), musculoso khioniano competitivo, repetem estereótipos. Genesis (Bella Shepard) é a filha de almirante que flerta com todos, enquanto SAM, holograma interpretado por Kerrice Brooks, vira alívio cômico inspirado em Sylvia Tilly.
Representatividade amplia o escopo, mas falta ousadia
A produção exibe elenco diverso e vários personagens queer, porém evita questões morais mais espinhosas. A sensação é de que Star Trek: Starfleet Academy prefere a segurança de romances açucarados a discutir fronteiras éticas, algo que animações como Lower Decks fazem com mais coragem.
Efeitos visuais garantem espetáculo
Do design elegante da U.S.S. Athena às sequências em gravidade zero, a série esbanja orçamento. A direção de Alex Kurtzman utiliza cores vibrantes e trilha orquestral para reforçar a sensação de aventura, ainda que o roteiro não alcance o mesmo nível de brilho.
Avaliação sem spoilers
Nesta primeira metade da temporada, Star Trek: Starfleet Academy entrega entretenimento leve, perfeito para maratonar, embora deixe um sentimento de “quase lá” para fãs que esperavam mais profundidade. Nota 5/10 resume bem: não compromete, mas também não revoluciona.
No fim das contas, o novo projeto de Gaia Violo, Kurtzman e Noga Landau desperta curiosidade pelo potencial de suas aulas estelares, mas precisará explorar melhor os cadetes se quiser ir onde nenhuma série teen foi antes. Aqui na Salada de Cinema seguimos de olho nos próximos episódios.
FICHA TÉCNICA
Título original: Star Trek: Starfleet Academy
Gênero: Drama, ficção científica, fantasia
Criação: Gaia Violo
Showrunners: Alex Kurtzman, Noga Landau
Direção: Alex Kurtzman
Elenco principal: Holly Hunter (Nahla Aké), Sandro Rosta (Caleb Mir), Karim Diané (Jay-Den Kraag), George Hawkins (Darem Reymi), Bella Shepard (Genesis), Kerrice Brooks (SAM), Gina Yashere (Lura Thok), Robert Picardo (The Doctor), Tig Notaro (Jett Reno), Oded Fehr (Admiral Vance)
Data de estreia: 15 de janeiro de 2026
Plataforma: Paramount+
Total de episódios da 1ª temporada: 10
Avaliação desta crítica: 5/10



