Os fãs que ainda digeriam o final da primeira temporada de Star Trek: Starfleet Academy receberam a notícia de que a série não passará do segundo ano. Robert Picardo, eterno intérprete do Doutor em Star Trek: Voyager, falou abertamente sobre o assunto no podcast On Screen and Beyond.
Em tom sereno, mas visivelmente desapontado, o ator reconheceu a “notícia triste” e explicou por que acredita que o atual clima político e cultural dos Estados Unidos pesou contra o projeto. Mesmo assim, ele confia que a produção ganhará estatuto de “joia” com o passar do tempo.
A volta do Doutor: ponte entre passado e futuro
Robert Picardo assumiu a missão de conectar gerações dentro da franquia. Seu Doutor, agora no século XXXII, manteve o tom altivo de Voyager, mas ganhou novas camadas dramáticas ao encarar oito séculos de traumas vividos na USS Voyager. A decisão de adotar a cadete holográfica SAM (Kerrice Brooks) foi recebida como um passo sensível na evolução do personagem.
Picardo destacou que a química entre ele e Brooks foi construída em pouco tempo. Nos bastidores, relatos apontam que a dupla ensaiava diálogos extras para ampliar a naturalidade das cenas, reforçando a mensagem de que laços familiares podem nascer das mais improváveis configurações.
Bastidores: showrunners, roteiro e um plano interrompido
Alex Kurtzman e Noga Landau criaram Star Trek: Starfleet Academy como um arco de quatro anos, espelhando a trajetória universitária dos cadetes. A fotografia principal da segunda temporada terminou no fim de fevereiro, mas a história vai encerrar prematuramente, ainda no “segundo ano letivo”.
Nos roteiros assinados por nomes como Gaia Violo, Jane Maggs e Tawny Newsome, o foco sempre foi equilibrar dilemas juvenis com discussões clássicas de ficção científica. Picardo elogiou a “qualidade extraordinária” desse trabalho e lamentou que o público não tenha a chance de acompanhar a formatura dos personagens.
Por que a sala de aula fechou mais cedo?
Segundo Picardo, a diversidade e a inclusão — marcas de Gene Roddenberry desde 1966 — teriam perdido popularidade em parte da sociedade. Ele enxerga um “pêndulo cultural” que ora se afasta, ora retorna a esses valores. Para o ator, a série acabou atingida justamente quando o pêndulo se moveu contra.
Outro fator foi a audiência modesta. Dados da Nielsen não registraram a atração no Top 10 de streaming, sinalizando que a proposta voltada ao público jovem não encontrou massa crítica suficiente. A Paramount+ confirmou que não há outra produção de Star Trek em gravação, o que cria um hiato na franquia até, pelo menos, 2027 — ano previsto para a estreia dos últimos episódios já prontos.
Imagem: Divulgação
Em entrevista, Picardo lembrou que setembro marcará o 60.º aniversário da primeira transmissão de Star Trek. Para ele, é paradoxal celebrar seis décadas enquanto se encerra a história de cadetes que simbolizavam o futuro da Frota Estelar.
Shatner em cena: apoio veterano e lições de longevidade
William Shatner expressou “tristeza” pelo cancelamento em sua conta na rede X. Picardo, que convive com o colega há três décadas, relatou um jantar recente durante o cruzeiro temático Star Trek Cruise. Aos 95 anos, Shatner impressionou o elenco mais jovem com o entusiasmo infantil por novidades.
Picardo considera Shatner um “manual vivo” de como permanecer criativo e curioso. O veterano também relembrou o ciclo histórico de contestação dentro da própria base de fãs: produções como A Nova Geração enfrentaram resistência antes de virarem clássicos. A fala ecoa a convicção de Picardo de que Starfleet Academy será redescoberta adiante.
Para quem acompanha o Salada de Cinema, vale notar que o encerramento da série já havia sinalizado um efeito colateral: o “congelamento” temporário de novos títulos da franquia.
Vale a pena assistir Star Trek: Starfleet Academy?
Mesmo sem a conclusão planejada, Star Trek: Starfleet Academy entrega atuações sólidas de Robert Picardo e do elenco jovem liderado por Holly Hunter. Os roteiros equilibram questões científicas e conflitos geracionais, mantendo o espírito otimista de Roddenberry.
Para quem busca um drama sci-fi que celebre diversidade, tecnologia e vínculos afetivos improváveis, os 20 episódios confirmados (dez já disponíveis e dez previstos para 2027) merecem espaço na lista de maratonas. O cliffhanger pode frustrar, mas a jornada até lá oferece ecos do que sempre fez Star Trek avançar velocidades de dobra além das telas.









