A 2a temporada de X-Men ’97 estreia no Disney+ em 1º de julho e carrega uma estrutura narrativa que muita gente vai reconhecer — não dos quadrinhos, mas do roteiro de um filme que nunca foi filmado: Vingadores: A Dinastia Kang. O projeto cancelado, que seria o grande clímax da Saga do Multiverso, tinha como espinha dorsal a ideia de três variantes do mesmo vilão enfrentando equipes separadas de heróis. É exatamente isso que a animação está fazendo agora, só que com Apocalipse no lugar de Kang.
Por que Vingadores: A Dinastia Kang foi cancelado?
O filme foi descartado depois que a Marvel Studios encerrou sua relação com Jonathan Majors, o ator que interpretava Kang, o Conquistador. Com o papel vago, o estúdio optou por uma mudança radical: substituiu Kang por Doutor Destino, trouxe Robert Downey Jr. de volta ao universo e renomeou o projeto como Vingadores: Doutor Destino. O roteiro anterior, que já tinha roteirista e diretor vinculados, foi abandonado.
Segundo rumores que circularam após o cancelamento, a premissa central de A Dinastia Kang envolvia três variantes específicas do personagem — Immortus, Centurião e Rama-Tut — cada uma confrontando uma equipe diferente de Vingadores. Havia ainda um jovem cientista chamado Nathaniel Richards que se aliaria aos heróis para combater suas próprias versões futuras, espelhando o papel de Victor Timely na série Loki.
Como X-Men ’97 usa essa mesma estrutura narrativa?
A 2a temporada de X-Men ’97 distribui os mutantes por diferentes períodos históricos — e em cada um deles, eles encontram uma versão distinta de Apocalipse. O produtor Larry Houston confirmou à Entertainment Weekly que a temporada opera em três eixos temporais: 3000 a.C. no Egito Antigo, o presente dos anos 1990 e o futuro distante de 3960.
- Apocalipse jovem (3000 a.C.): En Sabah Nur antes de se tornar o vilão, ainda no início de seu percurso. Houston descreveu como “um mutante poderoso com uma origem massiva.” Rogue, Noturno, Fera e Magneto ficam presos nesse período.
- Apocalipse presente (anos 1990): já consolidado, empenhado em eliminar os fracos para garantir a sobrevivência dos mais fortes. Bishop e Forge tentam trazer os X-Men de volta desse ponto da linha do tempo.
- Apocalipse futuro (3960): no auge do poder, representando a realização total de sua visão. Ciclope e Jean Grey enfrentam essa versão.
O paralelo com os três Kangs não é apenas temático. Rama-Tut — uma das variantes centrais do roteiro cancelado — é um viajante do tempo que dominava o Egito Antigo usando tecnologia avançada. O trailer da 2a temporada aparentemente mostra uma figura com elmo verde observando a cidade antiga, o que sugere que Rama-Tut pode aparecer no mesmo período em que os X-Men estão presos com o jovem Apocalipse.
Existe alguma relação direta entre Rama-Tut e Apocalipse nos quadrinhos?
Sim, e esse é o detalhe que torna o cruzamento narrativo mais interessante do que parece à primeira vista. Nos quadrinhos, Rama-Tut governa o Egito Antigo até ser expulso pelos Quarteto Fantástico — e quem ocupa o vácuo deixado por ele é justamente En Sabah Nur, que se torna Apocalipse e assume o controle da região. Os dois personagens habitam o mesmo espaço e tempo na mitologia Marvel, o que significa que X-Men ’97 pode estar construindo esse confronto histórico enquanto usa a estrutura que A Dinastia Kang havia planejado para o cinema.

O vilão aliado: o padrão que o MCU queria usar e X-Men ’97 pode executar
Um dos elementos mais citados do roteiro vazado de A Dinastia Kang era a presença de uma variante jovem e ainda não corrompida de Nathaniel Richards, que se tornaria aliado dos Vingadores — a lógica narrativa de “a versão boa do vilão ajuda a derrotar as versões ruins.” Houston deu uma declaração que aponta para algo semelhante em X-Men ’97: “Ninguém nasce mau, mas vemos como as circunstâncias o levaram a se tornar o vilonoso Apocalipse.”
Isso deixa em aberto a possibilidade de que os X-Men presos no passado encontrem um En Sabah Nur ainda não inteiramente corrompido — e que precisem decidir o que fazer com essa informação. É o mesmo dilema moral que o MCU havia desenhado para o roteiro cancelado, agora disponível para ser explorado em animação sem as restrições do universo live-action.
Por que X-Men ’97 consegue fazer o que o MCU não pode mais?
X-Men ’97 não é canônico ao MCU live-action — e essa distância é exatamente o que dá liberdade à série. Kang dificilmente voltará ao universo principal depois do afastamento de Majors; Rama-Tut, como extensão direta do personagem, carrega o mesmo peso institucional. Na animação, esses limites não existem. A série pode resgatar elementos que o estúdio descartou, reconectar pontas soltas e executar estruturas narrativas que o cinema abandonou — sem precisar justificar nada dentro da continuidade oficial.
O resultado é uma 2a temporada que funciona, involuntariamente ou não, como um arquivo de intenções: o que a Marvel queria fazer com a Saga do Multiverso antes que ela precisasse ser reescrita. Não é A Dinastia Kang, mas é o argumento narrativo daquele filme encontrando uma segunda vida onde o estúdio tem mais liberdade para arriscar.
Fonte: thedirect.com










