A Paramount Pictures contratou o roteirista Jason Fuchs para escrever o próximo filme live-action de Transformers, que será uma continuação direta de Transformers: Rise of the Beasts (2023), segundo informações reportadas pelo The Wrap. O projeto ainda não tem título oficial, e os detalhes de enredo seguem sob sigilo — mas a escolha do nome já conta uma história por si só.
Um roteirista de horror assumindo robôs gigantes não é um movimento óbvio
Fuchs chegou ao radar do grande público pela franquia IT: ele co-escreveu IT: Capítulo 2 e atuou como co-criador, co-roteirista e produtor executivo de IT: Welcome to Derry, série derivada da HBO. No cinema, seu currículo passa também por Wonder Woman e Argylle, além da animação Ice Age: Continental Drift. É um perfil que transita entre tensão emocional, construção de personagem e espetáculo — mas que nunca foi associado ao tipo de ação industrial que definiu os cinco filmes dirigidos por Michael Bay entre 2007 e 2017.
Isso pode ser exatamente o ponto. A Paramount não está buscando repetir a fórmula Bay — está tentando descobrir o que vem depois dela.

Rise of the Beasts deixou uma conta aberta que o novo roteiro precisa pagar
Transformers: Rise of the Beasts encerrou com uma cena pós-créditos que recrutava o personagem Noah Diaz para a organização G.I. Joe, configurando um possível crossover com a franquia militar da Paramount. Esse gancho narrativo segue em aberto: há um projeto de crossover Transformers e G.I. Joe em desenvolvimento, mas sem confirmação oficial de formato, elenco ou cronograma. A continuação que Fuchs está escrevendo pode ou não ser esse crossover — a Paramount não especificou a relação entre os dois projetos.
O que se sabe é que a continuação preservará a linha narrativa de Rise of the Beasts, o que indica, em princípio, manutenção do universo e dos personagens já estabelecidos no filme de 2023, dirigido por Steven Caple Jr. A equipe de produção confirmada reúne Steven Spielberg, Michael Bay, Lorenzo di Bonaventura, Mark Vahradian, Tom DeSanto e Don Murphy.
O problema financeiro que ninguém no estúdio consegue ignorar

A franquia live-action de Transformers arrecadou mais de 5 bilhões de dólares no total, mas os últimos dois filmes quebraram a curva de crescimento de maneira significativa. Bumblebee (2018) e Rise of the Beasts somaram, respectivamente, cerca de 467 e 441 milhões de dólares em bilheteria mundial — os menores resultados da série desde o primeiro filme de 2007. Para comparação, Transformers: Dark of the Moon (2011) ainda detém o recorde da franquia com 1,12 bilhão de dólares.
O paradoxo é que Bumblebee, o filme que menos rendeu entre os cinco primeiros, também é o único que a crítica aprovou — com 91% no Rotten Tomatoes. Os filmes de Bay, que dominavam a bilheteria, raramente passaram de 57% na mesma plataforma. Rise of the Beasts ficou em 51%. A franquia nunca encontrou o ponto de equilíbrio entre aprovação crítica e desempenho comercial alto — e esse é o nó que a Paramount precisa desatar.
A contratação de Fuchs sugere uma aposta no roteiro como fundação, não como detalhe
Contratar um roteirista com histórico em narrativa emocional e construção de personagem — e não um especialista em set pieces de ação — pode indicar que a Paramount quer que a próxima entrada da franquia tenha uma base de roteiro mais sólida antes de qualquer outra decisão criativa. Essa leitura é reforçada pelo contexto: na CinemaCon de abril de 2026, o estúdio anunciou múltiplas iterações de Transformers em desenvolvimento simultâneo. A contratação de Fuchs, em junho, foi o primeiro movimento executivo concreto após essa apresentação pública.
Ainda não há diretor confirmado, sem data oficial de produção ou estreia divulgada. O filme está em desenvolvimento inicial — Fuchs está trabalhando no roteiro agora. Qualquer projeção de calendário seria especulação.
O que fica claro depois de dezenove anos de franquia
Transformers é uma propriedade que a Paramount não vai abandonar — os números, mesmo em queda, ainda justificam o investimento. Mas a franquia chegou a um ponto em que continuar fazendo o mesmo não é mais uma opção defensável financeiramente. Rise of the Beasts custou mais para produzir e divulgar do que rendeu nos Estados Unidos. O mercado internacional sustentou o projeto, mas a margem está apertada.
A aposta em Jason Fuchs, nesse cenário, funciona como uma sinalização de que o estúdio quer mudar a conversa sobre o que um filme de Transformers pode ser narrativamente — sem abrir mão do espetáculo visual que define a franquia. Se essa aposta se converte em algo que o público brasileiro e global vai querer ver nas salas, só o roteiro final vai responder.
Fonte principal: screenrant.com. Informações complementares: The Wrap, CinemaCon 2026.









