Quando a HBO lançou The Last of Us, em 2023, a adaptação do game da Naughty Dog virou referência imediata em qualidade audiovisual. A primeira temporada foi celebrada pela fidelidade, enquanto o segundo ano dividiu a plateia com mudanças ousadas de ritmo e de caracterização.
Com base nesse percurso, o Salada de Cinema reuniu os fatos mais relevantes e organizou um ranking que parte das fraquezas até chegar aos pontos altos da produção. O foco está na performance do elenco, no texto de Craig Mazin e Neil Druckmann e nas escolhas de direção que moldaram cada capítulo.
Como a série evoluiu entre as duas temporadas
O contraste é visível. A estreia apostou na reconstrução minuciosa do universo pós-apocalíptico, alternando tensão constante e momentos de pura intimidade entre Joel e Ellie. Já o segundo ano assumiu riscos, condensando trechos de The Last of Us Part II e apresentando novas perspectivas, mas sacrificou parte da coesão narrativa.
Nessa transição, Bella Ramsey ganhou espaço para explorar a fúria crescente de Ellie, enquanto Pedro Pascal incorporou camadas de vulnerabilidade que não apareciam nos joysticks. Mesmo assim, algumas decisões – como revelar motivações inteiras de Abby logo no primeiro episódio da temporada 2 – reduziram o impacto dramático planejado no jogo original.
Os responsáveis por trás das câmeras
Criadores de Chernobyl, Craig Mazin e Neil Druckmann assinam o roteiro da maioria dos capítulos, alternando a direção entre nomes como Peter Hoar, Jasmila Žbanić e Ali Abassi. Cada cineasta imprime um tom específico: Hoar privilegia o lirismo visual, Żbanić foca nas nuances emocionais e Abassi mergulha na brutalidade crua do mundo infectado.
Essas visões diferentes ajudam a explicar por que alguns episódios brilham enquanto outros tropeçam. A montagem também pesa. Em Convergence, por exemplo, a edição fragmentada deixa Ellie errática, um contraste gritante com o controle impecável de ritmo observado em Kin.
Ranking definitivo dos episódios
Confira, a seguir, a lista dos dez episódios detalhados na fonte original, do mais fraco ao mais forte, com justificativas centradas em atuação, roteiro e direção.
Imagem: Divulgação
- Convergence – Temporada 2, Episódio 7
Final sem impacto, personagem de Ellie fora de tom e subtramas que não acrescentam peso dramático. - Please Hold to My Hand – Temporada 1, Episódio 4
Boa química entre Joel e Ellie, mas a inclusão da revolucionária Kathleen suga tempo de tela e dilui a tensão. - Future Days – Temporada 2, Episódio 1
Abre possibilidades, porém revela demais sobre Abby e antecipa conflitos que deveriam surgir como surpresa. - Infected – Temporada 1, Episódio 2
A morte de Tess é forte, mas o beijo do infectado destoa. O prólogo em Jacarta compensa e eleva a nota. - Day One – Temporada 2, Episódio 4
Bella Ramsey e Isabela Merced revivem Take on Me com doçura, embora ajustes na gravidez de Dina gerem estranhamento. - Look for the Light – Temporada 1, Episódio 9
Pedro Pascal transmite raiva e dissociação, mas a falta de interatividade do game diminui a força do massacre final. - The Path – Temporada 2, Episódio 3
Pausa de três meses após a morte de Joel quebra o fluxo de vingança, ainda que Tommy ganhe cenas intensas. - Endure and Survive – Temporada 1, Episódio 5
A chegada de Sam e Henry traz emoção genuína e, enfim, hordas de infectados mostram o perigo constante. - Feel Her Love – Temporada 2, Episódio 5
Ramsey incorpora a raiva de Ellie com vigor; o roteiro, no entanto, força coincidências e momentos românticos fora de hora. - Kin – Temporada 1, Episódio 6
Reencontro de irmãos, discussão Joel-Ellie copiada do jogo e retrato sensível de PTSD fazem deste o mais equilibrado dos dez.
Impacto das atuações de Pedro Pascal e Bella Ramsey
Mesmo nos capítulos menos inspirados, a dupla central sustenta o interesse do público. Pascal alterna dureza e fragilidade com naturalidade, evocando o mesmo magnetismo que tantos fãs encontraram em séries de suspense, como as listadas em nosso guia de maratonas de fim de semana.
Ramsey, por sua vez, evolui Ellie de adolescente curiosa para sobrevivente movida a trauma. A transição poderia parecer brusca, mas a atriz usa silêncios, olhares rápidos e respirações curtas para ilustrar cada ruptura interna da personagem.
Os coadjuvantes também marcam presença. Melanie Lynskey entrega uma líder insurgente contida, enquanto Young Mazino adiciona leveza como Jesse. A química entre Ramsey e Isabela Merced reforça a importância de Dina e amplia a diversidade emocional da narrativa.
Vale a pena maratonar The Last of Us?
Com altos que lembram produções impecáveis da HBO e baixos que ainda oferecem discussões sobre adaptação para TV, The Last of Us permanece uma experiência instigante para quem aprecia boas atuações, direção cuidadosa e debates sobre fidelidade a obras originais. Para quem busca histórias densas que cabem em um fim de semana, a série continua sendo parada obrigatória.









