Jujutsu Kaisen chegou ao topo das vendas mundiais – mais de 100 milhões de cópias – mas encerrou a jornada em 2024 deixando a sensação de pressa. A conclusão escrita por Gege Akutami amarrou poucos nós, abriu várias pontas soltas e dividiu leitores.
Ainda que o sucesso comercial seja incontestável, outros títulos de shonen e gêneros vizinhos provaram que é possível cruzar a linha de chegada com mais fôlego. A seguir, revisitamos seis mangás que entregaram finais mais sólidos, coerentes e, principalmente, satisfatórios.
O adeus apressado de Jujutsu Kaisen
O arco derradeiro de Jujutsu Kaisen reuniu batalhas gigantescas, mortes impactantes e reviravoltas ousadas. Contudo, a narrativa acelerada sacrificou explicações importantes e restringiu o desenvolvimento de personagens que vinham sendo trabalhados desde os primeiros volumes. Muitos leitores ainda procuram respostas – algumas reunidas nesta lista com perguntas em aberto – o que reforça a percepção de um desfecho desigual.
Com esse cenário em mente, vale lembrar que a pressa não precisa ser regra. Seis obras de peso apostaram em ritmos diferentes e souberam dar o último suspiro no momento certo.
Seis finais que superaram JJK
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Naruto
Depois de 15 anos de publicação, Masashi Kishimoto encerrou o mangá com o aguardado duelo entre Naruto e Sasuke. O herói salva o mundo da Quarta Grande Guerra Ninja e, de quebra, resgata o antigo amigo do caminho da destruição. O equilíbrio entre ação e emoção oferece ponto-final digno para as duas maiores metas do protagonista.
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My Hero Academia
Kōhei Horikoshi concluiu a saga de Midoriya Izuku com a vitória sobre Shigaraki. Sacrifícios pesados pavimentam a vitória dos heróis, e o epílogo mostra a turma da U.A. tornando-se profissionais renomados. Midoriya retoma o ofício graças a um traje especial e ainda vive romance com Ochako, coroando o sonho de infância.
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JoJo’s Bizarre Adventure: Stone Ocean
Hirohiko Araki apostou em um final nada convencional: Jolyne não consegue impedir Pucci, mas o jovem Emporio usa o disco de Weather Report para derrotar o vilão. A morte do antagonista dispara um reset no universo, e versões alternativas dos heróis surgem sem memórias das tragédias. O resultado é agridoce e ousado, abrindo caminho para novos arcos – como o celebrado Steel Ball Run, já analisado em detalhe na crítica do episódio de estreia.
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Fullmetal Alchemist
Hiromu Arakawa entregou um desfecho exemplar: Edward derrota Father, salva Amestris e sacrifica a alquimia para recuperar o corpo de Alphonse. As últimas páginas exibem Ed adult o, casado com Winry e pai de duas crianças, enquanto Al e amigos buscam novos caminhos. Fecho redondo que celebra laços e amadurecimento.
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Assassination Classroom
O professor Koro-sensei passa toda a série ensinando técnicas de assassinato e empatia. Quando o governo decide eliminá-lo, os próprios alunos, chorando, assumem a missão. A partida do mestre é triste, porém permite que cada estudante cresça e encontre felicidade, transformando dor em motivação.
Imagem: Divulgação
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Slam Dunk
Takehiko Inoue fechou a história com a vitória surpreendente de Shohoku sobre Sannoh, mas manteve o pé na realidade: lesões e cansaço impedem o time de conquistar o campeonato nacional. O resultado é um final agridoce que valoriza a jornada de Sakuragi, agora apaixonado por basquete, acima de troféus.
Por que esses desfechos funcionam tão bem
Em comum, os seis títulos respeitam o arco de crescimento dos protagonistas. Naruto encerra dois objetivos centrais; Fullmetal Alchemist resolve o dilema da pedra filosofal sem trair suas regras internas; Stone Ocean quebra expectativas, mas oferece esperança. Mesmo quando a vitória não é absoluta, como em Slam Dunk, existe coerência temática que impede a sensação de pressa.
Outro ponto é o equilíbrio entre emoção e informação. Horikoshi mostra as consequências físicas dos confrontos em My Hero Academia, enquanto Yusei Matsui usa o luto em Assassination Classroom para exaltar o legado de Koro-sensei. Cada mangaká entende onde focar a câmera na cena final.
Impacto dos roteiristas e do processo criativo
Diante de cronogramas apertados, muitos autores entram no modo automático para fechar séries longas. Ainda assim, Kishimoto, Arakawa e companhia ativaram o freio criativo na hora exata, planejando capítulos finais que pareciam parte natural do todo. A construção prévia evita explicações apressadas e distribui o clímax em ritmo cadenciado.
Em contraste, Gege Akutami condensou batalhas e revelações de última hora em Jujutsu Kaisen, o que comprometeu a curva dramática. A lição que fica para futuros mangakás é clara: planejar a maratona desde a largada – como faz o Salada de Cinema ao acompanhar narrativas de fôlego – é tão importante quanto manter o pique semana a semana.
Vale a pena ler essas obras hoje?
Sim. Mesmo anos após o término, cada um desses mangás serve de aula sobre como concluir uma história de forma impactante e memorável. Para quem se sentiu órfão com o fim apressado de Jujutsu Kaisen, revisitar (ou descobrir) esses títulos renova a fé em finais bem amarrados e mostra caminhos diferentes de se despedir de personagens queridos.









