Uma simples troca de bastidores está provocando um efeito dominó na televisão americana. Todd Harthan, responsável por duas temporadas de High Potential, optou por deixar a produção policial da ABC para assumir a adaptação televisiva de Eragon no Disney+. A decisão altera o rumo de duas atrações que, à primeira vista, não teriam ligação alguma.
Enquanto o canal aberto se vê às voltas com a substituição de seu principal nome criativo, o serviço de streaming da Disney acelera para tirar da gaveta um projeto que muitos fãs de fantasia esperam desde 2022. A seguir, entenda como essa mudança impacta cada lado da equação.
Eragon ganha fôlego após anos no limbo
Anunciada em 2022, a série baseada em O Ciclo da Herança, de Christopher Paolini, ficou emperrada em desenvolvimento por quase dois anos. Agora, com Harthan e Todd Helbing confirmados como showrunners, o projeto finalmente avança para as etapas de pré-produção e seleção de elenco.
A estratégia da Disney+ é clara: oferecer uma aventura épica que dialogue com o público órfão de obras no estilo O Senhor dos Anéis. O romance de Paolini, adaptado sem sucesso em 2006, sempre foi comparado às criações de Tolkien, tanto pelos cenários de alta fantasia quanto pela jornada do herói envolto em profecias e dragões. Com tempo de tela maior, a plataforma pretende fazer justiça ao material de origem.
High Potential perde sua força motriz
Na ABC, High Potential desponta como o drama roteirizado mais assistido da emissora desde a estreia, em setembro de 2024. A série acompanha Morgan Gillory, vivida por Kaitlin Olson, uma mulher dotada de habilidades analíticas acima da média que auxilia a polícia em casos complexos. A química de Olson com Daniel Sunjata, que interpreta Karadec, foi um dos atrativos iniciais do programa.
Com a confirmação da terceira temporada para o ciclo 2026-2027, a ausência de Harthan cria um ponto de interrogação sobre a continuidade do tom leve e do ritmo investigativo que conquistaram a audiência. A emissora ainda não anunciou quem assumirá a sala de roteiristas após o término do contrato do showrunner vigente até 2026.
O efeito cascata na grade de TV aberta
Produções de fantasia demandam orçamentos generosos — algo que veículos de transmissão tradicional raramente se arriscam a bancar nos dias atuais. O fato de um roteirista experiente largar uma série consolidada de canal aberto para mergulhar em um universo de dragões evidencia a migração de talentos para o streaming, tendência que já afeta diretamente a oferta de conteúdo na “velha” televisão.
Imagem: Divulgação
Para a ABC, substituir o criador de seu carro-chefe pode resultar em mudanças estruturais de narrativa ou mesmo em uma queda de audiência caso o novo comando não mantenha a coesão. Para o Disney+, o reforço de Harthan sugere que a empresa quer acelerar a produção e, quem sabe, posicionar Eragon como resposta interna a concorrentes que investem pesado em fantasia, como o sucesso citado em nossa análise de Star Trek: Academia da Frota Estelar.
Roteiristas no centro do tabuleiro
Desde 2024, Harthan conduziu High Potential com mão firme, equilibrando casos da semana e desenvolvimento de personagens. Ao migrar para Eragon, ele levará essa experiência de storytelling procedural para uma narrativa seriada de longo fôlego. Já Todd Helbing, co-showrunner anunciado em fevereiro, soma bagagem em séries de super-herói, o que pode ajudar a traduzir batalhas mágicas e treinamento de dragões para a televisão.
Nos bastidores, a movimentação sinaliza que o Disney+ aposta em nomes que compreendem ritmo televisivo e construção de mundo. A expectativa é que as filmagens comecem nos próximos meses, mas ainda não há data de estreia definida. Enquanto isso, executivos da ABC correm contra o relógio para encontrar um novo líder criativo capaz de manter o serial policial entre as atrações mais vistas do horário nobre.
Vale a pena ficar de olho?
Para quem acompanha High Potential, a saída de Todd Harthan suscita dúvidas sobre a integridade da série. Por outro lado, fãs de fantasia ganham motivos para comemorar: Eragon finalmente parece ter encontrado o impulso necessário para sair do papel. Em ambos os casos, Salada de Cinema seguirá atento às próximas etapas de produção e às possíveis reviravoltas na dinâmica dessas duas obras que, inesperadamente, cruzaram seus caminhos nos corredores da Disney.



