O retorno de Eternia aos cinemas ganhou combustível extra depois que Travis Knight declarou que seu Masters of the Universe não não vai suavizar a veia debochada do desenho original. A mera definição de que Skeletor, vivido por Jared Leto, será “a personificação da masculinidade tóxica” já coloca o vilão como principal motor dramático do longa.
A produção, marcada para 5 de junho de 2026, reúne nomes de peso e leva às últimas consequências a estética “brinquedo virando live-action”. A seguir, Salada de Cinema esmiúça o que já se sabe sobre atuações, direção e roteiro da nova adaptação.
A visão de Travis Knight para o vilão icônico
Ao falar sobre Skeletor, Knight lembra que o personagem sempre misturou humor corrosivo, insegurança e visual assustador. O diretor rejeitou versões anteriores do roteiro que escondiam o rosto esquelético atrás de uma máscara dourada. “Skeletor tem um crânio vivo, falante, emotivo — ponto final”, teria dito nos bastidores.
Essa fidelidade ao desenho se reflete na abordagem de Jared Leto. O ator procurou a equipe por conta própria, alegando ter “história pessoal” com o antagonista. Leto mergulhou em estudos vocais para criar uma nova entonação — suficientemente estranha para fãs antigos reconhecerem o timbre, mas fresca para não soar paródia.
Knight descreve o resultado como uma síntese de charme cínico e ameaça real, algo que dialoga com discussões atuais sobre poder e masculinidade. É um território onde Leto costuma transitar bem, usando transformações radicais para imprimir personalidade a figuras excêntricas.
Transformações físicas e dramáticas de Nicholas Galitzine
Se Skeletor carrega a verve trágica, He-Man representa o contraponto empático. Knight deixou claro que buscava “uma alma antes de um corpo”, mas Nicholas Galitzine não economizou musculação. Foram cinco meses de treino intenso para se aproximar das proporções quase impossíveis do herói animado.
O ator, lembrado por produções como Bottoms e The Idea of You, fala que a tarefa foi “o trabalho mais difícil” da carreira, porém também a mais libertadora. Vestir a armadura minimalista — ou quase a ausência dela — deu ao intérprete a autoconfiança de quem sabe que o figurino é parte da narrativa, não simples fetiche visual.
A dualidade Adam/He-Man aparece no roteiro de Chris Butler como choque entre vulnerabilidade e força bruta. Nas falas divulgadas, o texto inclui piadas sobre os “nomes ridículos” dos personagens, recurso que o diretor usa para atualizar o camp sem perder a inocência oitentista.
Alison Brie e Idris Elba abraçam a essência cartunesca
Entre os coadjuvantes, Alison Brie surge como Evil-Lyn vestindo elmo roxo, orbe cósmica e cinismo delicioso. A atriz, habituada a equilibrar humor e dramaticidade em séries como GLOW, parece desfrutar da liberdade de ser “despudoradamente maligna”.
Já Idris Elba renova o Man-At-Arms que povoava sua infância. O ator lembra que os brinquedos de He-Man eram mais baratos que os de Star Wars, o que os tornava presença certa em sua casa. Nada mais natural, portanto, que aceite vestir o capacete metálico e cultivar um bigode exagerado para homenagear o desenho.
Imagem: Divulgação
Elba fala em “parque de diversões com personagens gigantes”, descrição que se encaixa na proposta estética do filme. Essa mistura de nostalgia e escala épica ecoa outros títulos recentes que apostam no exagero como virtude; fenômeno parecido ocorreu quando The Strangers: Chapter 3 foi cobrado a equilibrar terror e humor involuntário.
Roteiro, estética e o desafio de equilibrar camp e épico
Chris Butler, responsável pelo texto, costura referências da linha de brinquedos, do desenho e do filme de 1987. A estratégia passa por reconhecer a “breguice inerente” — palavras do diretor — e transformá-la em trunfo para a audiência moderna. Piadas internas justificam nomes como Beast Man ou Trap Jaw sem subestimar a inteligência do público.
A fotografia busca contrastar o deserto árido de Eternia com cores saturadas e armaduras cromadas. Knight, veterano da animação em stop-motion, usa essa experiência para compor quadros que pareçam dioramas de prateleira. O objetivo: que cada frame lembre ao espectador que tudo começou como um brinquedo.
Essa consciência visual encontra paralelo na onda de longas que abraçam raízes pulp, tendência vista também em títulos de terror que revigoram estética de baixo orçamento, como o crescimento do gênero mencionado no sucesso de bilheteria de Iron Lung.
Do ponto de vista sonoro, composições orquestrais se alternam a sintetizadores retrô, ecoando trilhas de filmes de fantasia dos anos 80. Há ainda espaço para camadas de humor autorreferencial, algo fundamental para que a audiência vibre com frases “Pelos poderes de Grayskull!” sem cair em constrangimento.
Vale a pena ficar de olho em Masters of the Universe?
A união de Travis Knight, elenco estrelado e respeito irreverente ao material original cria expectativa rara para adaptações de brinquedos. O diretor concilia sátira e aventura, enquanto Jared Leto redefine Skeletor como vilão que traz discussões contemporâneas sobre poder e masculinidade.
No campo das atuações, Nicholas Galitzine mostra empenho físico e emocional para sustentar o arco duplo de Adam. Alison Brie e Idris Elba, por sua vez, evidenciam a química camp necessária para que o humor funcione sem perder impacto dramático.
Se o equilíbrio entre nostalgia e modernidade for atingido, Masters of the Universe pode se tornar referência na crescente leva de filmes que resgatam franquias oitentistas com nova camada de consciência pop, além de fortalecer o nome do diretor depois do elogiado trabalho em animação. Resta acompanhar os próximos trailers até a estreia em 2026.









