Faroestes modernos, intrigas políticas e violência crua: o nome de Taylor Sheridan virou sinônimo desse combo na TV atual. Ex-ator de Veronica Mars e Sons of Anarchy, o texano trocou o set pelo teclado nos anos 2010, emplacou Sicario no cinema e nunca mais parou.
Do fenômeno Yellowstone a espiãs da CIA em Lioness, o roteirista, diretor e produtor vem testando formatos sem perder a pegada neo-western. O Salada de Cinema revisitou cada produção – cria ou não do “Sheridan-verso” – para ordenar as dez séries segundo consistência de roteiro, direção e, principalmente, performance do elenco.
O que faz uma série “Sheridan” valer a pena
Embora nem sempre assine a criação, Sheridan costuma imprimir três marcas: protagonistas em conflito com a terra ou a lei, diálogos diretos e cenários que funcionam quase como personagens. Quando está no comando total, sua mão fica evidente; quando atua só como produtor, o tom western aparece mais suave.
Neste ranking, pesamos essas assinaturas, mas priorizamos a entrega artística: atuações, direção de episódios e a coerência do texto. Para quem busca algo além do riso fácil das comédias originais do Prime Video, as tramas abaixo oferecem tensão e poeira em doses cavalares.
Como chegamos à ordem final
A lista respeita a cronologia de lançamento apenas quando os títulos empataram em qualidade. Cada obra recebeu notas internas para roteiro, atuação principal, coadjuvantes, direção e ritmo. Séries com apenas uma temporada testada tiveram leve desconto pela falta de fôlego demonstrado.
Reforçando: não há dados de audiência ou rumor de bastidor aqui. Tudo se baseia no que foi ao ar: direção creditada, roteiros assinados e, claro, o trabalho do elenco diante da câmera.
Imagem: Yeider Chac
Ranking das 10 séries de Taylor Sheridan
- Yellowstone (2018–2024) – O maior rancho dos EUA serve de arena para Kevin Costner, Luke Grimes e Kelly Reilly roubarem a cena em atuações intensas. A direção alternada entre Stephen Kay e o próprio Sheridan mantém o ritmo cinematográfico que pavimentou todo o universo expandido.
- Tulsa King (2022–) – Sylvester Stallone, sob a batuta de Terence Winter, entrega carisma de sobra como bandido deslocado em Oklahoma. Mesmo com Sheridan apenas no conceito, a mistura de humor cáustico e crime sustenta a série.
- Lawmen: Bass Reeves (2023) – David Oyelowo carrega os oito episódios nas costas, humanizando o lendário delegado. A direção de Damian Marcano potencializa o drama histórico, enquanto Sheridan, como produtor, garante o toque western.
- Mayor of Kingstown (2021–) – Jeremy Renner brilha como mediador de conflitos num município dominado por prisões privadas. Os diretores Clark Johnson e Guy Ferland seguram a violência gráfica sem glamourizar o sistema carcerário.
- 1883 (2021–2022) – Sam Elliott, Tim McGraw e Faith Hill vivem o trauma da migração rumo a Montana. Roteiro pesado, direção crua de Ben Richardson e fotografia naturalista transformam a série na prequel mais visceral do “Sheridan-verso”.
- The Madison (2026–) – Michelle Pfeiffer encara crise familiar no interior de Montana. Ainda engatinha, mas o piloto dirigido por Taylor Sheridan mostra potencial dramático raro fora da franquia Dutton.
- Landman (2025–) – Billy Bob Thornton e Demi Moore discutem ganância e petróleo no Texas contemporâneo. A direção segura de John Hillcoat confere urgência, porém alguns diálogos soam didáticos demais.
- 1923 (2022–) – Harrison Ford e Helen Mirren têm química, mas a narrativa se dispersa entre muitos núcleos. O valor de produção é alto; falta, contudo, a concisão que fez de 1883 um soco no estômago.
- Lioness (2023–) – Zoe Saldaña segura a câmera com firmeza, Nicole Kidman injeta autoridade, mas reviravoltas apressadas enfraquecem o suspense. Ponto positivo: foge do faroeste e prova a versatilidade de Sheridan.
- Marshals (2026) – Spencer Hudnut assume o roteiro e Sheridan surge só como produtor. Luke Grimes retorna ao papel de Kayce, agora marshal, mas a fórmula processual dilui o impacto visto em Yellowstone.
Elenco, direção e roteiros: o tripé que sustenta o “Sheridan-verso”
Quando Sheridan está na sala de roteiro, a aposta recai em diálogos secos, às vezes quase minimalistas. É o que faz Yellowstone e 1883 funcionarem: a palavra é pau para toda obra. Já em Tulsa King e Mayor of Kingstown, a força vem do protagonista supercarismático, construído por intérpretes veteranos.
A direção também carrega identidade. Guy Ferland, recorrente em vários projetos, filma planícies ou cidades industriais com mesma frieza documental. Enquanto isso, colaboradores como John Hillcoat levam para a tela um toque mais elegante, ampliando o leque visual. Esse revezamento garante que cada produção tenha “gosto” próprio, sem perder o DNA de conflito territorial que Sheridan tanto gosta.
Por fim, é impossível ignorar o peso dos coadjuvantes. De Kelly Reilly a Martin Starr, personagens secundários recebem falas e arcos completos, algo raro em dramas televisivos. Essa generosidade de roteiro contribui para que até séries mais frágeis, como Lioness, mantenham o público engajado.
Vale a pena maratonar?
Para quem procura histórias de confronto entre tradição e modernidade, as séries de Taylor Sheridan oferecem um mergulho sem filtros nesse embate. A qualidade oscila, mas o compromisso com atuações sólidas e direção autoral faz do catálogo um prato cheio para fãs de dramas intensos.









