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    ESTREIA | G.I. Jane volta aos holofotes e desembarca no streaming quase três décadas depois

    Thais BentlinBy Thais Bentlinfevereiro 27, 2026Nenhum comentário4 Mins Read

    Quando estreou em 1997, G.I. Jane parecia apenas mais um longa militar de alto orçamento. Com o tempo, a produção se provou um ponto de virada na carreira de Ridley Scott e, principalmente, de Demi Moore, que cortou o cabelo, ganhou músculo e encarou treinamento pesado para viver a tenente Jordan O’Neil.

    Agora, o filme invade o catálogo do Peacock a partir de 1º de março — única plataforma que exibirá o título por assinatura. Quem preferir, segue com a opção de aluguel ou compra digital em serviços como Prime Video, a partir de US$ 3,99. A volta de G.I. Jane reacende a discussão sobre representação feminina nas telas e convida uma nova geração a revisitar o longa.

    A chegada de G.I. Jane ao streaming

    Disponibilizar o longa em um serviço de catálogo é um movimento estratégico, lembrando que a produção arrecadou US$ 98,4 milhões nos cinemas, superando com folga o orçamento de US$ 50 milhões. Além disso, faturou outros US$ 22 milhões em locações físicas de VHS e DVD, prova de que sempre houve interesse do público.

    A nota 55% no Rotten Tomatoes, embora baixa, nunca impediu a obra de se manter relevante. Esse índice fica lado a lado de títulos que enfrentam resistência crítica, mas encontram defesa apaixonada dos fãs — algo semelhante ao recorde negativo no Rotten Tomatoes de Pânico 7, por exemplo.

    A entrega física de Demi Moore

    No papel da primeira mulher submetida a um programa de elite comparável ao treinamento dos Navy SEALs, Demi Moore exibe dedicação que transparece em cada cena. A atriz chegou a fazer flexões na lama, suportar afogamentos controlados e lidar com temperaturas geladas durante as filmagens. O corpo transformado e o visual raspado tornaram-se ícones instantâneos dos anos 1990.

    Mesmo com elogios à sua entrega, Moore acabou indicada — e “premiada” — pelo Framboesa de Ouro como pior atriz. Uma decisão polêmica, frequentemente atribuída ao desgaste provocado por Striptease (1996). Passadas duas décadas, a própria artista descreve G.I. Jane, em sua autobiografia Inside Out, como a realização profissional mais importante da carreira.

    Viggo Mortensen e o elenco de apoio

    Ao lado de Moore, Viggo Mortensen interpreta o implacável Instrutor Chefe Urgayle. O ator entrega complexidade ao antagonista, alternando disciplina brutal e respeito silencioso pela determinação da protagonista. Essas camadas anunciam o talento que Mortensen confirmaria em obras posteriores, como Capitão Fantástico.

    O time de apoio reforça a narrativa com nomes de peso. Anne Bancroft vive a senadora Lilian DeHaven, peça-chave na manobra política que viabiliza a entrada de O’Neil no programa. Além dela, Jason Beghe, Scott Wilson, Morris Chestnut e Jim Caviezel completam um grupo que sustenta o conflito entre tradição militar e inclusão.

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    ESTREIA | G.I. Jane volta aos holofotes e desembarca no streaming quase três décadas depois - Imagem do artigo original

    Imagem: Carla Van Wager

    Ridley Scott, Twohy e Alexandra: condução e discurso

    Ridley Scott dirige com o olhar amplo que marcará Gladiador poucos anos depois. A câmera acompanha cada exercício físico, mas reserva espaço para pausas dramáticas, destacando o desgaste psicológico da personagem. O roteiro de David Twohy e Danielle Alexandra investe em diálogos curtos, quase protocolares, alinhados ao ambiente castrense.

    A escolha de situar a história em um elaborado curso de treinamento permite discutir igualdade de gênero sem recorrer a discursos didáticos. A tensão entre superioridade física tradicional e resiliência mental costura todo o filme, sustentando a declaração recente de Scott, que considerou G.I. Jane “o melhor longa pró-mulheres já feito”.

    Vale a pena assistir hoje?

    Para quem nunca conferiu, G.I. Jane traz uma Demi Moore em forma rara, disposta a ultrapassar limites físicos e narrativos. A performance de Viggo Mortensen adiciona rivalidade crível, e a mão firme de Ridley Scott amarra o conjunto em ritmo ágil. Mesmo que o patriotismo exacerbado possa soar datado, a mensagem sobre enfrentar barreiras permanece atual.

    No novo contexto de streaming, o longa também serve de termômetro para medir o avanço, ou a falta dele, na representação feminina em filmes de ação. E, para o leitor do Salada de Cinema que curte revisitar obras cultuadas ou contestadas, esta é uma oportunidade de colocar a discussão em dia.

    Quem busca dois horas de tensão militar, suor e superação encontrará valor; quem prefere enredos intimistas talvez estranhe a estética vigorosa. Ainda assim, vale premir o play e descobrir por que, mesmo após quase 30 anos, a tenente Jordan O’Neil continua inspirando conversas acaloradas sobre igualdade e resistência.

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    Thais Bentlin

    Sou formada em Marketing Digital e criadora de conteúdo para web, com especialização no nicho de entretenimento. Trabalho desde 2021 combinando estratégias de marketing com a criação de conteúdo criativo. Minha fluência em inglês me permite acompanhar e desenvolver materiais baseados em tendências globais do setor.

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