Nem bem havia terminado a temporada de estreia de The Naked Gun (2025) e já se falava em uma possível continuação. O próprio Akiva Schaffer, diretor do longa estrelado por Liam Neeson, alimentou essa expectativa ao comentar que ideias não faltavam. No entanto, poucos dias após a estreia, a realidade do mercado bateu à porta e esfriou qualquer plano.
Em conversa recente, Schaffer cravou que a fusão entre Paramount e Skydance afastou de vez a possibilidade de The Naked Gun 2. Mesmo com bilheteria sólida, boas críticas e uma lista de esquetes pronta, a sequência parece ter ficado no limbo corporativo.
Mudança de comando na Paramount atrapalha continuação
Schaffer foi direto ao explicar o impasse: a reestruturação da Paramount após a chegada da Skydance paralisou o cronograma de novas franquias. Segundo ele, a conversa sobre uma sequência chegou a durar apenas “sete dias” depois da estreia; depois disso, silêncio absoluto.
Em linguagem de estúdio, isso significa que qualquer investimento adicional precisa passar por novas rodadas de aprovação. Quando se trata de um projeto de comédia de médio orçamento — o primeiro custou US$ 42 milhões —, a prioridade costuma baixar, ainda mais diante de produções de alto retorno garantido. É nesse vácuo que The Naked Gun 2 sumiu do radar.
O que já existia no papel para The Naked Gun 2
Mesmo sem luz verde, o trio de roteiristas Akiva Schaffer, Dan Gregor e Doug Mand não ficou parado. Eles mantêm uma lista de gags e sketches que brincariam com a cultura pop recente, além de um “grande conceito” citado pela produtora Erica Huggins. Nada disso foi detalhado publicamente, mas o grupo garante que havia material suficiente para outro filme de 85 a 90 minutos.
A julgar pelo DNA da franquia, a aposta seria repetir o formato de piadas visuais rápidas, trocadilhos infames e paródias de filmes policiais. Liam Neeson retornaria como Frank Drebin Jr., enquanto Pamela Anderson provavelmente reprisaria Beth Davenport. Contudo, sem sinal verde, todo esse conteúdo segue apenas como anotações nas pranchetas dos roteiristas.
Recepção da versão de 2025
O desempenho do filme de 2025 reforça o estranhamento do público diante do cancelamento. No Rotten Tomatoes, a produção ostenta 87% de aprovação da crítica especializada, baseado em 336 análises. Entre os espectadores, a nota é 72% em mais de 2.500 avaliações verificadas.
Imagem: Divulgação
Na bilheteria global, The Naked Gun acumulou US$ 102,1 milhões — resultado considerado satisfatório para um projeto de orçamento moderado. A boa recepção rendeu prêmio de Melhor Comédia no Critics Choice Awards e na associação de críticos de St. Louis, selando a reputação do longa como um revival bem-sucedido.
Atuação de Liam Neeson e equipe criativa sob os holofotes
Parte do apelo do filme reside na maneira como Liam Neeson abraçou o absurdo. Conhecido por seus papéis sisudos — vide Busca Implacável —, o ator retomou o olhar sério de Frank Drebin Jr. para amplificar o humor físico e verbal. O contraste entre sua persona dramática e a avalanche de piadas nonsense convenceu público e crítica de que a aposta funcionou.
Akiva Schaffer, que já havia se destacado com Chip ‘n Dale: Rescue Rangers, mostrou mão firme na cadência cômica, alternando entre referências à trilogia original de Leslie Nielsen e recursos visuais contemporâneos. Já os roteiristas Doug Mand e Dan Gregor equilibraram nostalgia e atualidade, alinhando trocadilhos clássicos a comentários sobre crimes cibernéticos e mídias sociais.
O resultado foi uma comédia ágil de 85 minutos, elogiada também pela montagem sem gorduras e pela trilha sonora que brinca com temas policiais dos anos 1980. Para o Salada de Cinema, é exatamente essa combinação de reverência e novidade que torna o filme um sucesso discreto, mas significativo.
Vale a pena assistir ao filme de 2025?
Para quem aprecia comédias de ritmo acelerado, cheias de trocadilhos e piadas visuais, The Naked Gun (2025) oferece uma experiência divertida e enxuta. A atuação de Liam Neeson, aliado à direção segura de Akiva Schaffer, sustenta o humor por toda a duração. Mesmo sem perspectiva de The Naked Gun 2, o capítulo atual se mantém como um bom entretenimento policial-paródico, digno de figurar na lista de reprises de fim de semana.









