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    Frankenstein de Guillermo del Toro entrega drama gótico e atuações hipnóticas na Netflix

    Thais BentlinBy Thais Bentlinjaneiro 27, 2026Nenhum comentário5 Mins Read

    Guillermo del Toro volta aos clássicos da literatura com Frankenstein, longa de 2026 que transforma o terror gótico em experiência lenta, quase contemplativa. Em vez de sustos fáceis, o diretor investe em observar a ruína de um homem que julga ter domínio absoluto sobre a vida e a morte.

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    A trama acompanha Victor Frankenstein, vivido por Oscar Isaac, enquanto o cientista acelera etapas, ignora alertas e fecha a porta do laboratório para todos que poderiam contê-lo. O resultado é um estudo sobre ambição e falha, sustentado por elenco afinado e estética que reflete a deterioração moral do protagonista.

    A ambição de Victor Frankenstein ganha rosto e voz

    Oscar Isaac encarna Victor com charme intelectual, arrogância elegante e crescente desespero. O ator evita caricatura: cada frase dita com confiança vem ladeada por um olhar que sugere dúvidas abafadas. Quando o roteiro exige que Victor racionalize escolhas duvidosas, Isaac deixa a voz falhar de leve, indicando fissuras internas antes que o texto confirme o colapso.

    Esse Victor não surge motivado por luto ou trauma imediato, mas por vaidade prolongada. A composição do ator reforça a ideia de que a queda é consequência natural dessa postura. O público testemunha um cientista que domina jargões, manipula recursos e, principalmente, acredita que a inteligência o coloca acima de qualquer freio ético. Essa leitura entrega o motor dramático do filme sem recorrer a grandes monólogos, recurso que del Toro prefere evitar.

    Uma criatura que desconcerta em vez de assustar

    Jacob Elordi assume o papel da criatura e encontra terreno fértil para nuance. Ao optar por gestos contidos e olhar curioso, o ator recusa a imagem de monstro que salta das sombras. Sua presença incomoda justamente pelo contraste entre fragilidade inicial e potencial destrutivo latente. Cada passo hesitante da criatura lembra ao espectador que o verdadeiro perigo não reside na força bruta, mas na frustração de expectativas.

    Del Toro reforça esse desconforto ao filmar Elordi em planos que nunca revelam tudo de uma vez. O diretor faz questão de destacar sutis respostas faciais do intérprete, sobretudo quando a criatura percebe que nunca poderá cumprir o ideal pensado por Victor. O jogo de cena entre Isaac e Elordi, marcado por hierarquia instável, conduz o filme pelo terreno do drama psicológico, não do susto explícito.

    Direção de Guillermo del Toro opta por erosão gradual

    Conhecido por labirintos visuais, del Toro aqui desacelera o ritmo que marcou algumas de suas produções anteriores. Em Frankenstein, a câmera passeia pelo laboratório como se mapeasse um território emocional: tubos, alavancas e fios pendurados simbolizam a teia de decisões que aprisiona o protagonista. Quanto mais Victor tenta controlar variáveis, mais restrito o espaço parece.

    A fotografia acompanha a mutação desse ambiente, trocando cores amareladas por tons esverdeados conforme aumentam os improvisos de Victor. O diretor evita grandes cortes e prefere acompanhar reações em tempo real, sublinhando o desgaste que se acumula em microgostos. Essa estratégia exige paciência do público, mas recompensa com impacto emocional consistente.

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    Frankenstein de Guillermo del Toro entrega drama gótico e atuações hipnóticas na Netflix - Imagem do artigo

    Imagem: Divulgação

    Humor seco e espaço em ruínas

    Há uma ironia fina espalhada pelo roteiro. Sempre que Victor justifica escolhas absurdas com linguagem científica, del Toro enquadra o personagem entre máquinas que soltam faíscas, destacando a contradição entre discurso técnico e caos à volta. O resultado é um humor discreto que ajuda a aliviar a densidade sem comprometer a tensão.

    Nesse cenário, Christoph Waltz surge como contraponto. Seu personagem, ponderado e pragmático, aponta caminhos menos destrutivos, mas encontra barreiras erguidas pelo ego de Victor. Quem acompanha Waltz desde seu embate com Daniel Craig em 007 Contra Spectre reconhecerá o prazer do ator em dialogar com antagonistas narcísicos. Aqui, cada conselho rejeitado funciona como novo tijolo na parede que isola o cientista.

    O uso do espaço reforça essa dinâmica. O laboratório assume contornos claustrofóbicos: corredores encurtam, mesas se enchem de anotações ilegíveis, válvulas entopem. Del Toro transforma cenário em metáfora visual da teimosia que corrói estratégias de contenção. Nada disso acontece em explosões repentinas; o desgaste é contínuo, quase invisível, até que o espectador perceba não haver mais via de escape.

    Vale a pena assistir Frankenstein?

    Frankenstein não busca reinventar o mito com reviravoltas mirabolantes. O filme prefere examinar processos, falhas e pequenas renúncias que selam destinos. Para quem valoriza atuações meticulosas, a parceria entre Oscar Isaac, Jacob Elordi e Christoph Waltz entrega estudo de personagem raro no circuito de adaptações de terror.

    Del Toro confirma reputação de contador de histórias que confia na inteligência do público e rejeita atalhos emocionais. O longa equilibra melancolia, humor seco e crítica à soberba científica, compondo experiência que dialoga com temas contemporâneos sobre responsabilidade na criação de tecnologias.

    Com pouco mais de duas horas, o drama gótico justifica cada minuto ao mostrar, sem pressa, o momento exato em que controle vira ilusão. Para leitores do Salada de Cinema interessados em performances densas e direção autoral, Frankenstein se destaca como um dos lançamentos mais relevantes da Netflix em 2026.

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    crítica Frankenstein Guillermo del Toro Jacob Elordi Oscar Isaac
    Thais Bentlin

    Sou formada em Marketing Digital e criadora de conteúdo para web, com especialização no nicho de entretenimento. Trabalho desde 2021 combinando estratégias de marketing com a criação de conteúdo criativo. Minha fluência em inglês me permite acompanhar e desenvolver materiais baseados em tendências globais do setor.

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